clique para ir para a página principal

Falta de crédito compromete desempenho das micro e pequenas empresas durante a pandemia

Atualizado em -

Falta de crédito compromete desempenho das micro e pequenas empresas durante a pandemia Pixabay
► Procura por crédito por parte das empresas aumentou 12,7% em fevereiro ► Alshop revela que 84% dos lojistas já demitiram desde início da pandemia da Covid-19

Clique e fale com um especialista VLG Investimentos

Clique e fale com um especialista VLG Investimentos

As medidas restritivas necessárias para conter o avanço do novo coronavírus impactaram inúmeros setores da economia. Contudo, a preocupação é ainda mais latente em relação à capacidade de enfrentamento das empresas de pequeno porte, que possuem menor fôlego financeiro e são menos adaptadas a trabalhar em frentes compensatórias, como as vendas online ou por delivery. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), 84% dos estabelecimentos comerciais já demitiram desde o início da pandemia, sendo que 70% do total das lojas de shopping são formados por pequenos empreendedores. Além das demissões, 53% deles temem pela continuidade da crise que pode levar a um fechamento definitivo. O impacto de um surto de inadimplência ou falência das micro e pequenas empresas pode ser ilustrado pelo fato de que elas representam 27% do PIB e cerca de 54% dos empregos com carteira assinada no país.

Apesar de toda importância deste segmento, obter crédito nas instituições financeiras ainda é um desafio. Dados do Sebrae-RJ apontam que 61% das solicitações feitas pelas micro e pequenas empresas do estado do Rio foram negadas em 2020. O analista da entidade e especialista em gestão financeira, Guilherme Reche, destaca dois pontos que contribuíram para o baixo índice de obtenção de crédito no ano passado: ausência de garantias complementares para oferecer às instituições financeiras e o baixo relacionamento, que faz com que as empresas que estão bem relacionadas no mercado obtenham recursos antes desse segmento.

“Temos um percentual elevado de solicitações sendo feitas simultaneamente. Os programas emergenciais de crédito não foram suficientes para cobrir a demanda porque a demanda foi excessiva e ao mesmo tempo. O grande problema é que o empresário que mais precisa do empréstimo é, muitas vezes, aquele que já tem falta de capacidade de pagamento e algum tipo de histórico de restrição, com dificuldades financeiras antes mesmo da pandemia e que esta agravou”, disse o analista.

Criado em maio do ano passado como uma forma de ajudar o setor a enfrentar a pandemia, o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) emprestou R$ 37 bilhões a 468 mil micro e pequenos empreendedores, com valores de até 30% do faturamento em empréstimo, pagamento em 36 vezes e juros de até 1,25% mais Taxa Selic. Com o montante em caixa e a retomada do comércio no fim do ano passado, as micro e pequenas empresas conseguiram reagir e gerar, no último mês de janeiro, quase o dobro do número de empregos (aproximadamente 195,6 mil) criados pelo segmento no mesmo mês do ano passado (cerca de 103,9 mil), segundo o Sebrae.

Contudo, com a propagação das novas variantes da Covid-19 e o aumento expressivo no número de mortes no país nas últimas semanas, estados e prefeituras estão adotando novamente medidas para evitar o colapso da saúde, com restaurantes, teatros e lojas não essenciais sendo obrigadas a fechar as portas, o que volta a preocupar o setor. Na segunda-feira (22), a subsecretária de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas, Empreendedorismo e Artesanato, Antonia Tallarida, afirmou que a nova fase do programa, a ser deflagrada ainda neste ano, deverá contar com cerca de R$ 16 bilhões, valor inferior aos R$ 18 bilhões liberados em 2020. No momento, a nova rodada do Pronampe depende da aprovação do Orçamento de 2021, ainda em análise pelo Congresso, e da votação na Câmara dos Deputados do projeto de lei que torna o programa permanente.

"É preciso sentimento de urgência para acudir nossas pequenas empresas. A exemplo do Pronaf, que é direcionado anualmente aos produtores rurais e já existe há mais de 25 anos, agora o Pronampe também será obrigatório, com regras fixas”, explicou a senadora Kátia Abreu (PP-TO), relatora do projeto de lei que conseguiu aprovação para o Pronampe ser permanente no Senado.

Urgência para uma nova rodada

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) cobra urgência do governo para liberação de uma nova rodada de crédito emergencial para micro e pequenas empresas. Segundo a entidade, o programa ainda tem capacidade de oferecer até R$ 7,1 bilhões em novas operações, sem a necessidade de nenhum centavo adicional de aporte do Tesouro Nacional.

“A grande vantagem é que o sistema está pronto, tem recursos, as condições estão definidas, a maioria dos bancos privados entraram no programa, as empresas estão querendo. É muito fácil reabrir o Pronampe”, avalia o economista-chefe da CNI, Renato da Fonseca.

Fonseca lembra que todo o esforço do governo e do Congresso para uma nova rodada de pagamentos do auxílio emergencial para a população mais necessitada é uma comprovação de que o recrudescimento da pandemia exigirá a reedição de medidas que tiveram êxito em 2020, como o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), de complemento de renda para quem teve o salário cortado ou o contrato suspenso, e o próprio Pronampe.

“Estamos vendo um novo pico de contágios e óbitos. Se a nova onda da pandemia realmente for pior, as empresas vão voltar a fechar como fecharam em março e abril do ano passado. Alguns estados e municípios já estão tentando controlar o contágio e o governo federal vai ter que voltar com essas medidas emergenciais e com redução de jornada e salários”, alertou Fonseca.

Crédito Colateralizado pode ser uma opção

Embora a Taxa Selic esteja em um valor baixo para o histórico recente brasileiro (2,75% ao ano), quem precisa de crédito ainda encontra juros elevados. No comércio, por exemplo, o custo das compras parceladas gira em torno de 72% ao ano. Um empréstimo pessoal nos bancos tem juros acima de 45% ao ano. No cheque especial, as taxas se aproximam de 128% ao ano e no cartão de crédito passam de 257%, segundo a pesquisa de juros mais recente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Uma das soluções para adquirir juros mais acessíveis é através do Crédito Colateralizado. O Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, explica que a modalidade é pouco conhecida, mas que vem ganhado cada vez mais espaço nas instituições financeiras.

"O Crédito Colateralizado é quando você deixa como garantia um bem ou ativos que estão investidos para pegar um empréstimo com um juro mais baixo. Algumas empresas deixam seus caixas como garantia na VLG Investimentos e conseguem pegar uma linha de financiamento a CDI mais Taxa Selic 1,75%, com prazo de pagamento de até cinco anos. Antes, os bancos estavam cobrando cerca de 3% ao mês", destacou.

Podcast +Q1Minuto

Saiba como a modalidade de Crédito Colateralizado tem ganhado cada vez mais espaço através de diversas instituições financeiras com cobranças de juros menores. Ouça o episódio do podcast +Q1Minuto sobre o tema e entenda como a carteira de ativos do investidor pode ser usada como garantia.

No programa, o Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, exemplifica com casos de empresários que usaram a ferramenta para tomar crédito, pagar dívidas e, inclusive, alavancar seus negócios.

Relacionados:

► Procura por crédito por parte das empresas aumentou 12,7% em fevereiro ► Alshop revela que 84% dos lojistas já demitiram desde início da pandemia da Covid-19

Leia mais: