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FinTwit e FinTok crescem e atraem novos investidores

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FinTwit e FinTok crescem e atraem novos investidores Pexels
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Definitivamente a internet mudou o nosso dia a dia em muitas áreas e a mais evidente se refere ao acesso à informação. Seja com pesquisas, educação financeira ou usando e abusando do humor, os investidores, analistas e especialistas ganham atenção e milhares de seguidores com os conteúdos que publicam sobre investimentos pessoais que geram nas redes sociais.

Para diversos usuários, as redes sociais têm sido o canal inicial de contato para a educação financeira e dicas de economia. Uma pesquisa sobre “A Descoberta da Bolsa Pelo Investidor Brasileiro” realizada pela B3, no final de 2020, revelou dados interessante sobre o perfil dos novos investidores.

Em um grupo de mais de 1,3 mil entrevistados, 73% dizem que aprenderam a investir através de influenciadores e apenas 7% tiveram ajuda de gerente ou assessor financeiro. Quando se fala em informações relacionadas a finanças, 36% utilizam as redes sociais como fonte, enquanto 14% seguem recomendações de especialistas. No total, 17% dizem que certamente ou provavelmente fariam um investimento recomendado por meio das redes sociais.

Ao pensar em um lugar onde as finanças e internet se misturam, é fácil visualizar o YouTube ou Instagram e as personalidades que bombam nessas redes. No entanto, também há outras comunidades onde os comunicadores do mercado financeiro vem se adaptando e conquistando novos seguidores, como Twitter e o TikTok, redes que os usuários apelidaram de #FinTwit e #FinTok quando se trata do mercado financeiro.

FinTwit

O FinTwit, ou melhor dizendo #FinTwit, vem das iniciais de “Financial Twitter”, movimento que surgiu nos Estados Unidos, mas que vem ganhando espaço de forma rápida no Brasil. Essa mudança ficou mais evidente quando o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a usar ativamente seu perfil no Twitter, fazendo anúncios que resultaram no impacto do mercado acionário.

Na rede, gestores de carteiras de fundos, analistas, pesquisadores, investidores, economistas, traders e influenciadores do ramo estão reunidos. Em sua maioria, esses profissionais utilizam o Twitter como um “mini-blog” e acabam gerando discussões ricas de informações e debates mais acalorados.

A comunidade encontrada através da hashtag #FinTwit tem um alcance muito alto trazendo consigo um poder de influência muito grande. Os profissionais que estão na rede, geralmente arriscam palpites sobre preço das ações, previsões econômicas e diversos fatos relevantes do mercado financeiro.

Embora ainda não tenha sido registrado nenhum caso de punição por dar palpites em redes sociais, esse é um dos grandes motivos que já causa preocupação à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

FinTok

Assim como o FinTwit, os conteúdos sobre a relação com o dinheiro que estão no FinTok também são encontrados através da hashtag no TikTok. O nome da rede é proveniente das iniciais de “Financial TikTok”.

Além das famosas dancinhas, o TikTok vem sendo uma ferramenta de aprendizado. Com vídeos de até 60 segundos, o conteúdo simples e mais descontraído ajuda na compreensão de questões mais complexas do mercado financeiro.

Os vídeos com a hashtag #FinTok já passam de 481 milhões de visualizações que aumentam cada vez mais. O sucesso é global, mas tem um maior impacto nos Estados Unidos. No Brasil esse fenômeno vem ganhando destaque aos poucos.

Segundo dados da empresa britânica Hargreaves Lansdown, 46% dos jovens de 18 a 34 anos ficaram mais interessados em investir no primeiro semestre de 2021. Entre esses, um em cada cinco atribuiu esse novo entusiasmo ao TikTok.

O TikTok recomenda vídeos aos seus usuários com base em conteúdos já assistidos, criando assim um feed personalizado, chamado de For You Page (FYP). O FYP inclui uma série de vídeos diversos e aleatórios, e como resultado, os usuários podem se deparar com vídeos do FinTok mesmo sem ter mostrado interesse e, aqueles que já consomem esse conteúdo, ficam cada vez mais imersos nesse mundo.

Educação Financeira

Os amigos Bruno Dutra e Lucas Tolledo também apostaram nas redes sociais para compartilhar o que sabiam sobre o mercado financeiro. Eles começaram na internet em 2019 e criaram o Café do Investidor, que hoje conta com mais de 300 mil seguidores nas redes e mais de 900 mil curtidas no TikTok.

“Começamos o Café do Investidor em 2019, apenas com o Instagram. Não tínhamos amigos para falar sobre investimentos, então resolvemos mudar isso em uma escala maior. Queremos mostrar que dá para investir com praticamente qualquer valor”, explica um dos criadores do perfil, Bruno Dutra.

Já a criação de conteúdo para plataforma do TikTok ocorreu um pouco depois, em abril de 2020, após um convite dos managers da própria rede social. Para eles, a ferramenta tem sido importante para levarem educação financeira para mais pessoas de forma gratuita e assim impactarem uma maior quantidade de usuários.

A capacidade de viralizar no TikTok, mais fácil do que as outras redes sociais, significa que a informação pode ser vista milhares de vezes mesmo sem contar com seguidores comprometidos. Isso pode causar efeitos negativos caso as informações publicadas sejam inverídicas, porque há riscos de que os usuários se evolvam em manipulação de mercado.

A transformação digital trazida pelo avanço da tecnologia e o maior acesso à informação foram cruciais para que o mercado de investimentos se desenvolvesse muito nos últimos anos no Brasil. Hoje, diante do leque amplo de informações disponíveis, é essencial que as pessoas estejam cada vez mais atentas não só à qualidade dos dados como, também, à credibilidade, reputação e histórico de suas fontes.

”Hoje a informação está praticamente em todo lugar, é muito legal, mas tem que saber filtrar. Antigamente tínhamos o inverso, era complicado achar informações sobre o mercado financeiro, como começar, onde começar, como comprar e o que estudar. Considero então que este "boom" das redes sociais tem sido muito mais positivo do que negativo”, finaliza Bruno.

O investidor deve sempre buscar informações em fontes oficiais, como os conteúdos para educação e orientação oferecidos pelo Banco Central, pela CVM e pela B3. É preciso tomar cuidado com recomendações de investimentos, nem sempre o que será melhor para os criadores do FinTok e do FinTwit, será o melhor para todos.

"O primeiro passo para investir é a pessoa se interessar a ter esse tipo de conhecimento. O investidor tem de ter o mínimo de conhecimento possível para não 'dar um tiro no pé' e acabar perdendo muito dinheiro por falta de informação", destaca Letícia Kratka, Consultora Financeira do Mercado1Minuto.

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