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A fuga das multinacionais: confira as empresas que deixaram o Brasil recentemente

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A fuga das multinacionais: confira as empresas que deixaram o Brasil recentemente Pexels
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Em janeiro deste ano, a Ford anunciou o fechamento de todas as fábricas no Brasil e o encerramento da produção no país. Em 2019, a companhia já tinha parado a produção na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), que foi vendida para a Construtora São José. De agora em diante, a empresa atuará como importadora, comercializando produtos originários de Argentina, Uruguai, China e Estados Unidos. O fechamento das fábricas da empresa resultou na perda de aproximadamente 5 mil empregos diretos.

Desde 2019, pelo menos 13 multinacionais de diversos setores deixaram o Brasil. Esse movimento agravou o desemprego no país, que atualmente atinge 14,4 milhões de brasileiros, de acordo com dados divulgados pelo IBGE sobre o trimestre encerrado em fevereiro.

Os motivos para permanecer no Brasil são menores do que os para sair. A grande maioria dessas empresas estrangeiras afirmou estar fugindo dos riscos da economia brasileira, instabilidade política e jurídica e do “Custo Brasil”, que está cada dia mais alto. Os empresários reclamam dos altos custos de produção, alta carga tributária e ausência de reformas, como a Reforma Tributária e a Administrativa. Em 2020, mais de 5 mil indústrias fecharam as portas, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

Além disso, muitas das empresas que estão deixando o país destacam que o fazem por total desinteresse no mercado com consumidores de renda mais baixa, preferindo países com desenvolvimento mais acelerado.

Abaixo, listaremos multinacionais famosas que deixaram o Brasil recentemente:

Mercedes-Benz

Em dezembro de 2020, a empresa alemã anunciou o fechamento da única unidade da marca no Brasil voltada à produção de automóveis leves. De acordo com a empresa, o principal motivo foi o agravamento econômico causado pela pandemia do Covid-19.

A fábrica, localizada em Limeira (SP) contava com 370 funcionários. Ela começou a operar em 2016, ajudada por benefícios fiscais do programa municipal Prodesenvolve, que oferecia reembolso dos aportes, além da isenção do ISSQN, IPTU e restituição de 50% do valor.

“A situação econômica no Brasil tem sido difícil por muitos anos e se agravou devido à pandemia da Covid-19, causando uma queda significativa nas vendas de automóveis premium. […] Aumentar nossa eficiência, otimizando a nossa capacidade de utilização é um facilitador importante. Por isso, decidimos encerrar a produção de automóveis premium no Brasil”, anunciou o executivo Jörg Burzer.

Após o acontecido, outras companhias do segmento se manifestaram sobre fábricas nacionais. A Audi, que já havia deixado de produzir o SUV compacto Q3, ficou somente com a produção do A3 Sedan na fábrica de São José dos Pinhais (PR).

“Entre o fim da produção do A3 Sedan e a confirmação de um novo produto, haverá um hiato de produção”, informou a Audi por meio de comunicado.

Ou seja, agora, em 2021, a fábrica ficará ociosa – ao menos por uma boa parte do ano.

Por outro lado, a BMW, que possui fábrica em Araquari (SC), afirmou que os planos do BMW Group Brasil permanecem inalterados. A BMW produz no país o sedã Série 3 e os SUVs X1, X3 e X4. Na mesma planta, a empresa produziu, por um breve período, o Mini Countryman.

Já a Jaguar Land Rover ficou com a fábrica localizada em Itatiaia (RJ) parada de março até junho de 2020 por causa dos impactos do coronavírus. Ademais, a companhia afirma manter a estratégia de longo prazo no mercado brasileiro.

Sony

Em março de 2021, a Sony confirmou o encerramento de suas atividades comerciais no Brasil. Em setembro de 2020, a companhia japonesa de eletrônicos já havia anunciado o fechamento da sua única fábrica brasileira localizada em Manaus (AM).

Entre os produtos que deixarão de ser vendidos no Brasil estão câmeras, TVs e equipamentos de áudio. Outras categorias, como consoles para jogos, “seguirão atuando no mercado local sem nenhuma mudança”, segundo comunicado postados nas redes sociais da companhia.

“Queremos reiterar que manteremos a alta qualidade de pós-venda e suporte de reparo para todos os produtos sob nossa responsabilidade comercial pelo tempo necessário, estando em conformidade com os regulamentos e requisitos locais de proteção aos consumidores, política e garantia de produtos. Também queremos agradecer por todo apoio e confiança que vocês depositaram em nossa marca ao longo de todos esses anos. Juntos, tivemos vários momentos conectados através da arte, do entretenimento e do amor pela tecnologia”, afirmou a Sony em comunicado.

Roche

Em 2019, a fabricante de medicamentos suíça Roche anunciou encerramento da produção de remédios no Brasil, além de fechar a fábrica que possui no Rio de Janeiro. Segundo a empresa, as atividades devem ser encerradas em quatro ou cinco anos.

A fábrica produz apenas medicamentos de baixa complexidade e alto volume de produção. A Roche Farma Brasil, subsidiária da Roche no país, reitera que medicamentos de alta complexidade, que já eram importados, continuarão sendo comercializados no Brasil. A estratégia da empresa para os próximos anos é focar neste tipo de medicamento, que tem baixo volume de produção.

Em comunicado à imprensa, a empresa afirmou que o fim da fábrica está "em linha com sua estratégia global de inovação e com as transformações do seu portfólio de medicamentos".

No mesmo segmento, a farmacêutica americana Eli Lily deixou o Brasil em 2020 e transferiu a produção para Porto Rico.

Forever 21

Em janeiro, a Forever 21 fechou 11 lojas no Brasil em meio à recuperação judicial nos EUA. Em um primeiro momento, as operações da Forever 21 na América Latina foram preservadas, mas a chegada da pandemia afetou o comércio no mundo inteiro e complicou ainda mais os negócios do grupo.

A rede de shoppings Multiplan (MULT3) chegou a mover uma ação de despejo contra a cadeia varejista enquanto as conversas corriam paralelamente. O desfecho das negociações ocorreu nos últimos dias de 2020.

"A discussão foi amigável, mas não chegou a um denominador comum", afirmou o vice-presidente institucional da Multiplan, Vander Giordano. Segundo o executivo, a inquilina sairá dos shoppings sem deixar dívidas. "Houve uma troca das dívidas pelos pontos", afirmou, sem revelar mais detalhes.

Glovo

A empresa de aplicativos espanhola encerrou suas atividades no Brasil em 2019, um ano após chegar ao país.

“Trabalhamos muito para fazer deste mercado um sucesso, mas infelizmente após 12 meses, percebemos que o Brasil é um mercado competitivo que exige muito mais investimento e tempo para consolidar do que imaginávamos”, diz a empresa.

Também no segmento de alimentação, a cadeia de restaurantes americana Wendy’s fechou duas unidades no Brasil em 2019, mas não informou o motivo dessa decisão. No Brasil, a Wendy’s estava sendo administrada pela Infinity Services, que também administrava a rede Hooters que encerrou suas atividades em março de 2019

Algumas outras companhias que fizeram o mesmo movimento foram: Walmart – a maior varejista do mundo vendeu 80% de sua operação brasileira a um fundo de investimentos; Kiabi – a marca francesa de fast fashion optou por sair do país em janeiro do ano passado com o intuito de colocar suas posições de mercado e seus investimentos nos países em que está presente há mais tempo.

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