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Na era da digitalização, 16,7% das famílias ainda não têm acesso aos serviços financeiros

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Na era da digitalização, 16,7% das famílias ainda não têm acesso aos serviços financeiros Our team/Freepik
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O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou neste último mês que o uso de serviços financeiros como conta corrente, cartão de crédito, cheque especial e caderneta de poupança não fazem parte do cotidiano de 16,7% das famílias brasileiras.

Entre os serviços, a conta corrente é utilizada por dois terços dos lares (66,2%). Na sequência, aparecem a caderneta de poupança (55,9%) e o cartão de crédito (49,9%). O cheque especial, por sua vez, só está presente em 19,5% das famílias.

Mesmo com o avanço da digitalização devido a pandemia, ainda existem por volta de 34 milhões de brasileiros que não têm conta bancária ou a usam com pouca frequência. Um estudo realizado em janeiro pelo Instituto Locomotiva, mostrou que essa parcela de brasileiros movimenta, por ano, cerca de R$ 347 bilhões, o que corresponde apenas a 8% da massa de rendas no país.

De acordo com o Banco Central, a expansão do montante de papel moeda em poder do público passou de R$ 214,2 bilhões em março de 2020 para R$ 286,1 bilhões em fevereiro de 2021. O principal motivo desses movimentos foi o pagamento do auxílio emergencial, que incentivou a abertura de contas e aumentou o dinheiro em circulação.

Auxílio Emergencial

Em março de 2020, o mundo entrou em quarentena devido a pandemia causada pela Covid-19. Diversos governos responderam rapidamente com alívio econômico para famílias de baixa renda, que foi oferecido por meio de canais digitais para uma população não acostumada aos serviços financeiros digitais.

Uma pesquisa feita pela Mastercard no final do ano passado, mostrou que, após a criação de programas de auxílio no Brasil, no México, na Argentina e na Colômbia, mais de 17% da população não-bancarizada da América Latina ingressou no sistema financeiro em poucos meses.

De acordo com o Ministério da Cidadania, mais de 68 milhões de cidadãos foram beneficiados com o Auxílio Emergencial apenas no Brasil, um investimento de cerca de R$ 294 bilhões para pagamento das parcelas.

Mesmo com a digitalização no serviço financeiro, muitas pessoas ainda são apegadas ao dinheiro em espécie, e na maioria das vezes, os beneficiários transferem o auxílio emergencial para outra conta, para que possam sacar o valor integral.

“Em geral, as pessoas sacam o dinheiro por medo de cobranças de tarifas ou por uma desconfiança geral com relação ao banco. Elas não acreditam que seu dinheiro esteja seguro e acham que o banco ou o governo poderão, de alguma forma, tomá-lo de volta”, explica Marcelo Augusto, consultor de gestão do conselho executivo do governo da Caixa Econômica Federal, para a pesquisa desenvolvida pela Mastercard.

Para auxiliar os beneficiários que ainda tinham esse medo, a CEF divulgou, pela internet, diversos vídeos que explicavam como utilizar o aplicativo e todos os seus recursos. Para aqueles que precisavam de assistência nos serviços presenciais, os próprios caixas do banco ofereciam suporte.

Os programas de benefícios sociais relacionados à Covid-19 ajudaram a integrar financeiramente mais de 40 milhões de pessoas entre os quatro países pesquisados pela Mastercard. Já no Brasil a população sem acesso aos serviços financeiros teve uma redução de 73%.

A importância da inclusão financeira

Inclusão financeira vai além de apenas ter acesso ao sistema financeiro, é também a inserção da população na educação. Não é apenas a compreensão de processos bancários complexos, mas também a capacidade de entender as operações básicas realizadas em um banco, inclusive a cobrança de taxas, de juros e os riscos do endividamento.

A inclusão, além de trazer benefícios para o cidadão, também beneficia a sociedade brasileira como um todo, impactando as esferas sociais políticas e econômicas e refletindo em pilares de crescimento para o país. Com isso, os cidadãos conseguem ter acesso a serviços que antes eram algo complexo, como comprar on-line ou pagar contas, receber e enviar dinheiro sem se locomover.

Apesar de todos os danos econômicos que a pandemia trouxe para o país, milhões de pessoas que antes não sabiam o que era ter acesso aos serviços financeiros, hoje usufruem desse sistema.

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