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A carteira de ações do Warren Buffett pode servir como guia para investidores brasileiros?

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A carteira de ações do Warren Buffett pode servir como guia para investidores brasileiros? MarketsInsider | BI
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Faz uma semana que a Berkshire Hathaway, empresa do megainvestidor Warren Buffett, divulgou o seu portfólio de ações - referente ao quarto trimestre de 2020. Durante a conferência anual da gestora Berkshire, realizada online este ano por conta da pandemia, mais de 30 mil acionistas acompanharam ao vivo a apresentação do bilionário americano.

Buffett afirmou que continua atento a oportunidades para grandes aquisições. O fundador do conglomerado norte-americano ressaltou que gosta de ter em caixa um montante expressivo entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões livres, para o caso de alguma negociação de "emergência".

A Berkshire apresentou algumas mudanças em sua carteira de ações, incluindo a entrada de empresas como Verizon (VERZ34) e Chevron (CHVX34) e a diminuição na participação da Apple (AAPL34).

O CEO da Berkshire chegou a dizer que a sua decisão de vender parte das suas ações da Apple no quarto trimestre do ano passado "provavelmente foi um erro". Segundo Buffett, no atual cenário de juros baixos americanos, papéis de grandes empresas de tecnologia são "barganhas" e estão devidamente avaliados.

"Se os níveis das taxas de juros atuais são os apropriados, então essas ações, mesmo nos preços atuais, são barganhas, pois tem a capacidade de geração de caixa que títulos governamentais hoje não têm", opinou Warren Buffett, durante sua reunião com investidores.

Aquisições da Berkshire até o 4T20:

  • Compra de mais de 48 milhões de ações da Chevron, no valor de US$ 4,1 bilhões.
  • Entrada de 146,7 milhões de ações da Verizon, no valor total de US$ 8,6 bilhões,
  • Compra de US$ 499 milhões em ações da Marsh & McClennan, empresa de corretagem de seguros e gerenciamento de riscos.
  • Aumento de sua participação na Merck em 28%, além da ampliação da posição em Bristol-Myers Squibb e AbbVie.
  • Elevação da parcela da varejista Kroger em 34% na carteira, chegando a 33,5 milhões de ações.
  • Aumento de sua posição na mineradora Barrick Gold.

A Berkshire também manteve, no fim do 4T20, suas participações no Bank of America, DaVita, Kraft Heinz, American Express, Coca-Cola, U.S. Bancorp, Moody's e Bank of New York Mellon.

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Como aproveitar a estratégia de Buffett

Uma possibilidade para o investidor brasileiro que deseja acompanhar às escolhas de Warren Buffett é comprar as ações da própria Berkshire Hathaway (BERK34) na bolsa americana ou seus BDRs (recibos de ações de empresas internacionais) negociados aqui na bolsa brasileira (B3).

"É recomendável sim que o investidor brasileiro tenha uma parte relevante de sua carteira alocada em BDRs. Assim, estará exposto a uma dinâmica econômica crescente, a pouco ruído político e as empresas que mais crescem no mundo. Não faz sentido os investidores deixarem de aproveitar esses fatores. O brasileiro pode, inclusive, comprar BDR da própria Berkshire Hathaway. Pode ser bastante interessante, visto o histórico de sucesso de performance da carteira do Buffett", explica o Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane.

Outra possibilidade de ganho com os BDRs é através da valorização do dólar americano frente ao real, por conta de serem ativos alocados nos EUA.

"É importante não ficar olhando apenas a volatilidade dos ativos dolarizados de um dia para o outro. O mais relevante é ter um olhar a longo prazo. No entanto, investir parte da carteira em ativos dolarizados acaba sendo uma maneira do brasileiro proteger o seu patrimônio", afirma Rodrigo Rosário, Head da Mesa de Renda Variável da VLG Investimentos.

Segundo dados divulgados pela bolsa de valores brasileira (B3), o número de contas de investidores pessoas físicas cadastrados chegou a 3.229.318 ao fim do ano passado. São números recordes, para o cenário do mercado de capitais brasileiro, mas evidencia que apenas 3% da população investe em ações. Países como Estados Unidos e Japão essa porcentagem chega a 55% e 45% da população, respectivamente.

"A economia americana é muito mais robusta. A bolsa de valores nos EUA tem centenas de anos. Se olharmos o número de investidores na B3 aqui no Brasil, mais de 3 milhões de pessoas, comparado ao total da população brasileira, ainda é realmente uma porcentagem muito pequena", completa Rodrigo Rosário.

Ampliação dos BDRs

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) alterou, desde outubro do ano passado, as regras para negociações dos BDRs, dando acesso a qualquer investidor brasileiro a recibos que replicam ações, fundos de índice (ETFs) e títulos de dívida no exterior, por exemplo.

Leonardo Milane aponta como algumas das vantagens a possibilidade de diversificação do portfólio com ativos atrelados ao dólar e a facilidade de investir sem ter que enviar dinheiro para o exterior.

"Brasileiros que fazem aplicações em BDRs têm os mesmos direitos de recebimentos que os acionistas nos EUA: dividendos e bonificações de ações. Esses dois proventos são exatamente iguais ao que teriam se tivessem comprado diretamente ações lá fora. A pessoa tem os mesmos direitos se abrir uma conta numa corretora americana e comprar ações da Apple, por exemplo, ou decidir comprar BDRs da Apple por aqui no Brasil", destaca o Sócio e Economista da VLG Investimentos.

A ampliação do acesso aos BDRs na bolsa brasileira (B3) e a possibilidade diversificar os investimentos através de ativos focados em setores como saúde, biotecnologia, ESG e emergentes asiáticos foi tema de um dos episódios do podcast +Q1Minuto e pode ser ouvido diretamente abaixo:

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