clique para ir para a página principal

Existe uma idade ideal para comprar um imóvel?

Atualizado em -

Existe uma idade ideal para comprar um imóvel? Envato
► O que são e como funcionam os fundos imobiliários?► Financiamento imobiliário deve crescer em 2021, mas terá últimos meses de juros baixos

À primeira vista, a resposta para essa pergunta é não. Entretanto, muitos fatores devem ser levados em consideração para a compra de um imóvel. Para realizar essa análise, deve-se levar em consideração uma idade mínima e uma idade máxima. Isso acontece porque, para a maioria dos brasileiros, o plano é financiar pelo menos uma parte do valor, já que esse não é um tipo de aquisição que muitos têm condição de fazer à vista.

"A pessoa tem que ter muito claro se ela está procurando comprar um imóvel como uma decisão de consumo ou como uma decisão de investimento porque, em cada um desses casos, ela vai buscar maximizar um aspecto diferente. Se for uma decisão de consumo, ela vai buscar maximizar seu bem-estar, se for uma decisão de investimento, ela quer saber por quanto ele vai alugado, se vai valorizar ou se está em uma região que tem boas perspectivas", afirma Gabriel Henrique, especialista em Fundos Imobiliários da VLG Investimentos.

Para um financiamento desse porte, é importante levar em consideração que é necessário um bom planejamento para evitar quaisquer problemas no futuro. Recomendamos que você leia nosso artigo sobre como a organização financeira pode auxiliar no planejamento da sua independência econômica caso queira saber mais sobre planejamento financeiro. E fique de olho no nosso podcast Hora de Planejar, que apresenta ferramentas para organizar gastos, melhorar a saúde financeira e investir no planejamento do seu futuro.

"Existem meios mais rápidos e mais demorados para comprar imóveis e todas as idade podem usar dos dois. O mais rápido e mais caro é o financiamento imobiliário, uma vez que, você adquire o imóvel na hora, porém os juros compostos do financiamento atuarão contra você no longo prazo. O mais barato e demorado é poupar e comprar à vista, já que, tratando-se de um imóvel do mesmo valor, o aluguel, em geral, é mais barato do que a parcela do financiamento. Isso acontece porque o valor do aluguel é geralmente mais barato que o aluguel do dinheiro", continua.

Alguns fatores devem ser levados em consideração para um financiamento como juros, tarifas e também seguros obrigatórios. Um seguro que merece destaque é o de Morte ou Invalidez Permanente, conhecido como MIP. Ele tende a aumentar de valor quanto mais velho for o comprador, porque os seguros entendem que, com o passar dos anos, há um maior risco de o indivíduo adoecer, tornar-se incapaz ou até falecer.

Um outro fator limitante é a regra que exige que o financiamento seja quitado até a idade máxima de 80 anos e seis meses de quem compra o imóvel. Esses dois pontos colocam uma idade máxima. Por exemplo, caso o comprador tenha 60 anos, só poderá financiar o imóvel pelo período de 20 anos e seis meses, não podendo utilizar de um prazo maior. Em algumas simulações, os seguros acabam se tornando 600% mais caros quando a comparação é feita entre um comprador de 50 anos e um de 20 anos de idade.

"Uma alternativa entre poupar e comprar à vista é o consórcio. Você não recebe o imóvel de imediato, mas geralmente costuma ser mais rápido do que esperar ter todo o valor para comprar à vista", aponta o especialista da VLG Investimentos.

Um ponto de destaque é: quanto menor o prazo de financiamento, menos juros você paga ao fim do contrato. Como os juros incidem sobre o saldo devedor, vale também o destaque para o dinheiro que será dado de entrada, o que nos leva para a limitação da idade mínima. Quanto maior for a quantidade que será utilizada para dar a entrada do imóvel, menor serão os juros. Por isso, é importante também esperar um maior acumulo do valor inicial.

Atualmente, é possível financiar a casa própria a partir dos 18 anos, desde que a pessoa possa comprovar a renda mínima necessária para o valor do imóvel. Entretanto, uma pesquisa feita pela Imobiliária Lopes, em São Paulo, aponta que o brasileiro adquire seu primeiro imóvel, em média, aos 32 anos.

O destaque aqui vai para a renda do indivíduo que queira adquirir esse imóvel. A quantidade disponível para empréstimo será estipulada de forma que as parcelas não ultrapassem 30% da renda bruta do comprador. Como, geralmente, no início da vida profissional, ainda não há uma consolidação financeira e a renda é menor, esse é um fator que deve ser levado em consideração.

A conclusão é que a melhor idade para adquirir um imóvel é aquela em que o indivíduo consiga equilíbrio entre o valor de entrada e a idade. Já que, quanto mais velho, mais caro o seguro e mais renda precisa ter, pois as parcelas se tornam mais caras. Enquanto mais novo, menor a renda disponível para custear o financiamento.

Adquirir imóvel x Fundos Imobiliários

Caso a aquisição do imóvel seja com o objetivo de alcançar rentabilidade e segurança em um investimento, há uma discussão se a melhor escolha é concluir essa compra ou investir o valor em Fundos Imobiliários (FIIs). Os FIIs são formados por um condomínio fechado de investidores que querem aplicar seus recursos em empreendimentos imobiliários, como na construção de prédios ou em imóveis já prontos, como edifícios comerciais, shopping centers e hospitais.

Explicando de uma forma mais simples, cada investidor detém uma parcela do fundo proporcional ao montante que aplicou. Na prática, ele passa a ser dono de parte de um ou vários imóveis. E essa é uma das principais vantagens deste tipo de ativo. Com um capital menor do que seria necessário para comprar o imóvel físico, o investidor pode adquirir cotas correspondentes a uma fração do imóvel e ainda diversificar com a compra de papéis de vários condomínios.

"A partir de R$ 100 é possível comprar uma cota para investir em imóveis. Também tem a liquidez: se você tem diversas cotas, você pode vender parte delas e recuperar uma parcela do valor investido. Ao adquirir um imóvel, você não pode vender uma sala ou um banheiro, por exemplo. Em geral, os Fundos Imobiliários trazem maior rentabilidade em comparação com a média dos aluguéis praticados no mercado, além de isenção de Imposto e Renda nos proventos", conclui Gabriel Henrique.

Além da vantagem do baixo custo (em relação ao imóvel concreto), podemos citar a rapidez, a eliminação de burocracias e o fato de que você não tem que se preocupar com a gestão dos imóveis, só com a gestão da carteira. Ao escolher fazer aportes em FIIs você decide quando e no que investir, sem se preocupar com inquilinos, cartórios, imobiliárias, manutenções, cobranças.

Para quem prefere comprar um imóvel, as vantagens são, além da autonomia de escolher a região e o perfil da propriedade, fazer dela o que bem entender, com todos os prós e contras que a decisão solitária possa despertar. O momento também se mostra propício para o investimento, tendo em vista que a taxa básica de juros (Selic) está baixa, o que reduz, ainda que não na mesma proporção, o custo do financiamento imobiliário.

Relacionados:

► O que são e como funcionam os fundos imobiliários?► Financiamento imobiliário deve crescer em 2021, mas terá últimos meses de juros baixos

Leia mais: