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Alto índice do uso de Pix impulsiona inclusão bancária e BC anuncia novas regras do sistema

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Alto índice do uso de Pix impulsiona inclusão bancária e BC anuncia novas regras do sistema Shutterstock
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Lançado oficialmente em novembro de 2020, o Pix já mudou a forma que os brasileiros realizam seus pagamentos e transferências. Um dos maiores diferenciais desse sistema de pagamentos é a inclusão financeira, principalmente para quem nunca teve acesso a uma conta bancária, ou apenas preferia pagar e receber em dinheiro.

Uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Sebrae, mostrou que o Pix se tornou o segundo meio de pagamento mais utilizado no país. Com 70% de favoritismo, só fica atrás do dinheiro em espécie.

Além das vantagens mais conhecidas como disponibilidade 24 horas por dia, inclusive finais de semana e feriados, gratuidade e crédito imediato na conta de destino, mais pessoas passaram a ter uma conta bancária. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou, neste último mês, que o uso de serviços financeiros ainda não faz parte do cotidiano de 16,7% das famílias brasileiras.

”Com preços baixos, é natural que tenha inclusão. Lembrando que a inclusão e a digitalização foram beneficiadas pelo enorme processo de inclusão financeira que a gente fez na pandemia e o aumento do costume das pessoas de usarem os meios digitais", afirmou o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello.

O comércio também se beneficiou com o lançamento do Pix. Nesse meio de pagamento, o maior atrativo para os empreendedores é financeiro. Com a transferência instantânea e sem custos, eles contam com a economia das taxas de maquininhas e não precisam esperar para ter o valor disponível em suas contas, como no caso dos boletos e cartões de crédito.

Essa modalidade acaba diminuindo a necessidade de troco e traz mais segurança para o comércio, por ser uma operação totalmente digital e sem movimentação de dinheiro físico. Além da facilidade para controlar o fluxo de caixa, já que os valores ficam unificados em um único extrato.

Esses bons resultados têm atraído, além de novos adeptos para o sistema, a atenção de golpistas. A agilidade e facilidade do Pix tem servido também aos criminosos, já que permite movimentações rápidas e gratuitas a qualquer dia e horário. Pensando nisso, o Banco Central anunciou uma série de mudanças no Pix para tornar a operação mais segura. Entre as principais mudanças estão:

  • a redução no limite de transferência no período noturno;
  • prazo mínimo de 24h para aprovação de aumento do limite de transações;
  • cadastro prévio de contas que poderão receber Pix acima dos limites estabelecidos.

No dia 2 de setembro, o BC anunciou as regras do serviço de saque e troco em dinheiro com o Pix, que estarão disponíveis no comércio e em caixas eletrônicos a partir do dia 29 de novembro.

Pix Saque e Pix Troco

O Pix Saque irá funcionar de forma semelhante a um saque bancário tradicional. Para ter acesso ao dinheiro em espécie, basta que o cliente faça um Pix para o agente de saque, a partir da leitura de um QR Code mostrado ao usuário ou a partir do aplicativo do prestador do serviço. Dessa forma, a pessoa terá acesso ao dinheiro em notas. Estabelecimentos comerciais e caixas eletrônicos poderão oferecer o saque.

No caso do Pix Troco, a dinâmica será parecida. A única diferença é que o saque de recursos em espécie acontece junto com a realização de uma compra no agente de saque. Nesse caso, o Pix é feito pelo valor total (compra + saque). O extrato do cliente evidenciará o valor correspondente ao saque e o valor correspondente à compra.

Assim como as outras mudanças, o Pix Saque e o Pix Troco terão limitação de valor em R$ 500 durante o dia e R$ 100 entre 20h e 6h.

Os estabelecimentos comerciais, instituições financeiras com rede própria de ATM, terminais de autoatendimento, como caixas 24 horas e entidades que ofertam rede independente (compartilhada) de ATM poderão ofertar as novas modalidades do Pix.

Com os novos serviços, o cidadão terá mais opções de acesso ao dinheiro físico quando precisar, pois além de caixas eletrônicos, os saques poderão ser feitos em padarias, lojas de departamento ou supermercados.

”A facilidade de fazer saque a qualquer momento de forma gratuita em vários locais passa a ser grande incentivo para pessoa manter recursos na forma eletrônica, se precisar de dinheiro em espécie, de forma muito fácil ela vai conseguir", explicou o chefe da Gerência de Gestão e Operação do Pix do Banco Central, Carlos Eduardo Brandt.

Para Carlos Brandt, sem essa facilidade, a tendência é que as pessoas façam saque de valores maiores, guardem de forma desnecessária para quando aparecer situação que precise realizar pagamento em dinheiro.

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