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CNI: Atividade e emprego recuaram na construção civil em fevereiro

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CNI: Atividade e emprego recuaram na construção civil em fevereiro Iano Andrade/ CNI
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Os índices de evolução dos níveis de atividade e de emprego na construção civil registraram nova queda em fevereiro de 2021, de acordo com a Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A atividade está em 45,9 pontos e o emprego em 46,8 pontos. Esse indicador varia de uma escala de 0 a 100, tendo uma linha de corte em 50 pontos, que separa o aumento da queda. Esse é o terceiro mês de recuo na atividade do setor e o quarto mês seguido de redução no número de empregos.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica que a contração no início do ano é usual para o setor.

“Mas a segunda onda da pandemia e a necessidade de novas medidas de restrição de circulação, além da indefinição sobre a aprovação das reformas estruturais, como a tributária, criaram um ambiente de incertezas, que se reflete nas pesquisas”, explica o economista.

Segundo Marcelo Azevedo, no caso da construção civil, o contexto é de maior fragilidade em fevereiro em relação a janeiro deste ano, mas que alguns fatores mostraram a solidez do setor, como a Utilização da Capacidade Operacional (UCO), que se manteve em 61%. Esse é o maior percentual para meses de fevereiro desde 2014.

A confiança do empresário da construção registrou queda de 5,5 pontos em março, em relação a fevereiro, está em 52,2 pontos, acima da linha de corte, o que indica confiança. Mas a queda acentuada levou o índice para baixo da média histórica. A intenção de investir também registrou queda de 3,2 pontos e ficou em 38,5 pontos, mas está acima da média histórica de 34,8 pontos.

Imposto de importação do aço

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) participou nesta terça-feira (23) de reunião no Ministério da Economia com representantes da cadeia produtiva do aço e entidades representativas dos principais compradores do país.

Para o presidente da CBIC, José Carlos Martins, a percepção do mercado é de desabastecimento.

“Precisamos de um choque de oferta para restabelecer o equilíbrio entre a oferta e a demanda. Nossa proposta é a redução imediata do imposto de importação”, disse.

Na última sexta-feira (19), a entidade fez um levantamento com 206 empresas do setor em todo o país e 84% delas disseram que há desabastecimento de aço em suas regiões. Também foi perguntado às empresas quais materiais estão com o prazo de entrega maior que o habitual —para 82,9% delas, a resposta foi o aço.

Na reunião de ontem, a CBIC apresentou ao secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, a pesquisa completa, mostrando números sobre o problema. Para o setor, enquanto a oferta e a demanda não forem normalizadas não será possível estabilizar preços.

O desabastecimento e a insegurança com relação aos custos de vários materiais podem prejudicar a atividade da construção, que no início do ano projetava crescer 4% em 2021 e gerar 200 mil novas vagas de empregos.

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