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Líder ou chefe? Como executar um papel de liderança no trabalho

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Líder ou chefe? Como executar um papel de liderança no trabalho Pixabay
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A liderança é característica fundamental para uma carreira de sucesso. Hoje em dia, o líder é um agente de mudanças, alguém capaz de impactar tanto sua própria realidade quanto a realidade dos outros através do protagonismo e da execução. O Mercado1Minuto conversou com a Patrícia Eloisa Rech, psicóloga e consultora em RH e desenvolvimento, para entender melhor quais são as habilidades necessárias e principais dificuldades para executar a liderança dentro de uma equipe.

Mercado1Minuto: Quais características são mais comuns em líderes? Quais ferramentas são necessárias para ocupar um cargo de liderança?

Patrícia: Estamos passando por um período de transição das características da liderança, pois o mundo é cada dia mais dinâmico, as exigências do mercado diferentes e também as necessidades das pessoas estão mudando. Até um tempo atrás o modelo chamado “Comando e Controle”, que é baseado no estabelecimento e manutenção de poder e controle das pessoas e processos organizacionais, onde quem está na parte de cima da hierarquia de gestão ordena e quem está na parte de baixo obedece, sem questionamentos, funcionava bem, dava resultados. Porém, nos tempos atuais, esse estilo de liderança tem sido questionado e ressignificado, pois a não linearidade do cenário exige uma atuação mais horizontalizada, com a participação mais efetiva das pessoas para o desenvolvimento de ações, soluções de problemas, inovação. Para esse novo modelo de gestão, as características principais do líder são a escuta ativa, empatia, conhecimento da equipe, estimular o trabalho em conjunto e o aprendizado contínuo, reconhecer os profissionais, ser aberto ao novo, e ser resiliente. O profissional que objetiva assumir um cargo de liderança ou o que está nesse papel, mas tem dificuldades com seus resultados deve buscar o desenvolvimento das soft skills citadas acima, e também investir no autoconhecimento e sua inteligência emocional. Além dessas questões vejo que se manter informado e em alinhamento constante com as perspectivas e necessidades do negócio, possibilitando assim conduzir a equipe de acordo os resultados projetados para a empresa.

As mudanças no mercado de trabalho causadas pelo coronavírus mudaram ou adicionaram alguma característica no papel do líder?

Patrícia: Sim, sem dúvida a situação da pandemia trouxe muitos desafios para as empresas, lideranças e profissionais, exigindo adequações de conduções e aprendizados sobre comportamentos que antes não eram tão valorizados. Uma das questões foi a criatividade e flexibilidade para lidar com as equipes em home office, que exigiu dos líderes fortalecimento da confiança, adequação das entregas aos novos ambientes, intensificação de ações para manter o relacionamento e integração das equipes. Outro ponto muito importante que tem se intensificado é a atenção com a saúde mental dos profissionais. Os líderes precisaram olhar para esse tema que antes estava de certa forma esquecido. Com a gravidade da situação vivida, o líder necessitou acompanhar mais de perto como estão os sentimentos, angústias, ansiedades dos profissionais, acolhendo e orientando de acordo cada caso. E um último ponto foi o de intensificar a sua capacidade de adaptação, que sempre foi uma característica importante à liderança, porém, em um cenário de insegurança, bloqueios e necessidades cada dia diferentes, o líder precisou potencializar a sua habilidade de adaptação

Qual a diferença entre ser líder e ser chefe?

Patrícia: O chefe tem sua atuação baseada no comando e controle, na condução mais autoritária, hierárquica, e normalmente não conduz os assuntos de forma transparente, centralizador. Já o líder tem foco colaborativo, inspira a equipe a construir em conjunto, fornece feedbacks construtivos, incentiva o desenvolvimento dos profissionais, é conciliador, comemora partilhando com a equipe. Considero de grande relevância um gestor ter consciência dos estilos de conduções das equipes e alinhá-las de acordo a situação e resultado esperado, pois entendo que em alguns momentos que faz necessária uma condução mais direta e determinada, já em outras há espaço para uma condução mais aberta e colaborativa.

Como um líder pode motivar uma equipe que não acredita no sucesso da empresa?

Patrícia: O caminho nesse caso é investir na escuta, identificação de expectativas da equipe, desejos futuros e de forma clara e transparente esclarecer a linha de condução e objetivos da empresa. Dessa forma, poderá alinhar de forma sensata e criteriosa as escolhas de cada um, levando em consideração desafios, dificuldades, ganhos de cada um dos caminhos. Se os valores e propósito de um profissional estiverem muito distantes dos princípios da empresa, essa relação não terá resultados e não será saudável para ambos. Se, mesmo com esse alinhamento, o profissional não estiver disposto a seguir com os desafios na empresa, a melhor condução será definir ações para a transição desse profissional de comum acordo e de forma madura.

Há alguma desvantagem em ser líder? Quais são os erros mais comuns cometidos por eles?

Patrícia: Como toda atuação, o papel de líder tem suas dificuldades e suas recompensas, vejo que os aspectos de desvantagem estão muito ligados ao perfil do profissional aliado a cultura da empresa onde atua, pois, esses dois elementos podem estar desalinhados, causando frustração no dia a dia. Por muito tempo as empresas promoveram a líderes seus melhores técnicos, sem considerar os aspectos comportamentais e habilidades para lidar com suas equipes. O estilo profissional mais técnico provavelmente verá desvantagem na posição de liderança caso não esteja disposto a investir no seu desenvolvimento comportamental. Dessa forma, vejo que o melhor caminho é o autoconhecimento, saber quais são minhas potencialidades, meus pontos de atenção e meus objetivos de carreira é a chave para assumir postos alinhados com essas questões e evitar desgastes para minha imagem e para a empresa. Assim considero um dos primeiros erros do líder não avaliar seu perfil antes de assumir esse papel. Destaco ainda como pontos de atenção: não escutar e conhecer a equipe, falta de transparência, assumir postura autossuficiente e não investir no desenvolvimento contínuo.

Como o líder deve lidar com conflitos?

Patrícia: Primeiramente precisa reconhecer que o conflito fará parte da rotina. Atuamos com pessoas que tem diferentes vivências, percepções, visões e que trarão aspectos diferenciados para um diálogo e para a solução de uma questão. E isso é ótimo! É com diversidade no seu sentido mais amplo que evoluímos como negócio, como pessoas. Entendida essa questão, o papel do líder na condução de conflitos é de mediador, buscando acolher, entender, direcionar para reflexões e análises de dissolução. Importante frisar que nessa postura mediadora é necessária uma condução a mais neutra e livre de julgamentos possível, possibilitando assim a percepção real da situação e condução imparcial e justa. A partir do líder assumir esse tipo de conduta nas situações de conflito, ele acaba preparando sua equipe para também lidar de forma construtiva com esses momentos e a tendência é que com o passar do tempo a própria equipe conduza as divergências.

Há diferença em ser um líder em empresas em diferentes setores da economia?

Patrícia: Sim, pois os setores da economia acabam atuando também com diferentes públicos e profissionais de acordo seu mercado. E, inclusive, é importante o líder levar em consideração essas características para a efetividade de sua atuação. Por exemplo, um líder que atua com profissionais de operação na construção civil e um líder que atua com profissionais de um escritório de contabilidade precisam ter abordagens diferentes a partir do conhecimento de suas equipes, suas habilidades, necessidades, expectativas alinhando linguagem, condução da rotina, ações de reconhecimento adequadas às suas particularidades.

Como um líder deve reconhecer um erro cometido por ele sem se preocupar em ter a confiança com a sua equipe abalada?

Patrícia: Ainda percebemos no mercado que há uma imagem de líder super herói, isso muito atribuído a postura de comando e controle que se pregava, porém nos tempos atuais o reconhecimento da vulnerabilidade é inclusive uma grande virtude da liderança. Dessa forma, se o líder vem construindo sua relação de confiança com a equipe através de diálogo, transparência, e colaboração o seu erro vai ser acolhido e resolvido de forma conjunta com sua equipe. Caso o líder ainda não tenha esse nível de relação com sua equipe, minha sugestão é tratar o tema de forma transparente e aproveitando para conversar sobre questões relacionadas a vulnerabilidade, adaptabilidade, e cultura de aprendizado, pois os erros farão parte da rotina e, inclusive, em muitas situações, são necessários para o aprendizado e evolução de produtos e processos. O que não se pode é omitir ou insistir no erro, pois essa postura causa uma imagem negativa e de descrédito com a liderança.


Patrícia Eloisa Rech, Liderança, Business Coach

Patrícia Eloisa Rech - Psicóloga, Business Coach, Mentora, Consultora em RH e Desenvolvimento Humano. Bacharel em Psicologia pela Universidade de Caxias do Sul, MBA em Gestão de Pessoas pela Universidade de Caxias do Sul, MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, Formação em Designer Organizacional pela Ornellas Escola de Recursos Humanos, Formação em Mentoria Organizacional pela SBDC, Formação em Life e Executive Coach pelo LineCoaching, Practitioner em PNL pela PNL Way. Professional Agile Coach pelo Agile Institute Brazil.

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