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Bolsa brasileira libera 12 novos BDRs de ETFs para qualquer investidor

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Bolsa brasileira libera 12 novos BDRs de ETFs para qualquer investidor iStock
► ETFs: Cesta de ativos pode ser porta de entrada para a Bolsa► Ampliação do acesso aos BDRs na B3 dobra o número de investidores em 2020; Entenda como funcionam

No ano passado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) alterou as regras para negociações dos BDRs, dando acesso a qualquer investidor brasileiro a recibos que replicam ações, fundos de índice (ETFs) e títulos de dívida no exterior, por exemplo.

Antes, esses produtos eram restritos a apenas investidores qualificados (que possuem mais de R$ 1 milhão aplicados). Você pode saber mais sobre isso clicando aqui!

Para entender todo o processo, é importante que, antes de tudo, você entenda alguns conceitos e acontecimentos. Leia o artigo até o final para encontrar as explicações abaixo.

O que são BDRs?

Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são papéis que representam ações de empresas estrangeiras, mas que são emitidos e negociados no pregão da B3, no Brasil. Isso possibilita o acesso de brasileiros às ações de grandes empresas globais, como Google, Amazon e Disney, por exemplo.

Através desse processo, tornou-se possível investir em dólar indiretamente, já que a conversão dos preços das ações é feita usando como base o valor de negociação do dólar naquele dia.

Por outro lado, o investidor também se expõe às oscilações não só dos papéis, mas da variação cambial. Ao contar com uma orientação séria e especializada, você pode se preparar adequadamente para os possíveis acontecimentos.

Investir em BDRs exige algumas etapas indispensáveis, é o que explicamos no próximo tópico.

BDRs na B3

Para que um BDR seja negociado na Bolsa brasileira, é necessário que uma instituição financeira, chamada de depositária, compre as ações da empresa no exterior.

Além de comprar as ações no exterior, é de responsabilidade dessa instituição garantir que os BDRs estejam lastreados nesses títulos. Dessa forma, ela funciona como uma espécie de intermediária das transações de compra e venda desses papéis.

Para isso, ela deve depositar e bloquear as ações em uma instituição financeira fora do país para fazer a guarda desses títulos, essa instituição é chamada de custodiante.

É importante explicar que investir em BDRs não é a mesma coisa que investir diretamente em ações estrangeiras. Como explicamos no tópico anterior, na verdade, quem compra este ativo investe em títulos emitidos no Brasil com lastro em ativos emitidos fora do país, e que representam os papéis no exterior.

Classificação dos BDRs

Os BDRs são classificados em dois grupos: Patrocinados e Não Patrocinados. Esta classificação tem a ver com a maneira como foram trazidos para serem negociados no mercado brasileiro.

Os Patrocinados têm esse nome porque a empresa emissora das ações no exterior participa diretamente do lançamento dos títulos, contratando uma instituição depositária no Brasil para emitir os BDRs.

Esse tipo de BDR é subdividido em três níveis diferentes: I, II e III. Essa separação é feita de acordo com o tipo de distribuição permitido para cada um e também segundo o volume de informações que devem ser oferecidas aos investidores sobre as empresas emissoras.

Os BDRs Patrocinados Nível I não precisam do registro de companhia na CVM. Só podem ser negociados em mercados de balcão não organizado ou em segmentos especificamente criados para papéis desse tipo na bolsa. Somado a isso, nesse grupo, a instituição depositária precisa replicar, no Brasil, todas as informações que a empresa emissora das ações for obrigada a divulgar em seu país de origem.

Em relação aos BDRs Patrocinados de Nível II e III, a empresa emissora das ações no exterior precisa obter registro na CVM e podem ser negociados no pregão da bolsa ou em balcão organizado, sem a necessidade de integrarem um segmento especificamente criado para eles.

Vale ressaltar que, aqui, as empresas emissoras são obrigadas a seguir as mesmas regras de transparência e governança que as empresas brasileiras registradas na CVM como “Categoria A”, da qual fazem parte as empresas mais conhecidas, por exemplo.

O grupo de BDRs Não Patrocinados, são aqueles em que não há a participação direta da empresa emissora das ações, sendo a própria instituição depositária a responsável pelo lançamento dos certificados. Nesse grupo, todos são sempre considerados de nível I.

Hoje, a maioria dos BDRs disponíveis na B3 são do tipo Não Patrocinados.

Ao criar um programa de BDR Não Patrocinado, a instituição depositária tem como objetivo oferecer mais opções de investimento a seus clientes. Sendo a responsável por divulgar informações da empresa emissora, como balanços e fatos relevantes.

Assim como os BDRs Patrocinados Nível I, os Não Patrocinados podem ser operados por todos os tipos de investidores, cumprindo as condições já mencionadas anteriormente.

Vantagens e desvantagens de investir em BDRs

Uma das principais vantagens é a possibilidade de investir em ativos de cotas listadas no exterior de uma maneira mais fácil e simples. Isso acontece porque ao invés de abrir uma conta em uma corretora estrangeira, fazer uma remessa internacional para só então começar a investir, para operar BDRs basta estar cadastrado em uma instituição brasileira. Não sabe como fazer? Fale com um especialista

Outra grande vantagem é que as operações com BDRs são realizadas em reais, facilitando ainda mais e barateando o processo.

Como desvantagem, podemos citar os possíveis riscos envolvidos. Como os BDRs são investimentos de renda variável, ativos com volatilidade, as cotações se movem de acordo com os resultados e perspectivas das empresas emissoras e também seguindo o mercado dolarizado. Por isso, é importante que você tenha certeza de que seu perfil está alinhado com esse tipo de investimento.

Entenda o que são ETFs

Os Exchange Traded Funds (ETFs) funcionam como uma cesta de ativos financeiros que podem ser de renda variável ou fixa e que, por serem fundos com estratégia passiva, usam como referência algum índice, como o índice Bovespa, por exemplo. Um assessor de investimentos especializado no assunto poderá apresentar todas as possibilidades.

Atualmente, no Brasil, já existe uma série de ETFs referenciados em diferentes índices, como o Índice de Governança Corporativa (IGC), o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e até S&P 500, que reúne as 500 maiores ações dos Estados Unidos.

Por ter uma exposição indireta ao mercado de ações e por possuir uma gestão passiva, investir em ETF pode ser uma boa alternativa para os iniciantes na Bolsa de Valores. O motivo para isso é o fato de as variações serem mais brandas do que para os papéis avulsos.

Normalmente, esse tipo de investimento é recomendado para investidores de perfil moderado e arrojado, mas isso não é uma via de regra. O mais importante é que, antes de investir, você saiba qual é o seu perfil e a sua tolerância a riscos.

Aqui no Brasil, os ETFs não pagam dividendos aos acionistas, o que acontece é que todos os dividendos das empresas que compõem a cesta de ETF são reinvestidos na própria carteira conforme os percentuais de exposição. Já nos Estados Unidos, os ETFs repassam os dividendos aos investidores.

Tipos de ETFs

No mercado global de ETFs, há uma variedade grande de tipos diferentes de ETF. São muito conhecidos os fundos de índices de ações, e só nesse grupo já existem muitas opções: ETFs de índices amplos, segmentados, setoriais, nacionais ou internacionais.

Mas há também fundos de outros tipos de índices, como ETFs de moedas, de commodities ou de papéis de renda fixa. No mercado brasileiro, os ETFs de renda variável são os mais numerosos, mas existem também ETFs de renda fixa, que replicam índices formados por títulos públicos com diferentes prazos médios de vencimento.

Vantagens e pontos de atenção dos ETFs

Entre as principais vantagens, além do baixo risco, está a facilidade para investir e a possibilidade de começar com valores a partir de R$ 100.

Como a sua exposição é indireta, uma grande vantagem é a volatilidade mais baixa, mesmo que uma das ações tenha alta volatilidade, há outra que é mais estável. Então, o todo mantém o equilíbrio.

Além disso, por ser composto por diversos papéis e de segmentos diferentes, temos a possibilidade da diversificação, já que com apenas uma cota você tem acesso a diversas ações.

Outro fator interessante é que todas as documentações são disponibilizadas ao investidor. Portanto, você sabe tudo o que acontece no seu fundo de índice. 

Como ponto de atenção, encontramos a cobrança de uma taxa de administração por parte das gestoras, que podem variar de 0,2% a 2%, e a tributação de Imposto de Renda.

Sobre o IR, no caso dos ETFs de renda variável há uma alíquota fixa de 15% sobre o ganho de capital do investidor com a operação. É importante ressaltar que, ao vender uma cota de ETF, o investidor tem uma retenção de Imposto de Renda direto na fonte, com uma alíquota de 0,005%.

O que são BDRs de ETFs?

Os BDRs de ETFs são valores mobiliários emitidos no Brasil que têm cotas em lastro de ETFs estrangeiros. Para a emissão é necessário que o administrador do ETF no exterior faça um contrato no Brasil com uma instituição depositária como a BlackRock.

Eles se comportam de maneira similar aos BDRs tradicionais, a diferença é que, nesse caso, o investidor está adquirindo um lastro em um ETF e não uma ação estrangeira.

Um investidor, ao adquirir BDR, indiretamente passa a deter cotas de um ETF listado e admitido à negociação em outro país, sem que para isso tenha que abrir uma conta em uma corretora estrangeira nem realizar os trâmites de um investimento internacional. Essa é uma das suas principais vantagens. Para adquiri-los, basta pedir a ajuda de um profissional da área.

Outro ponto positivo é a possibilidade de criar estratégias de investimentos diversificando os ativos locais com ativos estrangeiros.

B3 lança 12 BDRs de ETFs para investidores

Em fevereiro de 2021, o acesso a 11 BDRs lastreados em ETFs internacionais negociados na B3 já havia sido liberado para o público em geral.

Agora, a partir de março, outros 12 BDRs de ETFs geridos pela BlackRock, gestora global de ativos financeiros, estarão disponíveis para o mercado de varejo. Esses ativos replicarão fundos que acompanham índices de bolsas internacionais.

Esse movimento está ligado a estratégia da B3 de tornar os investimentos mais acessíveis a investidores comuns e ao esforço para aumentar o número de fundos passivos para o investidor pessoa física.

Os fundos passivos, ou indexados, têm como objetivo replicar o desempenho de um respectivo benchmark (índice de referência). Portanto, o principal papel do gestor é seguir o parâmetro escolhido como referência.

Os novos papéis incluem exposições a setores pouco representados no mercado brasileiro, como tecnologia, saúde e biotecnologia, assim como opções de ETFs de ações europeias, de mercados emergentes e uma estratégia ESG. Confira a lista completa ao final deste artigo.

Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3, afirma que:

"Os BDRs de ETFs complementam as carteiras dos investidores, dando, além de exposição a diferentes setores, diversificação de moedas, o que torna a carteira do investidor de varejo mais robusta”. 

A importância de colocar parte das aplicações atrelada a ativos que estão no exterior está justamente na possibilidade de diversificação da carteira na busca de proteger os investimentos dentro de um cenário de incertezas político-econômicas do Brasil.

Atualmente, o país é um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus, e o Real foi uma das moedas mais desvalorizadas nos últimos dois anos. A dívida pública só aumentou durante esse processo, e ainda temos a aproximação das próximas eleições presidenciais que aumentam ainda mais as variáveis de possibilidades no cenário brasileiro. No podcast +Q1Minuto aprofundamos esses pontos e você pode ouvir a íntegra do episódio clicando aqui.

Com esses 12 novos lançamentos, a Bolsa de Valores brasileira chega ao total de 23 ETFs disponíveis para o investidor individual. Para saber quais são, procure uma assessoria confiável.

Por serem transações realizadas na Bolsa de Valores brasileira, o investidor compra e vende os BDRs na B3 com valores em real, sem a necessidade de fazer aplicações em dólar. O que acaba sendo uma oportunidade pertinente para brasileiros que buscam minimizar riscos políticos e econômicos enfrentados pelo país.

Mas fique atento: BDRs não contam com a isenção de vendas abaixo dos R$ 20 mil, como ocorrem com as ações brasileiras negociadas na B3.

Uma forma de proteger os seus investimentos é optar por trocar alguns ativos brasileiros por ativos estrangeiros, fugindo da desvalorização do real. Ter o acompanhamento de um profissional da área é extremamente importante para você ter uma orientação sobre como proceder.

O presidente da BlackRock no Brasil, Carlos Takahashi, destaca como vantagens a simplicidade na operação e o baixo custo, que varia de acordo com a taxa de administração do ETF, entre 0,03% a 0,50%.

Outro grande atrativo pelos BDRs de ETFs é a oportunidade de diversificação geográfica, já que entre os 12 BDRs disponíveis para a pessoa física, estão ETFs que investem em ações da Alemanha, do Reino Unido e dos Estados Unidos.

O Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, explica:

"Brasileiros que fazem aplicações em BDRs têm os mesmos direitos de recebimentos que os acionistas nos EUA: dividendos e bonificações de ações. Esses dois proventos são exatamente iguais ao que teriam se tivessem comprado diretamente ações lá fora. A pessoa tem os mesmos direitos se abrir uma conta numa corretora americana e comprar ações da Apple, por exemplo, ou decidir comprar BDRs da Apple por aqui no Brasil".

Vale ressaltar que quem adquire esses certificados também tem direito aos dividendos distribuídos pela companhia lá fora (mas não são todas que pagam dividendos). Você deve considerar que, diferentemente da legislação brasileira, os dividendos distribuídos pelas empresas nos EUA são tributados.

É relevante destacar que ter parte do patrimônio alocado nestes ativos também é uma forma indireta de fazer investimentos atrelados ao dólar. A conversão dos preços das ações é feita usando como base a Ptax (taxa de câmbio diária referência para o dólar). Portanto, o investidor fica exposto aos riscos da própria ação e do mercado americano, além do risco cambial.

O que fortalece ainda mais a importância de ter o suporte de um profissional com conhecimento específico da área.

Confira a lista dos novos BDRs de ETF para pessoa física:

12 novos ETFs

Fonte: B3 e BlackRock

Não deixe de procurar pela ajuda de um especialista para que tudo saia da forma correta.

E se você ainda ficou com alguma dúvida, ouça a explicação feita pelo Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, no podcast +Q1Minuto sobre “BDRs de ETFs ajudam a diversificar investimentos em saúde, biotecnologia, ESG e emergentes asiáticos”. Já disponível no Spotify e Apple Podcasts ou clicando abaixo:

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