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A adaptação das finanças pessoais durante a pandemia

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A adaptação das finanças pessoais durante a pandemia Mikhail Nilov | Pexels
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A pandemia causada pela Covid-19 prejudicou as finanças de milhares de pessoas. Sem saber quando a crise sanitária acabará e a vida financeira voltará ao normal, diversas famílias apertaram as economias com medo do amanhã.

Mas, quem conseguiu se manter empregado e sem cortes de salário, acabou gastando muito menos com itens como vestuário, viagens, lazer e transporte. Muitos acabaram poupando de forma espontânea, já que não tinham com o quê e nem onde gastar.

Muitas dessas pessoas conseguiram economizar pela primeira vez. Uma pesquisa divulgada pela Toluna (comunidade online de pesquisas sobre inteligência de consumo) no início deste ano, mostra que, entre os entrevistados, 70% confirmaram que passaram a economizar mais por conta da pandemia do coronavírus. Já 26% das pessoas afirmaram que passaram a poupar durante a quarentena porque não tiveram como gastar com despesas de lazer, por exemplo.

Por outro lado, 39% dos entrevistados concordam que a pandemia atrapalhou completamente qualquer tipo de planejamento financeiro, enquanto apenas 3% afirmaram que o vírus da Covid-19 não interferiu seus planos econômicos.

Para Jaime Salvador, jovem que trabalha como assistente administrativo, a pandemia também colaborou para que começasse a poupar e investir. Ele começou a se organizar financeiramente no final de 2020, mesmo estando endividado, quis começar a economizar.

”Dois amigos me incentivaram a começar, eles me mostraram como funcionava a renda variável e o longo prazo. Eu vi o resultado deles e percebi que era algo palpável, e então entendi qual era a minha estratégia, defini o que eu precisava estudar e investir e foi aí que entrei no mercado”, explica Jaime.

Adaptação para o retorno

Com o retorno da rotina anterior à pandemia, algumas despesas serão reduzidas. Por exemplo, com o ensino a distância e o trabalho remoto as contas de luz e gás subiram, mas, na medida que as pessoas ficarem mais tempo fora de casa, essas contas também diminuirão. Por outro lado, as contas de transporte, alimentação fora de casa e vestuário podem voltar a subir.

Para manter o equilíbrio entre ganhos e gastos na volta pós-pandemia, o primeiro passo tem que ser a revisão do orçamento. Para isso, será necessário conferir se a renda ficou muito atrás da inflação e rever as prioridades.

”Quais são as categorias de gastos do seu dia a dia? Separe o que é obrigatório e o que é supérfluo, depois defina o limite de gasto para cada categoria. Para facilitar, siga a regra dos 50, 30, 20. Você gasta no máximo 50% do ganho com custos obrigatórios, no máximo 30% com as coisas não obrigatórias e poupe no mínimo 20% todos os meses”, explica a educadora financeira do Mercado1Minuto, Leticia Kratka.

A princípio, aqueles que já tomaram medidas preventivas e contam com uma reserva de emergência, sentiram de forma mais leve os impactos da pandemia. Por outro lado, aqueles que não se atentaram para isso, terão que encontrar outro caminho para minimizar as consequências da crise em suas finanças.

”O primeiro acúmulo de capital deve ser a reserva de emergência, ela deve ser intocável e não para comprar coisas supérfluas, serve para emergências do dia a dia para que não desfalque do seu orçamento mensal”, destaca Leticia.

Segundo a Leticia, para conseguir aplicar tudo isso da melhor forma possível, é necessário utilizar um aplicativo ou planilha que te ajude a visualizar e analisar toda a evolução, para então entender na prática para onde vai seu dinheiro.

Definir o orçamento de gastos e ganhos é um ponto muito importante para reerguer as finanças. A principal meta é gastar menos para poupar mais e assim começar a investir para realizar os objetivos futuros e alcançar a liberdade financeira.

"Quando eu montei minha planilha, comecei a ler, ver vídeos e pesquisar na internet dicas para organizar a vida financeira. Então, comecei a colocar no papel. Foi a melhor coisa que fiz, ajudou muito a conseguir me organizar financeiramente. Até então, eu vinha pagando dívidas e, conforme ia amenizando as contas, tirava parte do dinheiro para minha reserva de emergência que montei no Tesouro Selic”, conta Jaime Salvador.

Em um cenário de crise, os aprendizados sobre a educação financeira têm sido mais relevantes. A pandemia trouxe para o centro das atenções a necessidade de complementar a renda para esses momentos, além da necessidade de saber se programar financeiramente e estabelecer prioridades.

É fato que a pandemia contribuiu para essa mudança de comportamento em relação a economia financeira. Pode parecer difícil, mas é possível reverter a situação e começar a usar o dinheiro a seu favor.

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