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Como as empresas já utilizam Inteligência Artificial em sua rotina?

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Como as empresas já utilizam Inteligência Artificial em sua rotina? Pixabay
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Um report realizado pelo Distrito Dataminer aponta que muito em breve não será possível distinguir entre startups que utilizam tecnologia como diferencial dos negócios. Isso acontece porque a Inteligência Artificial (IA) deixará de ser algo exclusivo, se tornando a regra.

A Inteligência Artificial pode se apresentar através do aprendizado de máquinas - ou Machine Learning - que traduz a capacidade de um computador em aprender a analisar dados, identificar padrões e, assim, fazer previsões sobre o comportamento; Deep Learning - que também é um aprendizado de máquina, porém de maneira iterativa; Processamento Natural de Linguagem - campo que cobre a interação entre computador e linguagem humana, permitindo que a máquina analise textos; e Visão Computacional - que permite que computadores tirem informações relevantes de imagens, vídeos e outros elementos visuais.

"Tradicionalmente, tecnologias orientadas a dados ajudam empresas a se tornarem mais eficientes e, cada vez mais, nós observamos que o uso de Inteligência Artificial permite que indivíduos se libertem de atividades do dia a dia para se dedicarem a tarefas de maior valor com o objetivo de mitigar riscos e aumentar a lucratividade dos negócios", afirmou Ricardo Santanna, sócio-líder da Lighthouse para Analytics, Inteligência Artificial e Automação da KPMG no Brasil, em entrevista ao Distrito Dataminer.

Um exemplo recente de uso de tecnologia para o desenvolvimento de empresas foi o anúncio da Minerva Foods (BEEF3), que pretende utilizar de Inteligência Artificial para zerar o saldo de emissão de carbono até 2035. Para vigiar o processo, a companhia disse que irá integrar a ferramenta Visipec a seu sistema de monitoramento geográfico para a Amazônia, que proporciona uma avaliação de riscos relacionados às fazendas fornecedoras indiretas. A ferramenta foi desenvolvida pela Universidade de Wisconsin (Estados Unidos) em parceria com a National Wildlife Federation (NWF).

“Os criadores do Visipec desenvolveram um software de avaliação que se baseia nas emissões de GTAs e em suas ligações”, disse Taciano Custódio, diretor de Sustentabilidade da Minerva Foods, durante um evento promovido pela Global Roundtable for Sustainable Beef.

GTA é a sigla para Guia de Trânsito Animal, um documento oficial e obrigatório no transporte de animais no país. Na GTA deve constar, entre outras informações, a finalidade do transporte, as condições sanitárias, a origem e o destino do animal. O Ministério da Agricultura obriga a emissão do GTA em qualquer movimento de animais – até mesmo os de estimação, como cachorros ou gatos.

O Grupo Bosch, que está há 67 anos no Brasil, é líder no fornecimento de tecnologia de serviços para Soluções para Mobilidade, Tecnologia Industrial, Bens de Consumo e Energia, e Tecnologia Predial. Atualmente, ela está entre as 20 empresas globais em pesquisa de IA e as principais áreas de atuação são: manufatura, engenharia, mobilidade, segurança, serviços, agronegócio, mineração e logística.

"O primeiro projeto com o uso de IA na América Latina foi na intra-startup Livestock, que iniciou suas atividades em 2016, resultando na criação da Plataforma Bosch de Pecuária e Precisão (2017), que é comercializada pela Bosch Soluções Integradas Brasil. É por meio da IA, com dados coletados, que coisas conectadas se tornam inteligentes", ressaltam Jefferson Simoni, Head of Innovation for IoT & Digitalization and Connectory Strategy in Latin Amerina, e Sidney Silva, Head of PoC Factory Engineering for Latin America da Bosch.

Essa tecnologia pode ser utilizada também em diversos outros setores, Armando Buchina, CEO da Pixeon, uma das maiores empresas brasileiras de tecnologia e inovação para saúde, destaca a importância do movimento para essa área:

"O uso de IA e robôs é uma das grandes tendências para a disrupção no setor, com benefícios tanto para os pacientes, quanto para os profissionais da área. Algoritmos inteligentes ampliarão o potencial e a capacidade dos profissionais, otimizando o atendimento aos pacientes e, indo mais além, ajudarão a acelerar diagnósticos e tratamentos", afirma Buchina.

As Startups de Mais Destaque

O estudo destaca o top 10 startups no Brasil de IA, são elas:

  • Cortex
  • Clearsale
  • Unico
  • Take Blip
  • Neoway
  • Zenvia
  • Revelo
  • Semantix
  • Solinftec
  • RD Station

Nenhum dos unicórnios brasileiros pode ser considerado uma empresa de Inteligência Artificial, porém essas companhias têm feito o uso dessa tecnologia de forma cada vez mais constante para melhorar a eficiência, segurança e qualidade dos serviços que prestam.

As gigantes brasileiras do mercado imobiliário, como a Loft e o Quinto Andar, utilizam de IA como diferencial de negócios fundamental para a sua atuação. Assim, elas conseguem precificar automaticamente e garantir mais transparênncia e assertividade no processo de locação e/ou venda. Já o setor financeiro, que conta com a Stone, Nubank e Ebanx, utiliza essa tecnologia em diversas áreas de suas operações, como chatbots para relacionamentos com clientes, avaliação automática de crédito, cibersegurança e outros.

Foram investidos US$ 839 milhões em startups brasileiras de IA entre 2012 e 2020. O destaque vai para os anos de 2019 e 2020 que superaram os somatórios dos anos anteriores. Entre as maiores rodadas estão a da Unico - que oferece soluções de biometria facial e admissão digital, que arrecadou US$ 109 milhões do General Atlantic e do Softbank em 2020, e da Take Blip - empresa da chatbot, com US$ 100 milhões investidos pela Warburg Pincus.

Características da empresas

A análise voltada para o setor mostra que tem-se uma concentração de startups oferecendo IA para a Saúde e Biotecnologia. Em seguida, estão as companhias de RH e Gestão Pessoal, Agricultura e Comida, e Indústria. Entre as que menos utilizam esse serviço estão Educação, Imobiliário, Riscos e Preservação Ambiental, que possuem grande oportunidade de crescimento.

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No Brasil, grande parte dessas companhias estão na região Sudeste (70%), seguindo do Sul (22%), Nordeste, Centro-Oeste e Norte, que juntas representam apenas 8%. Ou seja, o eixo Sul-Sudeste fica com mais de 90% das startups de Inteligência Artificial do país. No geral, observa-se um boom de fundação de startups de IA a partir de 2012, mas foi sobretudo entre 2016 e 2017 que o país registrou o maior número de fundações.

A maioria das startups de IA tem até, no máximo, 50 funcionários, o que mostra que há um predomínio de pequenos negócios.

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Fonte: Distrito Dataminer

Uma outra pesquisa realizada pelo Distrito Dataminer mostra que a presença de mulheres na fundação dessas empresas é baixíssima. Nas empresas de IA isso não muda. Entretanto, é possível identificar algumas iniciativas dentro desse ecossistema brasileiro que buscam incentivar a participação feminina nas carreiras de tecnologia, como o coletivo Mulheres em IA e o hub de informação BlackRocks Startups.

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

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