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O impacto da alta da luz nos papéis das empresas do setor elétrico

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O impacto da alta da luz nos papéis das empresas do setor elétrico Pexels
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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aumento médio das taxas de eletricidade ficou bem acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No período da pesquisa, em julho deste ano, foi apontado que a inflação oficial acumulou 60,16%, enquanto a eletricidade aumentou 100,56%.

Um dos principais motivos dos reajustes no valor da energia é o aumento do consumo e a redução da capacidade de produção das hidrelétricas. O Brasil possui três quartos de energia produzida em usinas hidrelétricas, portanto, dependemos de chuvas para manter níveis aceitáveis nos reservatórios responsáveis pela geração de eletricidade.

A demanda energética do país está crescendo mais do que a capacidade de produção. Com isso, se cria um problema estrutural na geração de eletricidade que ocasiona, ao passar do tempo, o aumento de tarifas do setor.

Reajuste na conta de luz

Segundo André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), um novo reajuste da ordem de 50% do valor da bandeira vermelha patamar 2 pode impactar um adicional de 0,33 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), deve anunciar em breve um reajuste de 50% no custo da energia, o que significa que haverá uma cobrança extra de R$ 14 por cada 100 kilowatts-hora consumidos. Em junho deste ano, a Aneel já havia anunciado um reajuste de 25%.

De acordo com Braz, se o reajuste for anunciado por parte da Aneel, a inflação prevista para 2021 será ainda mais pressionada. Segundo o último Boletim Focus, o IPCA deste ano deve fechar em 7,11%

“Se for confirmado, será o segundo reajuste de valor da bandeira 2, o que é uma distorção do sistema de bandeiras. Já existe uma diferença muito grande entre o valor da bandeira vermelha patamar 2 e o da verde. Como será quando for para voltar para a verde? Vai ter essa redução tão grande?”, questionou o pesquisador da FGV.

Como o Mercado1Minuto registrou aqui, uma medida provisória editada pelo presidente Jair Bolsonaro estabeleceu o adiantamento dos prazos dos pagamentos de tributos federais para as empresas distribuidoras de energia elétrica. Essa prorrogação é válida para o pagamento da Contribuição para PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e das contribuições previdenciárias referente às competências de agosto, setembro e outubro de 2021, passando a serem a cobradas apenas em dezembro deste ano.

Impacto do reajuste tarifário nas ações do setor energético

Embora o grande impacto seja nas tarifas da conta de luz, os investidores que possuem ações em empresas do setor também sofrem com a crise. No entanto, a pressão é diferente com relação aos reajustes ou aplicação de bandeiras tarifárias. A implicação nas ações depende dos motivos do aumento da energia.

Por exemplo, o aumento do preço da eletricidade, em tese, poderia trazer benefícios às empresas de geração de energia hidrelétrica, pois elevaria a expectativa de lucro do setor. Mas, na realidade, um reajuste tarifário geralmente é acompanhado de uma redução de consumo geral. Com isso, as ações do setor de geração hidrelétrica, podem ser prejudicadas com a queda do consumo.

No entanto, nos casos de companhias que oferecem serviços de usinas térmicas, como Eneva (ENEV3) e geradoras de energia solar e eólicas, os efeitos do aumento da tarifa de eletricidade são positivos. Isso porque, nestes períodos, as companhias do ramo costumam ser mais demandadas.

Os setores de transmissão e distribuição de energia são os que sofrem menos impacto com a elevação de preços. No entanto, distribuidoras que mantêm um contato direto com as geradoras, como Copel (CPLE6), Energia do Brasil (ENBR3) e CPFL (CPFE3), são mais impactadas.

As empresas que não dependem muito da geração, por exemplo: Equatorial (EQTL3), Energisa (ENGI11), Cemig (CMIG4) e Light (LIGT3) sofrem com uma pressão mais leve. As companhias de transmissão, como Taesa (TAE4) e Isa Cteep (TRPL4), não são tão influenciadas pela alta de variação de preços da eletricidade, por conta de suas receitas que não estão conectadas ao volume de energia que passam por sua rede.

Os maiores setores consumidores de eletricidade do Brasil são os siderúrgicos, de mineração e de saneamento. Portanto, o aumento da energia tem um impacto direto nas ações do setor. Dentre as empresas que participam do ramo estão: Vale (VALE3; VALE5), Sanepar (SAPR3; SAPR4; SAPR11), Sabesp (SBSP3), Casan (CASN3; CASN4) e Copasa (CSMG3).

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