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Empresas avaliam cenário econômico e interrompem IPO na B3; entenda os motivos de algumas

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Empresas avaliam cenário econômico e interrompem IPO na B3; entenda os motivos de algumas Shutterstock
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Desde o ano passado, algumas empresas vêm sofrendo para a conclusão de um IPO na B3 por conta de condições desfavoráveis no mercado. Com isso, essas companhias acabam solicitando um pedido de interrupção da oferta junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), ou anunciam desistência da oferta pública.

De acordo com os registros da CVM, 9 companhias já haviam proclamado desistência de fazer IPO no Brasil até 29 de julho deste ano, entre elas estão: Iguá Saneamento, LG Informática, Entalpia Participações, Hospital Care Caledonia, Laboratório Teuto Brasilerio, Livetech da Bahia, Kora Saúde, Bionexo e CDF Assistência e Suporte Digital.

Depois que uma empresa conclui um IPO, ela é listada na bolsa de valores, a B3 no caso do Brasil e, a partir disso, suas ações começam a ser negociadas. No entanto, para uma companhia entrar na listagem de uma bolsa, é necessário a autorização da Comissão de Valores Mobiliários, a responsável por regular o mercado brasileiro.

Até então, já foram concluídos 36 IPO’s no ano de 2021 e, de acordo com a CVM, já foi levantado nas distribuições primária e secundária R$ 66,2 bilhões. Dentre as empresas que foram listadas esse ano estão: Intelbras (INTB3), Caixa Seguridade (CXSE3), Eletromidia (ELMD3), Multilaser (MLAS3), Raízen (RAIZ4), Smart Fit (SMFT3), Mosaico (MOSI3) e outras.

No entanto, existem algumas companhias que desistiram dos planos iniciais do IPO e migraram para uma oferta restrita na B3. Neste ano, as que optaram foram: Infracommerce CXAAS (IFCM3), Três Tentos Agroindustrial (TTEN3), Livetech da Bahia Indústria e Comércio (LVTC3), Agrogalaxy Participações (AGXY3) e Kora Saúde (KRSA3).

Athena Saúde Brasil

Dentre as empresas que desistiram do IPO, a Athena Saúde Brasil foi uma delas, deixando de lado os planos de fazer uma abertura de capital. De acordo com a empresa, com o cenário atual do mercado brasileiro e internacional, os termos e condições da oferta que pretendiam fazer foram impactados diretamente.

Neste ano, em maio, a companhia que tem seu setor voltado à saúde, já havia solicitado uma suspensão do IPO por 60 dias, por conta da inconstância do mercado. No início do mês de agosto, a empresa anunciou sua desistência do pedido de registro de oferta pública e solicitou à CVM a remoção da operação.

Antes da desistência, a companhia havia divulgado a faixa de preço de seus papéis, entre R$18,35 a R$ 23,12. A Athena poderia levantar até R$ 2,5 bilhões na operação se for considerado o preço médio da faixa indicativa.

BBM Logística

Igualmente a Athena Saúde Brasil, por conta da volatilidade do mercado atual, a BBM Logística também cancelou sua oferta pública inicial de distribuição primária e secundária de ações ordinárias. No início do ano de 2021, a empresa já havia anunciado sua desistência do IPO.

Segundo a empresa, a decisão foi realizada juntamente ao coordenador líder da oferta, o Bank of America, e também com os coordenadores da XP Investimentos, Citigroup, Banco Safra e UBS BB.

Havan

Já a Havan teve seu pedido negado pela CVM duas vezes no mesmo ano. No entanto, a comissão não apresentou nenhuma justificativa para o indeferimento da solicitação. Como o Mercado1Minuto mostra aqui, o co-fundador da companhia, Luciano Hang, já havia solicitado a abertura de capital em 2020, mas depois de sua empresa ser avaliada em R$ 100 bilhões, o empresário recuou.

Segundo Hang, o planejamento para ingressar na listagem da B3 se deu por conta da necessidade de aumentar o capital de giro e atrair os investimentos para a abertura de novas lojas e centros de distribuição.

Volatilidade do mercado

São diversos fatores que influenciam na volatilidade do mercado financeiro, como a inflação em alta, situação fiscal delicada, aperto monetário e outros. De acordo com o IBGE, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) já atingiu 8,99% no acumulado dos últimos 12 meses.

A previsão do início da baixa da inflação é no final deste ano, no entanto, o índice ainda deve encerrar por volta de 7,5% ao ano, somente recuando para 4% no final de 2022. Em relação ao aperto monetário, o ciclo ainda pode persistir um pouco. A taxa de Selic saiu de 2% em fevereiro e, até então, já atingiu 5,25% ao ano. A previsão do mercado é que o imposto termine cotado a 7,5% ao ano em 2021, mantendo seu percentual em 2022 e recuando para 6,5% em 2023.

Além disso, outro fator importante para a volatilidade do mercado é a nova variante da Covid-19, a Delta. O Reino Unido, o Japão e o Israel já alertaram ao mercado sobre possíveis novas ondas de contágio da cepa. Caso isso aconteça, ocorrerá um novo recuo do setor, sendo necessário um novo isolamento social que afetará diretamente as empresas que pretendem iniciar seu IPO.

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