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Evolução da carreira bancária

Coluna de

Alexandre Pacheco

Atualizado em -

Evolução da carreira bancária Envato
► Bancos reduzem agências físicas e empregos no caminho para a digitalização ► Total de agentes autônomos no Brasil se aproxima de 15 mil

Bancário, profissional, comprometido, disciplinado, tem um papel importantíssimo no resultado das instituições financeiras, é ele quem cria o relacionamento com os clientes, agregando valor para os bancos, na comercialização de produtos e serviços que os bancos oferecem. Falo de produtos e serviços extremamente importantes para sociedade, serviços e produtos de grande necessidade, oportunidade para antecipar sonhos, gerar empregos, etc. Ao longo dos anos, vem mudando bastante o modelo de atuação, sobretudo com avanço da tecnologia, o bancário precisa cada vez mais buscar qualificações, aprimorar e desenvolver novas habilidades. A clientela se qualificou e o bancário precisa estar alinhado às expectativas dos clientes, apenas o conhecimento de técnicas de vendas não é o suficiente para garantir sua posição atual.

Bancos estão cada vez mais voltados para modelos digitais dos clientes e prospects, da nova maneira de consumir diversos produtos e serviços, com significativa redução de interação presencial, mas isto não ocorre somente nos bancos, já é realidade em diversos setores, não é um desafio exclusivo do bancário, e, mais uma vez, o “mercado” é soberano, ele dita as regras.

2 - Estamos em um momento onde o cliente possui acesso fácil a informações, algumas vezes sabendo mais do que o próprio bancário, inúmeras plataformas orientando sobre educação financeira, alguns nomes importantes estão fazendo história, entregando algo valioso para sociedade em geral. Por outro lado, existem aqueles que leem apenas o título dos artigos e já se intitulam especialistas nos mais diversos temas.

3 - Penso também que o currículo extenso, repleto de certificações, é importantíssimo na carreira de qualquer profissional, porém para o Gerente Comercial ou qualquer cargo dentro de um banco há uma característica imprescindível para determinar o sucesso, a EMPATIA, identificar e sentir a dor do cliente, assim terá mais chance de “curar” e criar uma relação de valor, blindando os inúmeros assédios de concorrentes.

4 - Percebemos uma diminuição na quantidade de agências bancárias e redução na quantidade de profissionais, motivados pela digitalização dos processos. Por outro lado há uma novos investimentos no interior do país. Entendo que estes profissionais estão no mercado de trabalho, empreendendo, atuando como gestores financeiros de importantes empresas, utilizando a experiência para fortalecer as fintechs que vem ganhando espaço neste mercado. Isso não significa que o Banco perdeu o interesse pelo profissional, em muitos casos há o entendimento que estamos no início de um movimento, que já é realidade lá fora e o bancário decide se “antecipar” a algo que talvez seja inevitável.

Nos últimos anos, percebemos uma migração para corretoras, que é um modelo extremamente assertivo, inclusive grandes bancos fizeram investimentos em corretoras, apesar de terem condições de ofertar os produtos “dentro de casa” fica claro o quanto o modelo é assertivo e rentável. As corretoras mantêm um ritmo acelerado de crescimento com nível elevado de satisfação dos clientes (NPS) e muito deste resultado é conquistado por ex-bancários. Para mim, fica claro a importância desse profissional, que se reinventa se adaptando às necessidades do mercado. Neste modelo, o AAI fica focado no objetivo do cliente naquele negócio específico, fica longe das operações rotineiras do dia a dia, não cuida de diversos produtos para o mesmo cliente, se concentra em entregar o resultado combinado, enquanto o bancário convencional cuida de vários produtos e serviços, até porque é necessário, trata-se de produtos de grande necessidade que historicamente entrega para sociedade.

5 - Penso que um dos motivos da diminuição da quantidade de agências bancárias é o elevado custo. Podemos observar diariamente nas ruas, normalmente as agências bancárias estão instaladas em belos prédios, algumas vezes utilizam dois andares, em locais de grande fluxo de pessoas, diversas lojas para compor uma agência bancária em locais de grande visibilidade. No meu ponto de vista faz sentido, por enquanto os bancos precisam entregar uma boa estrutura física para o cliente, ele precisa ter um bom acesso, tudo isso faz parte do conjunto de oferta para garantir a qualidade de serviço prestado pelos bancos, ocorre que isso tudo custa muito caro.

6 - Já no modelo que estamos construindo, temos o privilégio de atender os clientes, através das instituições financeiras (Bancos, Fintechs, Fundos, etc..) que são nossos grandes parceiros, com uma estrutura extremamente enxuta, onde o banco reduz suas despesas fixas, sem se preocupar com passivo trabalhista, aluguéis caríssimos, gestão de pessoas, entre outras responsabilidades do modelo convencional.

Temos intensificado nosso trabalho de prospecção, mantendo a proximidade com os clientes, sobretudo na região Centro-Oeste.

Percebo que temos apresentado o Centro-Oeste para o Mercado Financeiro, diferente do eixo Rio/SP. Temos tratado de negócios de volumes expressivos para grupos empresariais locais até então desconhecidos por parceiros importantes, que desconheciam o potencial da região, isso nos traz uma grande satisfação pelo que fizemos até aqui, que considero uma evolução no mercado financeiro.

Eu sou ex-bancário, fiz este movimento, porque o modelo convencional vem se desgastando ao longo do tempo, estava no mercado bancário há mais de 20 anos e com exceção da maneira de contratar produtos e serviços, o dia a dia não mudou muito, a tecnologia chegou e vem facilitando a vida de todos.

Para o segmento de Pessoa Jurídica, não percebo tanta evolução, o cliente ainda precisa do profissional para atender suas demandas, para apresentar o cliente para o banco, apresentando para áreas de crédito, Mercado de Capitais, Especialistas em determinados produtos, ainda há necessidade do envolvimento humano, o bancário tem o relacionamento no mercado, é ele que faz as reuniões, se aprofunda no números e estratégias do grupo empresarial, faz as visitas, vai no “chão da fábrica”. O mercado ainda não sinaliza uma substituição total deste profissional, quanto às Demonstrações Financeiras de uma empresa pode ser simples colocar em um sistema e gerar um relatório com parecer, mas, de novo, será necessário um especialista da área de risco para entender as particularidades de cada caso.

Penso que os bancos precisam de pessoas para seguir crescendo, evoluindo e contribuindo para a prosperidade da sociedade como um todo, não há uma finalização de negócios expressivos sem que ocorra diversas reuniões entre pessoas.

Isto é necessário para entrega de valor ao cliente e resultado para os acionistas.

O que vejo é uma oportunidade importante, para os profissionais que querem entrar neste modelo, em poucos meses consigo perceber como nosso modelo de negócio, aqui na VLG Corporate®, é bem visto e aceito no mercado, temos parcerias com mais de 10 instituições, estamos desfrutando de um momento de sucesso nas interações onde aproximamos o cliente das instituições e do Mercado de Capitais. Acredito que é um modelo que veio para ficar, porém não penso que será o único modelo, vejo o modelo convencional voando e entendo que os dois irão conviver de forma pacífica, bancos são organizações extremamente preparadas para seguir inovando e em crescimento. As Fintechs vêm conseguindo ganhar espaço e conquistando clientes que estavam em bancos e alguns que nem tiveram a oportunidade de conhecer o modelo convencional, ou até mesmo para empresas como a nossa que opera com uma velocidade diferente, mas que muitas vezes o resultado é dividido com os bancos. A gente olha especificamente para o negócio que estamos tratando e o dia a dia, as operações rotineiras continuam com os bancos, que fazem isso muito bem, atendendo as necessidades e superando as expectativas do clientes com soluções inovadoras, que fazem com que o empresário ganhe tempo para se dedicar a sua empresa, facilitando a vida do empresário, não vejo como isso deixaria de existir.

7 - O profissional bancário não é vítima da evolução tecnológica, essa evolução ocorre em todos os setores. Recentemente pude olhar de perto como uma máquina no campo substitui dezenas de operários, mas fiquei surpreso ao visitar um produtor de alho e me deparei com um grande galpão onde haviam dezenas de mulheres tratando o alho com muita delicadeza. Curioso, perguntei o que era aquilo e, então, entendi que ainda não temos tecnologia, ao menos uma tecnologia acessível, que possa substituir as mão delicadas das mulheres. Este produto, o alho, precisa ser tratado com cuidado, caso contrário não será atrativo nas gôndolas dos supermercado e perderá seu valor comercial.

Há espaço para todos que querem acompanhar a evolução natural das coisas.

7.1 - No meu ponto de vista o futuro da carreira dos bancários é igual ao futuro de qualquer outra profissão. É imprescindível a dedicação em novas habilidades, o que dava certo há 10 anos talvez não seja o suficiente para se manter no emprego. E sim, há outras oportunidades de se manter ativo no mercado, gerando valor para os clientes sem a necessidade de atuar no modelo convencional, porém, se não se reinventar, sem dedicação, disciplina, capacitação, o profissional vai perdendo valor no mercado. O problema não é a empresa, não é o banco…

Estamos em um oceano de oportunidade para este setor, a relação Crédito x PIB se aproxima de 55%, enquanto nos países desenvolvidos supera 150%.

Não tem tempo para o seu autodesenvolvimento?

  • Você faz seus treinos na academia ou na rua ouvindo música? Ou escuta podcast para aperfeiçoar alguma habilidade ou criar uma nova?

  • Assiste séries após o expediente ou se dedica a leitura de um novo livro?

  • Consegue acordar uns minutos mais cedo, para se dedicar ao aperfeiçoamento de uma nova língua, por exemplo, ou ao acordar vai direto para redes sociais?

  • Seu crescimento profissional é o resultado de suas escolhas diárias.

  • O futuro da carreira bancária está exatamente nas mãos dos bancários, nas decisões que ele toma a cada minuto do dia, no sacrifício que ele fez ou deixou de fazer…

Alexandre Pacheco é Head da VLG Corporate®.

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