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Com o IGP-M em alta, como se comportam os fundos imobiliários?

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Com o IGP-M em alta, como se comportam os fundos imobiliários? Freepik
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O IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), muito utilizado no reajuste dos contratos de aluguel no país, tem tido uma trajetória de alta nos últimos meses. No mês de agosto, o índice acumulava alta de 16,75% em todo o ano de 2021 e de 31,12% no acumulado de 12 meses.

Para o brasileiro que aluga um imóvel, é fundamental negociar o reajuste com a imobiliária ou com o locador ou até propor a troca do índice que reajuste esses valores anualmente.

No mercado financeiro, os Fundos Imobiliários também têm tudo a ver com o IGP-M. Será que a alta do índice afeta esse tipo de investimento?

Quando a alta é positiva

Atualmente, existem algumas opções de Fundos Imobiliários que protegem o investidor contra essa alta do IGP-M. Na verdade, em alguns casos, a alta do índice pode até ser benéfica para quem está investindo.

Um dos exemplos é o fundo de recebíveis, também conhecido como fundo de papel, que possui um portfólio composto sobretudo por títulos relacionados ao setor imobiliário, como, por exemplo, as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário). Nesse tipo de fundo, em vez de comprar imóveis, como acontece com os chamados “fundos de tijolo”, as gestoras investem em títulos.

Embora o Ifix, índice de Fundos Imobiliários, tenha registrado queda de 10,2% em 2020, a categoria de fundos de recebíveis continuou tendo um bom desempenho por representar um caminho entre a renda fixa e a renda variável.

“O fundo de recebíveis compra título de renda fixa lastreado no mercado imobiliário. Então é um fundo que vai comprar os títulos lá e entrega o IGP-M mais 2% ou mais 5% e por aí vai. É um título de renda fixa que vende IGP-M mais alguma coisa e a garantia é uma terra, um prédio, por exemplo”, explica Gabriel Henrique, assessor de investimentos da VLG Investimentos.

Quando a alta é negativa

É possível que os Fundos Imobiliários sejam afetados de forma negativa pela alta do IGP-M. Nesse caso, o impacto é indireto. Gabriel Henrique explica que uma abertura da curva de juros, principalmente a curva longa, poderia afetar os valores das cotas dos fundos imobiliários.

“O mercado pode estar precificando algumas medidas de política monetária que o governo vai ter que tomar lá na frente para controlar a inflação. Isso pode afetar as cotas dos Fundos Imobiliários, mas isso não muda muito o viés de renda, porque isso não impacta diretamente a renda, mas impacta a precificação das cotas. Ela poderia ter essa variação, mas a renda segue constante”, afirma.

Outro impacto negativo que os Fundos Imobiliários podem sofrer com a alta do IGP-M é o aumento no número de inadimplentes nos imóveis atrelados a eles, já que o índice reajusta alugueis e os novos valores podem fazer com que os inquilinos atrasem os pagamentos, por exemplo. Nesse caso, é importante que o investidor analise o Fundo Imobiliário no qual quer investir, a credibilidade, o histórico e os riscos que vai assumir ao comprar uma cota.

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Investir no longo prazo é fundamental

Assim como em todo investimento, quem tem cotas de Fundos Imobiliários precisa ter um plano de longo prazo para não cair na tentação de modificar suas aplicações sempre que o cenário do país mudar.

“O investidor precisa ter um plano concreto de longo prazo que não seja alterado toda vez que tiver alguma mudança no cenário econômico. Ele deve ter um plano estável e concreto. O investidor pode controlar os aportes conforme as melhores oportunidades do mês, mas sempre respeitando a política de investimento que ele definiu antes”, afirma Gabriel Henrique.

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