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Investimentos de grandes empresas impulsionam crescimento de carros elétricos no Brasil

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Investimentos de grandes empresas impulsionam crescimento de carros elétricos no Brasil Pixabay
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A preocupação com a preservação do meio ambiente tem colocado em curso uma revolução na indústria automotiva. Carros movidos a gasolina e derivados se tornaram "os grandes vilões" da natureza e diversos países já se preparam para limitar sua circulação a partir da próxima década. Diante deste cenário, as montadoras estão em uma verdadeira corrida para se adequarem a nova realidade. E a aposta da vez são os carros elétricos e híbridos, que possuem cada vez mais modelos à disposição do consumidor, apesar de o custo ainda ser elevado e a rede de recarga ser incipiente na grande maioria dos países.

Mesmo ainda com pouca representatividade entre os brasileiros, as vendas dos veículos eletrificados têm crescido e batido recordes a cada ano. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), no fechamento de 2020, foram 19.745 unidades vendidas, o que representou aumento de 66,5% nos emplacamentos em relação a 2019, quando foram 11.858 unidades comercializadas. O segmento, que totaliza 42.269 unidades considerando elétricos e híbridos, acaba de alcançar a marca de 1% da frota total do país.

“Foi o melhor ano da história da eletromobilidade no país. No mesmo período, o mercado convencional de veículos a combustão teve queda de 26%. Hoje, já temos mais de 42 mil automóveis comerciais leves de baixa emissão circulando em nossas ruas. A indústria automobilística, portanto, está se reinventando para atender a essa nova realidade", disse Rui Almeida, vice-presidente de Veículos Levíssimos da ABVE e executivo da Riba Brasil.

Apesar da compra individualizada ser o grande trunfo para o setor, o que torna a sustentabilidade automotiva realidade são as grandes empresas, que tem apostado alto neste segmento. Recentemente, a Ambev fechou parceria com a startup brasileira FNM e com a montadora nacional Agrale para produção de mil veículos elétricos incluindo caminhões e vans, como parte dos planos da fabricante de bebidas de ter metade de sua frota rodando com energia limpa até 2023. O valor do investimento não foi revelado, com a Ambev informando apenas que o projeto é "viável economicamente devido ao menor custo de energia e manutenção".

Com cerca de 5.300 caminhões, a gigante do setor de bebidas tem uma das maiores frotas dedicadas do país. E é com a conversão dessa estrutura que a companhia planeja reduzir em 25% a emissão de gás carbônico em toda sua cadeia até 2025. Segundo a Ambev, comparado aos veículos da frota atual, cada caminhão elétrico da FNM/Agrale permitirá reduzir a emissão de CO₂ em 126 mil quilos por ano. O automóvel piloto fará rotas de entrega de bebidas no Rio de Janeiro, com autonomia de até 100 quilômetros por dia.

"É claro que com o tempo o custo desse investimento se paga, mas dentro da Ambev esses projetos nascem para contribuir com a redução do nosso impacto no meio ambiente. Estamos sempre em busca de novas ideias e as parcerias funcionam de forma estratégica para que a gente leve inovação para dentro de nossos negócios. Esses novos conceitos, sem dúvida, agregam para a construção de um mundo melhor e mais sustentável, fazendo com que cada vez mais esse tipo de solução faça parte do dia a dia das pessoas", informou a Ambev, em nota enviada ao Mercado1Minuto.

Segundo a companhia, a energia para abastecer os veículos elétricos virá dos próprios centros de distribuição da empresa, espalhados pelo Brasil, e que já operam com energia solar.

"Em 2020, a Ambev anunciou a expansão do projeto com 48 usinas solares em 21 estados do país, em parceria com as empresas Solution, GD Solar e Gera Energia. As usinas serão instaladas onde possuírmos operações e também no Distrito Federal. Uma das metas de sustentabilidade para 2025 é a de ações climáticas, ou seja, nos comprometemos que 100% da eletricidade comprada por nós deve ser advinda de fontes renováveis", completou a companhia.

Outra empresa que quer adentrar neste segmento é o Mercado Livre, que divulgou na semana passada o desejo de aumentar o número de veículos elétricos em sua frota de 70 para 1.000 ou mais. Com isso, o maior portal de comércio eletrônico da América Latina quer oferecer aos entregadores no Brasil financiamento para estes novos automóveis. Com 10 mil veículos e 600 carretas no país, frota quase toda operada por terceiros, o Mercado Livre está dando os seus primeiros passos em direção ao mundo elétrico à medida que as ações da companhia mais do que dobraram de preço nos últimos 12 meses, impulsionadas pelo aumento do interesse em compras online diante das restrições trazidas pela pandemia da Covid-19.

O plano de compra dos automóveis eletrificados vem a público após a companhia com sede na Argentina ter captado US$ 1,1 bilhão em bônus, sendo US$ 400 milhões em notas atreladas a iniciativas de boas práticas socioambientais, reforçando a crescente demanda do mercado pelo assunto que tem se popularizado pela sigla ESG.

"A iniciativa segue o esforço global para reduzir emissões de carbono, mas é uma ponte para que seus entregadores reduzam seus custos no médio prazo, dado que as despesas de manutenção são menores nos carros elétricos do que nos movidos a combustão. É um investimento que se paga no tempo”, pontuou o vice-presidente de estratégia, novos negócios e relações com investidores do Mercado Livre, André Chaves.

Quem também está investindo neste ramo é o Itaú Unibanco, que anunciou no fim do ano passado a criação do seu serviço de aluguel de carros elétricos. A ideia, neste caso, é a cobrança de uma tarifa inicial fixa e um valor por minuto de uso dos veículos, como é feito no serviço de compartilhamento de bicicletas, também ofertado pelo banco. O piloto do projeto para veículos elétricos do Itaú se chama Vec Itaú e está previsto para uso a partir do segundo semestre de 2021.

“Colocamos a expertise financeira a serviço das pessoas, num modelo em que contaremos com parcerias estratégicas com montadoras, locadoras e demais players do segmento. Buscaremos agregar valor por meio de uma experiência inovadora, tecnológica, segura e sustentável, além de estimular o mercado de veículos elétricos no Brasil”, afirma o diretor do Itaú Unibanco, Rodnei Bernardino de Souza.

Na avaliação de Rui Almeida, os carros elétricos vieram para ficar, mas não no modelo tradicional da indústria automobilística do século XX. As montadoras de veículos estão se transformando em empresas de mobilidade, não apenas fabricantes de automóveis. Para ele, a mobilidade tende a ser um serviço, que você poderá contratar só quando precisar, sem ter de deixar o carro parado a maior parte do tempo na garagem de casa ou do trabalho.

A mobilidade elétrica do futuro próximo será cada vez mais compartilhada, autônoma e conectada. Imagine um carro inteligente, que o deixará na porta do seu escritório e, enquanto você trabalha, prestará serviços de compartilhamento de passageiros, como um Uber, garantindo uma receita extra no seu orçamento. No fim do dia, ele o apanhará no escritório e o levará para casa. E tudo isso sem falar nos veículos elétricos voadores, os e-VTOLs, que serão realidade dentro de cinco ou seis anos e já envolvem algumas das maiores empresas do mundo, como Google, Boeing e a brasileira Embraer. Isso não é ficção científica. Já está acontecendo", finaliza.

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