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Raio-x: como a Embraer tenta reverter prejuízos da pandemia

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Raio-x: como a Embraer tenta reverter prejuízos da pandemia Divulgação | Internet
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A paralisação das viagens aéreas após o início da pandemia do coronavírus, em 2020, afetou de forma drástica as empresas do setor. A Embraer (EMBR3), terceira maior fabricante de aviões do mundo, viu seus números despencarem com as restrições impostas em todo o mundo.

Em 2020, a empresa teve um prejuízo total de US$ 732 milhões, mais do que o dobro da perda de 2019. Em relação à entrega de aeronaves, os números também foram negativos: A companhia entregou um total de 130 jatos em 2020, sendo 44 comerciais e 86 executivos, o que representa uma redução de quase 35% em relação a 2019, quando 198 jatos foram entregues.

No primeiro trimestre de 2021, a Embraer registrou receita líquida de R$ 4.452,1 milhões, um aumento de 55% em relação ao 1T20, com crescimento em todos os segmentos de negócio. O prejuízo líquido ajustado no período foi de R$ 522,9 milhões. A companhia encerrou o 1T21 com caixa total de R$ 14,0 bilhões e dívida líquida de R$ 10,8 bilhões.

Acordo frustrado

No ano passado, a Embraer teve que lidar com o rompimento unilateral de um acordo bilionário com a Boeing que poderia valorizar os negócios da Embraer. O negócio, firmado em 2018 e avaliado em US$ 5,26 bilhões, daria à Boeing o controle sobre a divisão de aviação comercial da Embraer.

O acordo previa a criação de uma empresa conjunta que ficaria sob comando da Boeing, com 80% de participação. A Embraer ficaria com os 20% restantes. No entanto, em abril de 2020, a Boeing anunciou a rescisão do acordo alegando que a companhia brasileira não atendeu às condições necessárias. Em contrapartida, a Embraer afirmou que o rompimento foi indevido.

Por causa do fracasso do negócio e pelas dificuldades impostas pela pandemia, a Embraer anunciou a demissão de 2,5 mil funcionários nas fábricas do Brasil em setembro de 2020.

Mobilidade Aérea Urbana

Depois das dificuldades enfrentadas em 2020, a fabricante de aeronaves tenta se reerguer investindo em uma área que promete grandes frutos no futuro: a mobilidade aérea urbana. Uma série de parcerias importantes foram fechadas nos últimos meses para inserir o eVTOL, veículo elétrico de decolagem e pouso vertical da Eve, nos projetos de vários países.

A Eve é uma empresa independente criada pela Embraer para desenvolver o ecossistema da Mobilidade Aérea Urbana (UAM). Segundo a própria Embraer, a Eve está adotando uma abordagem holística para progredir no ecossistema UAM com um projeto avançado de veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL), uma abrangente rede global de serviços e suporte e uma solução única de gestão de tráfego aéreo.

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No início de junho, a Eve anunciou parceria com a Halo para o desenvolvimento de produtos e serviços de mobilidade aérea urbana (UAM) nos Estados Unidos e no Reino Unido. A parceria inclui um pedido de 200 unidades do veículo elétrico de pouso e decolagem vertical (eVTOL) da Eve. Segundo a Embraer, as entregas estão previstas para 2026.

Alguns dias depois, um novo negócio: a Eve e a Ascent, com sede em Cingapura, fecharam uma parceria com foco na aceleração do desenvolvimento do ecossistema de Mobilidade Aérea Urbana (UAM) nos mercados da Ásia-Pacífico. O acordo vai promover a entrada do veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da Eve na plataforma tecnológica que permite fretar aeronaves, comprar assentos em voos fretados e organizar operações de UAM.

No fim do mesmo mês, mais uma parceria: a Eve e a Skyports vão desenvolver soluções para as operações iniciais de mobilidade aérea urbana (UAM) na Ásia e nas Américas. O objetivo das empresas é avançar rapidamente e trazer ao mercado o inovador eVTOL da Eve para que os passageiros tenham a experiência do transporte elétrico do futuro e um novo modelo de mobilidade sustentável.

A última parceria foi firmada em julho: a Eve e a Flapper, plataforma independente de aviação privada sob demanda, anunciaram no dia 22 de julho uma parceria com o objetivo de desenvolver o mercado de Mobilidade Aérea Urbana (UAM) na América Latina.

De olho no sucesso da Eve, já existe uma proposta de fusão da empresa com a Zanite Acquisition. De acordo com fontes com conhecimento no assunto, a empresa de aquisição de propósito específico (Spac, na sigla em inglês) busca levantar novo capital para financiar a transação. Com isso, o acordo deve avaliar a companhia combinada em US$ 2 bilhões, segundo as fontes ouvidas pela agência de notícias.

Embraer e Porsche

Outra estratégia de crescimento da companhia é a criação da aeronave Phenom 300E da edição limitada Duet, desenvolvida em colaboração com a Porsche. A primeira aeronave desse modelo foi entregue a um cliente não divulgado em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA), no fim de junho. Segundo a Embraer, o Duet marca a primeira colaboração entre líderes nos mercados de aviação e automotivos, combinando o jato executivo “single-pilot” mais rápido e de maior alcance com o Porsche 911 Turbo S, referência no mercado de carros esportivos. Os clientes que tiverem interesse terão que adquirir um dos dez "combos" que serão produzidos da aeronave com o carro pelo valor de US$ 10,9 milhões.

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"A Embraer e a Porsche, ambas reconhecidas mundialmente por sua engenharia, desempenho e design de seus produtos, trabalharam em conjunto para criar uma experiência única, tanto no solo quanto no ar, combinando elementos de design de forma exclusiva nesta parceria", informa a companhia em seu site.

A Embraer tenta inovar, investir em tecnologia, fechar parcerias e entrar no mercado de mobilidade aérea urbana para recuperar as perdas causadas pela pandemia. Se continuar nesse projeto, em breve a companhia conseguirá reverter o cenário e deixará os prejuízos para trás.

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