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XP reduz projeção para o Ibovespa no fim do ano

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XP reduz projeção para o Ibovespa no fim do ano Divulgação/XP
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O aumento nas taxas de juros de longo prazo no Brasil, somado a um cenário de incertezas fiscais, políticas e de alta inflação, fez a XP Investimentos reduzir o preço-alvo do Ibovespa no fim deste ano de 145 mil pontos para 135 mil pontos.

De acordo com o relatório divulgado nesta quarta-feira (1), a XP argumenta que o Brasil vive um debate entre uma sólida “história micro”, na medida em que as empresas estão reportando lucro sólidos e se mantem otimistas, contra um cenário macroeconômico preocupante.

“Dessa forma, a forte alta de juros de mercado em agosto pesou sobre a bolsa, já que o custo de capital para as empresas aumentou”, dizem os estrategistas Fernando Ferreira e Jennie Li.

Alegando também os riscos fiscais e políticos latentes no Brasil, a XP também reduziu as metas de múltiplos de preço por lucro (PL) e EV/EBITDA de 12x para 9,5x, e de 7,0x para 6,0x, respectivamente.

“Acreditamos que o mercado levará mais tempo para ‘voltar às médias históricas’, dados os riscos, além de uma discussão sobre a sustentabilidade dos altos preços das commodities, que têm impulsionado parte significativa das revisões de resultados nos últimos tempos”, destacam os profissionais da XP.

No cenário local, o que preocupa os investidores é a falta de consenso sobre o projeto da reforma tributária, o aumento nos pagamentos dos precatórios em 2022 – que ameaça o teto de gastos –, e as tensões políticas que aumentam à medida que as eleições de 2022 se aproximam.

No ambiente global, o que preocupa são os dados econômicos abaixo das expectativas e incertezas em torno da propagação da variante delta da Covid-19.

Como resultado do aumento dos riscos domésticos, o índice Ibovespa caiu nas últimas semanas e teve desempenho inferior ao de seus pares internacionais. Desde seu pico no início de junho, o índice brasileiro recuou 9,2% em moeda local e 11,3% em dólares. Durante o mesmo período, o S&P 500 subiu 7,0% e as ações globais, medidas pelo MSCI ACWI, tiveram alta de 3,4%, ambos em dólares.

”Enquanto os índices dos EUA e Europa subiram entre 15% e 20% no acumulado do ano, o Brasil está quase de lado, com desempenho somente acima da Ásia, a pior região globalmente”, afirmam Fernando Ferreira e Jennie Li.

Por outro lado, o mês de agosto foi marcado por um grande aumento no custo de capital, uma vez que as taxas de juros de longo prazo no Brasil dispararam drasticamente, assim pressionando para baixo as ações.

O time de análise destaca ainda, que, como regra geral, cada aumento de 1% no custo do patrimônio líquido (ke) em um modelo de fluxo de caixa, reduz o valor justo das ações em cerca de 13%.

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