clique para ir para a página principal

Grandes bancos surpreendem nos resultados do 2T21. Será que a crise passou?

Atualizado em -

Grandes bancos surpreendem nos resultados do 2T21. Será que a crise passou? Pexels
► Cielo reverte prejuízo e lucra R$ 221,5 milhões; Itaú Unibanco tem salto de 55% no lucro► Bradesco registra lucro de R$ 6,3 bilhões no 2T21, salto de 63% em relação a 2020► Banco do Brasil registra lucro de R$ 5 bilhões no 2T21, alta de 52% ante o 2T20

No início deste ano, o mercado financeiro acompanhou, assustado, a queda no desempenho dos grandes bancos brasileiros em 2020.

O Itaú Unibanco (ITUB4), maior banco privado do País, viu seu lucro cair 34,6% em 2020 em relação a 2019, atingindo R$ 18,536 bilhões. O Bradesco (BBDC3; BBDC4) fechou o ano com lucro de R$ 19,458 bilhões, uma queda de 24,8% na comparação com o ano anterior. O Banco do Brasil (BBAS3) também teve resultados negativos: o lucro em 2020 foi de R$ 13,9 bilhões, 22% a menos do que em 2019.

Analisando o cenário, era difícil imaginar uma recuperação rápida, mas os resultados do segundo trimestre de 2021 provaram o contrário. Todos os três “bancões” citados no parágrafo anterior tiveram números positivos, aumentaram a carteira de crédito, viram seu lucro subir de forma considerável e dão sinais de que os tempos difíceis estão ficando para trás.

Os bancos são grandes intermediadores da economia, então quando a gente vê um bom resultado isso quer dizer, na grande parte das vezes, que a economia está girando, que crédito está sendo tomado para financiar indústrias, empresas de serviços, tecnologia… Então não só para o investidor, mas para a população em geral, bancos divulgando bons resultados tendem a se refletir na economia real", explica Rodrigo Rosário, Head da Mesa de Renda Variável da VLG Investimentos.

O Itaú anunciou na última semana que o lucro líquido gerencial registrado no 2T21 foi de R$ 6,543 bilhões, número que representa crescimento de 55,6% em relação ao 2T20 e crescimento de 2,3% ante o 1T21.

Já o Bradesco informou que o lucro líquido recorrente no período foi de R$ 6,3 bilhões, um avanço de 63,2% em relação ao mesmo período de 2020.

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 5 bilhões no segundo trimestre, aumento de 52,2% em relação ao 2T20 e avanço de 2,6% ante o primeiro trimestre de 2021.

Carteira de crédito

Entre os grandes destaques do trimestre, a carteira de crédito de todos os três bancos registrou aumento importante. No caso do Bradesco, por exemplo, o crédito para financiamento imobiliário cresceu 40% em relação ao mesmo período de 2020. Já o crédito pessoal consignado teve avanço de 19,8%. No Itaú, o crédito imobiliário subiu 44,4% na comparação com o ano anterior e o consignado teve aumento de 17,3%.

"As carteiras de crédito dos bancos têm crescido bastante, principalmente no segmento de crédito imobiliário. A gente vê o mercado imobiliário bem aquecido, tendo uma retomada bem grande e com isso tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas já têm tomado bastante crédito no sentido de financiar imóveis. Então também é um ponto bem positivo para o resultado dos bancos", afirma Rodrigo Rosário.

Ele explica que o aumento da carteira de crédito tem ligação direta com a redução da inadimplência calculada pelos bancos. Com a pandemia do coronavírus, o país entrou numa crise econômica que obrigou os bancos a aumentarem a chamada PDD (provisão de devedores duvidosos). Essa provisão é uma reserva de recursos feita cobrir prejuízos causados por clientes devedores.

Durante a pandemia, os grandes bancos fizeram provisões maiores, esperando que o brasileiro não tivesse condições de quitar suas dívidas. Com a situação econômica dando sinais de melhora, essa provisão pode diminuir e impactar positivamente o resultado das instituições.

"Agora, com a gente saindo um pouquinho da crise e tendo uma recuperação um pouco mais palpável da economia, essa provisão está sendo revisada para baixo. Os bancos estão fazendo PDD menores e isso contabilmente ajuda bastante na relação do lucro líquido e das receitas dos bancos", ressalta Rodrigo Rosário.

E para o investidor?

Os resultados dos bancos são positivos para a economia do país como um todo. Mas, e o investidor? De que forma os números impactam a vida de quem investe? O Head da Mesa de Renda Variável da VLG Investimentos explica que bancos, no geral, são bons pagadores de dividendos e, com bons resultados, tendem a melhorar esses retornos aos seus acionistas.

"Para o investidor, os resultados positivos dos bancos podem refletir no valor das ações e, consequentemente, no pagamento de novos dividendos. O que a gente tem visto nos últimos resultados dos grandes bancos é que a grande maioria assim que divulga o resultado também tem feito um aprovisionamento de dividendo na casa de 1,5% a 2%. Então a gente vê isso refletindo na economia. Esse dinheiro que veio do resultado do banco voltando para a economia em forma de dividendos para os seus acionistas", afirma Rodrigo.

Relacionados:

► Cielo reverte prejuízo e lucra R$ 221,5 milhões; Itaú Unibanco tem salto de 55% no lucro► Bradesco registra lucro de R$ 6,3 bilhões no 2T21, salto de 63% em relação a 2020► Banco do Brasil registra lucro de R$ 5 bilhões no 2T21, alta de 52% ante o 2T20

Leia mais: