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Vacinação, retomada da indústria e setor de serviços melhoram previsões da economia brasileira

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Vacinação, retomada da indústria e setor de serviços melhoram previsões da economia brasileira Freepik
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Dados divulgados no início deste mês reforçam o que o mercado financeiro já havia precificado nos ativos na bolsa de valores: a economia brasileira está em recuperação. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), por exemplo, revisou para cima a projeção do PIB brasileiro que deve crescer 4,8% em 2021.

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 no país, a previsão para os próximos meses se torna mais otimista, sem desconsiderar o ambiente externo mais favorável para a balança comercial. Somente no segundo trimestre de 2021, o crescimento em comparação com o mesmo período do ano anterior deve girar em torno de 12,6%, segundo o Ipea.

Em balanço divulgado pelo Ministério da Infraestrutura, nesta sexta-feira (02), o primeiro semestre de 2021 contou com R$ 18,89 bilhões de investimentos contratados e 29 ativos concedidos. O ministério tem como meta alcançar a marca de R$ 100 bilhões de investimentos contratados até o fim deste ano, somando dados desde 2019 - primeiro ano do governo Bolsonaro. Até o momento, o número chega a R$ 71,07 bilhões, com 70 ativos concedidos.

Com relação aos dados sobre obras, foram entregues 51 projetos no primeiro semestre deste ano e 17 empreendimentos iniciados, retomados ou autorizados. Foram contabilizados ainda 170 km de novas ferrovias e 23 terminais de uso privado assinados.

"Também foram 927 km de novas rodovias, com pavimentações, duplicações e reconstruções", destacou o ministro Tarcísio de Freitas, durante a divulgação dos números da Pasta.

Tarcísio apontou também que os leilões realizados no primeiro semestre de 2021, como a concessão de 22 aeroportos, mostram uma relação de confiança do setor privado com o país.

"Era um momento de desconfiança para fazer leilões, e nós mostramos que sim, que tem apetite, os investidores elogiaram a qualidade da estruturação dos projetos, a forma equilibrada da distribuição de riscos", afirmou o ministro.

Segundo semestre

Para o segundo semestre deste ano, as expectativas estão animadoras. O governo federal acredita que o PIB pode ultrapassar os 3,5%. Já a CNI (Confederação Nacional da Indústria) elevou sua previsão de crescimento do PIB para 4,9%. O ânimo é embalado pela continuidade do boom das commodities globais, a venda de insumos e de veículos e o aquecimento do setor de serviços no Brasil. Os números sobre a arrecadação fiscal recorde no mês de abril também são um indício de retomada mais consistente.

O Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, ressalta um conjunto de fatores que têm ajudado a economia brasileira a se recuperar mais rápido do que as projeções do início deste ano previam.

"Estamos vendo alguns setores da nossa economia, de fato, indo muito bem, observamos uma melhora nos dados do mercado de trabalho nos últimos meses, ainda seguimos vendo a concessão de crédito acelerar - apesar da alta da Selic - e estamos acompanhando alguma melhora, não ainda na velocidade que gostaríamos, nos casos de contaminação e mortes por conta da Covid-19", explica Milane.

Para Felipe Arslan, sócio-fundador da Vinland Capital, a recuperação da economia do Brasil posterior a outros países, no cenário global, ainda proporciona a possibilidade de investidores aproveitarem um cenário positivo no mercado financeiro brasileiro para o final deste ano.

"Os países estão crescendo, as bolsas já registraram esse crescimento nos preços dos ativos, mas aqui no Brasil ainda menos do que lá fora. Agora, na verdade, a discussão central é quando vai acontecer a retirada dos pacotes de estímulos econômicos dos governos. Na nossa avaliação, a Selic no final do ano fecha em 7,25%, com uma inflação em torno de 6,3% e o país crescendo por volta de 5%", adianta Felipe Arslan.

O cenário econômico esperado pela Vinland Capital fez parte da conversa do último episódio do podcast +Q1Minuto:

Produção Industrial

Após três meses de quedas consecutivas, a produção industrial brasileira registrou um crescimento de 1,4% no mês de maio na comparação com abril. Em relação a maio de 2020, o crescimento foi de 24%. Em 2021, a indústria acumula uma alta de 13,1% e, em doze meses, de 4,9%.

Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta (02) apontam que o avanço de maio foi possível com o crescimento de duas das quatro grandes categorias econômicas e de 15 dos 26 ramos pesquisados. Os principais destaques positivos do mês foram de produtos alimentícios, que registrou alta de 2,9% após o recuo de 3,2% em abril; de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com avanço de 3,0%; e de indústrias extrativas, que cresceu 2,0% no terceiro mês seguido de taxa positiva.

O gerente da pesquisa, André Macedo, enfatizou que foi a primeira vez, desde outubro de 2018, que todas as categorias econômicas registraram taxa positiva para o indicador acumulado em 12 meses.

"Com o resultado de maio, a indústria chega ao mesmo patamar de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia. Apesar do avanço, o setor ainda se encontra 16,7% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011", destacou.

O consenso entre economistas é que uma recuperação mais consistente do mercado de trabalho deverá acontecer a partir deste segundo semestre. No entanto, esse crescimento está condicionado ao avanço da vacinação contra a Covid-19 e à retomada do setor de serviços – maior empregador no país e mais afetado pelas medidas de restrição para conter a pandemia.

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