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Sede natural por conhecimento é fator decisivo para sucesso das mulheres no e-commerce

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Sede natural por conhecimento é fator decisivo para sucesso das mulheres no e-commerce Pexels
► Mulheres empreendedoras: apenas 4,7% das startups são fundadas por elas► Cada vez mais mulheres investidoras

Um estudo publicado pela Distrito Dataminer em 2021 mostra que, no empreendedorismo tradicional, 46,2% das empresas são fundadas por mulheres. Já no universo das startups, esse valor cai para 4,7%. Isso mostra que o empreendedorismo da inovação é um ambiente ainda restrito à presença feminina. Uma outra pesquisa, realizada pelo Mercado Livre, em parceria com o Ibope Conecta, mostrou que as mulheres têm mais coragem na hora de arriscar e inovar. Cerca de 20% delas haviam pedido demissão do emprego antigo para iniciar um negócio online. Entre os homens, mais receosos, esse percentual era de 15%.

O Mercado1Minuto convidou a Tayce Bandeira, Diretora Executiva e Membro do Board do Mulheres no E-commerce, para entender melhor a realidade das mulheres nesse segmento e como a plataforma ajuda no empoderamento e desenvolvimento feminino.

Mercado1Minuto: O que é o Mulheres no E-commerce?

Tayce: O Mulheres no E-commerce é um movimento que tem o objetivo de promover inovação, networking e empoderamento para as profissionais e empreendedoras digitais brasileiras. Foi fundado em 2017, por Carolina Moreno, e, hoje, possui uma rede com mais de 20 mil profissionais e empreendedoras que participam ativamente da agenda de eventos online e presenciais, webinars, pesquisas, entre outras atividades. Por meio das iniciativas próprias e com parceiros, o MNE fomenta o debate e a construção de conhecimento sobre temas essenciais para o desenvolvimento do setor e das profissionais, como, por exemplo, a representatividade racial e de gênero, a equiparação salarial e de cargos e carreiras e a segurança da mulher no mercado de trabalho e em sociedade. Ao longo desses quatro anos de atuação, nosso trabalho tem sido para gerar um impacto real na vida das mulheres, seja colaborando para a sua recolocação profissional, para a sua formação como empreendedora ou para a gestão da sua carreira.

Como o Mulheres no E-commerce consegue cumprir o papel de alavancar a carreira e vida das mulheres no mercado de trabalho?

Tayce: Temos diferentes iniciativas que impulsionam as mulheres a se desenvolverem e garantirem o espaço e o lugar de fala que merecem no mercado de e-commerce brasileiro. Nossa rede é composta por 51% de executivas e profissionais, 42% de empreendedoras e 7% de mulheres que buscam ingressar ou se recolocar no setor. Promovemos regularmente benefícios como bolsas e descontos para cursos de qualificação e eventos, mentorias profissionais e acesso a uma rede de networking ativa e colaborativa, em que as integrantes se apoiam nas suas demandas, necessidades e desafios diários.

Neste período de pandemia, por exemplo, observamos um número crescente de membros que perderam seus empregos, então criamos uma rede de compartilhamento de vagas para ajudar na reincorporação dessas profissionais. Desenvolvemos também ações de apoio psicológico e suporte à vítimas de violência doméstica. Criamos, ainda, um programa de Embaixadores, em que influenciadores, executivos e profissionais de peso no mercado digital ampliam o alcance das pautas debatidas pelo movimento, e lançamos um programa anual de Partners, composto por empresas que atuarão como mantenedoras do movimento e se comprometem a promover o protagonismo feminino na sua cultura corporativa, contratando mais mulheres e preparando mais líderes para o mercado.

Qual a importância de empoderar mulheres no cenário atual?

Tayce: Entendemos o empoderamento feminino como um fator importante para uma sociedade mais igualitária e economicamente forte. Mulheres empoderadas e cientes dos seus direitos abrem portas para outras mulheres. Nosso trabalho é na perspectiva de gerar esse efeito cascata em que todos se beneficiam. Quando incentivamos as mulheres a palestrar nos eventos do setor trazendo uma agenda com mais equidade de gênero, por exemplo, geramos representatividade e inspiramos as demais profissionais e empreendedoras a enxergarem seu poder. Esse movimento também acaba pressionando empresas e instituições, recém-criadas ou já estabelecidas, a serem agentes de transformação, preocupando-se com o desenvolvimento das suas profissionais e criando mais oportunidades de protagonismo para as mulheres. Combater um histórico discriminatório tão estrutural é um processo coletivo no qual todos temos responsabilidade, inclusive os homens que dividem conosco o mesmo mercado de trabalho.

Como inserir mais mulheres no mercado de trabalho? Quais avanços são mais urgentes em termos de igualdade de gênero?

Tayce: Essa é mais uma questão que diz respeito à responsabilidade compartilhada, ou seja, governos têm o papel de criar políticas públicas de promoção da igualdade de gênero no mercado de trabalho, enquanto que as empresas precisam entender o seu papel e converter a consciência do problema em ações práticas. Muitas empresas, por exemplo, possuem um número semelhante de mulheres e homens empregados, mas elas ocupam cargos mais baixos e quase não estão representadas na liderança ou nos conselhos administrativos. O incentivo à educação, estimulando e garantindo uma formação de qualidade para as meninas em todas as áreas do conhecimento é outro ponto importante e urgente, uma vez que por décadas a presença das mulheres em setores como engenharia, tecnologia, entre outros, foi bastante defasada. Vale lembrar que, além de ser uma questão necessária, aumentar a participação feminina no mercado de trabalho gera incontáveis benefícios para o país, como o aumento do PIB, o crescimento do poder de consumo das famílias e uma maior arrecadação para o Estado.

Como é ser uma mulher na sua indústria e quais são as características de uma mulher que tem sucesso no e-commerce? Há alguma mudança do perfil de uma mulher empreendedora em relação há alguns anos atrás?

Tayce: Trabalhar no mercado de e-commerce é acompanhar uma transformação diária no ecossistema de tecnologia e nas formas de consumo. Pela velocidade intrínseca ao setor, as profissionais, executivas e empreendedoras têm uma sede natural por conhecimento e evolução e uma incrível capacidade de adaptar-se a novas realidades. Por ser um mercado bem mais jovem, com pouco mais de 20 anos, observamos ainda que questões como diversidade, equiparação salarial e muitas outras já fazem parte da cultura ou do dia a dia das empresas, mas ainda há muito o que melhorar para chegarmos à situação ideal. Em relação às empreendedoras, vemos que a maioria delas tinha o e-commerce como um dos muitos canais de venda da sua marca, mas, hoje, não só a loja online é o principal ponto de comercialização dos produtos, como pode ser o único, a exemplo das marcas nativas digitais e que só depois de despontarem no ambiente online expandiram para outros formatos.

Quais conselhos você daria para mulheres que querem seguir no e-commerce?

Tayce: O e-commerce é um mercado em ampla expansão e que segue na contramão da crise, avançando a passos largos. Portanto, há ainda bastante oportunidade de carreira e desenvolvimento para as mulheres, tanto na perspectiva corporativa, quanto no âmbito do empreendedorismo. Outra grande vantagem desse mercado, pelo nível de digitalização exigido, é o crescimento também dos perfis que geram conteúdo especializado, das redes de networking e troca de experiências como o Mulheres no E-commerce e da grande variedade de cursos de qualificação pagos ou gratuitos, o que torna o conhecimento sobre o setor bastante acessível.

Qual etapa do e-commerce demanda mais atenção?

Tayce: Costumamos dizer que o consumidor online segue uma jornada que vai do marketing, quando ele é atraído para a loja ou o marketplace, passando pela navegação e escolha do produto, o fechamento do pedido, o pagamento, a logística e o pós-venda. Quando uma dessas etapas falha, a empresa pode sofrer consequências, como perder a venda, não fidelizar o cliente ou mesmo ter problemas de reputação. Por isso, cada fase dessa trajetória é importante. No entanto, temos alguns pontos mais sensíveis e que exigem atenção redobrada do lojista, como o processo de pagamento, que envolve soluções para garantir a segurança do e-commerce e do comprador, e a cadeia logística, que tem o papel de fechar o ciclo atendendo às expectativas do cliente final.

Falando em segmento, qual o mercado de produtos possui maior potencial para crescimento no pós-pandemia?

Tayce: Uma tendência bastante observada após o início da pandemia e que deve permanecer é a atenção do consumidor para compras que representam cuidado consigo ou com quem se convive. Vão desde produtos de saúde, higiene e beleza, pet, equipamentos ou acessórios para prática de exercício, coisas para a casa e itens para os filhos ou para o cuidado e conforto dos idosos.


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Tayce Bandeira - Mestranda em Administração de Empresas pela Universidade de Bradford (Inglaterra) e bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará. Possui experiência como consultora de Relações Públicas para diversas empresas e atualmente é consultora independente no segmento, com foco em comunicação estratégica e marketing. Atua como Diretora Executiva e Membro do Board do Mulheres no E-commerce.

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