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Rodadas de Investimento: como as startups fazem captação de recursos

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Rodadas de Investimento: como as startups fazem captação de recursos Pexels
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O sonho de muitas startups é atingir a categoria de unicórnio, ou seja, chegar a US$ 1 bilhão de valor de mercado antes de abrir seu capital em bolsas de valores. Para alcançar essa meta, as empresas dependem de rodadas de investimentos, em que fundos ou pessoas fornecem uma quantida em dinheiro para o desenvolvimento e aperfeiçoamento do produto oferecido pela companhia.

O Shark Tank, série de game show norte americana que tem sua variante aqui no Brasil, busca retratar esse movimento. Os empreendedores vão ao programa apresentar as suas ideias de negócio a potenciais investidores a fim de obter esses financiamentos. Na versão brasileira, alguns dos investidores são: João Appolinário, fundador de Polishop; José Carlos Semenzato, presidente da SMZTO Holding, que tem no seu portfólio o Espaço Laser (ESPA3), Instituto Embelleze, e OdontoCompany; e Camila Farani, sócia da G2 Capital e bicampeã como melhor investidora-anjo.

O investidor-anjo é a pessoa física ou jurídica que faz investimentos com seu próprio capital em empresas nascentes com alto potencial de crescimento, mas realidade é um tanto quanto diferente do que é apresentado no programa. Mesmo no Shark Tank, após os tubarões toparem o negócio, é realizada uma pesquisa sobre a empresa e suas condições para que seja concluída a negociação.

As rodadas de investimento também são conhecidas como séries e seus nomes seguem a ordem alfabética: primeira rodada – Série A, segunda – Série B, terceira – Série C e assim por diante. Além do aporte financeiro, os investidores trazem networking e expertise em diversas frentes para fazer com que a empresa alcance seus objetivos.

Um exemplo recente foi no dia 24 de março, quando a fintech de crédito Open Co recebeu um aporte de capital de R$ 150 milhões liderada pelo International Finance Comporation (IFC), instituição ligada ao Banco Mundial, e pelo Goldman Sachs. Cada startup se desenvolve de uma forma, assim, cada uma passa pelas etapas de crescimento de forma diferente.

A startup mineira Sympla, plataforma online para produtores de eventos, recebeu investimento estimado em R$ 2 milhões do produtor cultural e proprietário da Cria! Cultura, Maurílio Kuru Lima, e do investidor-anjo Yuri Gitahy.

“Após 25 anos realizando eventos, enxerguei na ferramenta uma revolução para o mercado de pequenos e médios organizadores. O aporte irá alavancar o crescimento da empresa e beneficiar toda a comunidade de realizadores de eventos”, disse o produtor cultural à revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Já para a Sympla, o investimento significou aceleração do crescimento:

“Este capital possibilitou novas contratações, melhoras na infraestrutura e investimento em marketing e vendas”, contou o fundador Rodrigo Cartacho à Exame.

Os investidores não fornecem o dinheiro e conhecimento a troco de nada, porém, a situação também é diferente de um empréstimo. Os fundos e pessoas não estão emprestando dinheiro para as empresas, o valor fornecido é convertido em cotas que podem ser, mas não necessariamente, ações no futuro. Por exemplo, uma empresa pode pedir R$ 200 mil por 20% da sua empresa.

O valuation é utilizado para avaliar e determinar o valor da empresa. Para calcular, as empresas definem o volume de investimento que faz sentido ao estágio e dividem pela participação societária a ser oferecida ao investidor. No caso do exemplo anterior, se a companhia pede R$ 200 mil por 20%, significa que o valuation da sua empresa é de R$ 1 milhão. Essa avaliação leva em conta o julgamento da posição que ocupa no mercado, previsão de retorno de investimento, base de clientes, entre outras variáveis.

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A Rodada

A startup que promove a rodada de investimento faz apresentação do seu modelo de negócio, o famoso pitch. Nele, ela traz o seu produto, dados, pesquisas e demais informações financeiras de forma a convencer o investidor que aquele será um negócio lucrativo.

Os investidores avaliam diversos aspectos do negócio para decidir aplicar o dinheiro ou não. A primeira etapa consiste em uma triagem realizada pelo membro do comitê de investimentos que teve o primeiro contato com a startup. Já na segunda e terceira fase, a verificação é aprofundada e conta com alguém que tenha mais conhecimento sobre a área.

Alguns pontos são essenciais:

  • Modelo de negócio
  • Concorrência
  • Tamanho de mercado

Assim, é possível ver o conhecimento do setor dos empreendedores e o quanto eles pesquisaram, se o mercado é competitivo e se a companhia tem a capacidade de prosperar com seus diferenciais, e também como é o acesso a esse mercado.

Séries

O investimento semente, chamado algumas vezes de seed, é geralmente destinado para apoiar o trabalho inicial de pesquisa, desenvolvimento e validação de mercado da empresa.

As Séries mais conhecidas são a A, B e C. A Série A é utilizada para otimizar a base de usuários e criar novas ofertas de produtos e serviços. Enquanto a Série B existe para que os investidores contribuam para escalar o negócio, aprimorando processos, automatizando a empresa e também para novas contratações. Já a Série C pode ser um investimento que busca internacionalizar a empresa e acelerar a companhia em todos os aspectos. As demais rodadas dão continuidade na expansão do negócio.

Por dentro dos investimentos

Uma pesquisa realizada pelo Distrito Dataminer analisou como anda o funil de investimentos das startups no Brasil. O estudo, que pegou dados entre 2011 e 2020, mostrou que ocorreram 1.066 captações nos estágios Pré-Seed e Seed, porém apenas 281 conseguiram passar pelo primeiro gap e atingir o estágio da Série A. Ou seja, 75% das startups não foram capazes de vingar no mercado e atingir metas que seriam necessárias para dar continuidade no seu crescimento.

Dentre essas 281 startups que passaram dessa primeira etapa, apenas 102 (36%) avançam para o próximo estágio. Apenas 10% do total inicial chegam a uma Série B.

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Fonte: Distrito Dataminer

Essa pesquisa mostra também que as fintechs receberam mais de 50% do volume investido em startups em 2020, um valor de mais de US$ 1,78 bilhão em aportes distribuído em 91 rodadas de investimento. O segundo lugar ficou para as startups que trazem soluções para o varejo, as retailtechs, com US$ 361 milhões distribuídos em 43 rodadas.

“Apesar de concentrar 19% do número de rodadas, ter acumulado mais da metade de todo o volume investido revela que as fintechs constituem hoje o setor mais maduro dentro do ecossistema, capaz de atrair os maiores cheques”, afirma Tiago Ávila, líder do Dataminer. “Ainda assim, há um espaço gigantesco para evolução deste setor e o investimento de US$ 400 milhões no Nubank no início de 2021 é uma indicação disto”, completa.

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