clique para ir para a página principal

Concorrência nas capitais e fluxo de clientes levam empresas a investirem no interior do país

Atualizado em -

Concorrência nas capitais e fluxo de clientes levam empresas a investirem no interior do país Freepik
► Falta de crédito compromete desempenho das micro e pequenas empresas durante a pandemia► Sebrae: Empresas endividadas sofrem mais com pandemia

A fuga da violência, melhores condições de vida e moradias mais espaçosas fizeram inúmeras pessoas saírem das capitais e migrarem para o interior do país nos últimos anos. Com o surgimento da pandemia provocada pelo novo coronavírus e a possibilidade do trabalho home office, o movimento tem ganhado ainda mais força. Uma pesquisa realizada pelo Zap+, que congrega os dois maiores portais de imóveis do Brasil, mostra que 59% dos moradores de São Paulo e de Belo Horizonte, se tivessem de decidir neste momento sobre ir morar em um lugar menor, diriam sim à mudança. No Rio de Janeiro, o percentual é ainda maior: 67%. Segundo a mais recente estimativa de população realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as cidades entre 100 mil e 1 milhão de habitantes vêm crescendo na última década a um ritmo até 50% mais rápido do que nas capitais. Atualmente, dois em cada três brasileiros residem em municípios com não mais do que meio milhão de habitantes.

Sem muitas possibilidades de crescimento e a ampla concorrência nas principais cidades do país, diversas empresas estão seguindo o fluxo de seus clientes para o interior. Com custos menores de produção, incentivos fiscais e melhoras nas condições logísticas, o crescimento fora dos grandes centros urbanos se tornou uma realidade. Dados da consultoria IPC Marketing comprovam este movimento, que também foi acelerado pela pandemia. Se entre 2015 e 2020 o consumo nas 50 maiores cidades avançou quase 15%, nos outros 5.520 municípios do país o crescimento teve um ritmo mais acelerado (23%).

A diretora-executiva da ABF (Associação Brasileira de Franchising), Silvana Buzzi, explica que o movimento de migração já existe há alguns anos, mas se intensificou de uns cinco anos para cá. Em um primeiro momento, as redes buscavam melhores condições mercadológicas, principalmente menores custos de aluguel, de mão de obra e de outros insumos de forma geral. Com o tempo, a busca de novos consumidores e mercados, a menor concorrência e os ganhos de escala passaram a pesar mais.

"Além disso, temos que levar em consideração que o Brasil tem dimensões continentais, com vários polos regionais de desenvolvimento, principalmente associados ao agronegócio. Mais recentemente, a pandemia passou a ser um outro fator de impulsionamento. A expansão é o cerne do franchising. Por seu tamanho e visibilidade, as capitais acabam sendo a primeira etapa, mas, após isso, o interior é o grande campo a ser desbravado. E, no Brasil, trata-se de algo realmente grande e desafiador. Mas as redes que atingem esta capilaridade têm muitos ganhos em termos de escala, logística e construção de marca", pontua.

O diretor da IPC Marketing, Marcos Pazzini, acrescenta que o número de indústrias nos últimos seis anos nas pequenas cidades saltou 36%, de 1,5 milhão para 2,1 milhões. Com mais empresas, avalia, houve maior geração de emprego, o que ajudou a elevar a renda, dando fôlego ao setor de serviços. No interior de São Paulo, por exemplo, as micro e pequenas indústrias tiveram em dezembro melhor situação financeira do que os empreendimentos da região metropolitana. Segundo levantamento do Datafolha encomendado pelo Simpi (Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias de São Paulo), 47% dos negócios no interior apresentavam situação financeira ótima ou boa, enquanto na capital apenas 23% das empresas pesquisadas se encontravam no mesmo patamar.

Menor custo operacional

Na avaliação do presidente do Simpi, Joseph Couri, o menor custo operacional no interior explica o impacto atenuado da pandemia do novo coronavírus sobre os negócios da região.

“No interior, há redução de locação industrial, menor custo de mobilidade e alimentação de funcionários, os serviços são mais baratos”, afirma.

Couri destaca ainda que a pandemia intensificou as diferenças de custos historicamente observadas entre as duas regiões. Segundo ele, como em um momento de crise a competitividade se acentua, pode ser mais vantajoso para as empresas migrarem para o interior e investirem em logística.

"A pandemia trouxe a paralisação de várias operações fabris. O próprio mercado de consumo, dependendo da atividade e diferença de custo somado ao frete, fez o interior ser mais barato para a produção local do que comprar na região central", pontua.

Esse potencial atraiu a ArcelorMittal (ARMT34). A siderúrgica lançou um plano para abrir franquias em cidades do interior, a fim de vender ao consumidor final produtos feitos a partir de aço, como arames, cercas e chapas. Segundo a gerente de Estratégia de Varejo da empresa, Silmara Vernucio, a meta para 2021 é abrir 15 lojas, chegando a 100 endereços em quatro anos.

"As cidades menores contam com um potencial grande de consumo. Para isso, fizemos um estudo em todo o país mapeando população, déficit populacional, entre outros itens. Conseguimos ver a melhor rua e fornecer essas informações ao franqueado interessado em abrir a unidade. Por ser da cidade, ele já conhece a população local e suas necessidades", explica Silmara.

Esse movimento não se restringe apenas às redes multinacionais. A Fábrica de Bolo Vó Alzira também se rendeu aos encantos do interior. De suas 300 lojas, 25% estão em cidades como Miguel Pereira, com quase 26 mil habitantes, no estado do Rio. Segundo André Rodrigues, presidente da empresa, o interior se tornou um local para investimentos conforme as pessoas passaram a ficar mais focadas em qualidade de vida.

Perspectiva de mais crescimento

Para Silvana Buzzi, o cenário para 2021 ainda é bastante desafiador e instável. Contudo, fatores como o avanço do processo de vacinação da população, como também da agenda das reformas em discussão no Congresso Nacional, especialmente a tributária e a administrativa, a implantação das medidas de ajuste fiscal e a facilitação do acesso ao crédito para as micro e pequenas empresas, oferecem uma perspectiva mais positiva para este ano.

"Nesse sentido, a ABF projeta um faturamento 8% maior, 5% mais unidades, 2% em novas redes e uma alta de 5% no número de empregos diretos gerados pelo setor em 2021. Neste processo, a interiorização do franchising certamente terá um papel importante. As franquias têm um duplo papel na economia: formalizam negócios, gerando empregos e impostos, e também são uma opção de renda para profissionais. Elas oferem um modelo de negócio formatado e testado, com supervisão e orientação de um empresário mais experiente, o franqueador", finaliza.

Clique e fale com um especialista VLG Investimentos

Clique e fale com um especialista VLG Investimentos

Podcast +Q1Minuto

Saiba como a modalidade de Crédito Colateralizado tem ganhado cada vez mais espaço através de diversas instituições financeiras com cobranças de juros menores. Ouça o episódio do podcast +Q1Minuto sobre o tema e entenda como a carteira de ativos do investidor pode ser usada como garantia.

No programa, o Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, exemplifica com casos de empresários que usaram a ferramenta para tomar crédito, pagar dívidas e, inclusive, alavancar seus negócios.

Relacionados:

► Falta de crédito compromete desempenho das micro e pequenas empresas durante a pandemia► Sebrae: Empresas endividadas sofrem mais com pandemia

Leia mais: