clique para ir para a página principal

Evergrande: entenda o caso que derrubou bolsas de valores por todo mundo

Atualizado em -

 Evergrande: entenda o caso que derrubou bolsas de valores por todo mundo Sheng Xiexiao | AFP
► Crescimento dos preços ao produtor na China acelera e amplia as pressões econômicas► Riscos globais aumentam com a desaceleração econômica chinesa

Bolsa de valores do mundo todo foram afetadas, nesta segunda-feira, por conta de preocupações com a incorporadora chinesa Evergrande, que teve suas ações despencando 10% (os papéis chegaram a cair 19% no intraday) devido a temores sobre sua capacidade de pagar parte de sua dívida de US$ 305 bilhões que vence na próxima quinta-feira (23).

Nas últimas semanas, a crise de liquidez da Evergrande piorou desencadeando uma queda maior ainda nas ações e títulos de dívida da companhia.

A preocupação de profissionais que atuam no mercado financeiro é que ocorra um risco sistêmico neste caso da Evergrande, com impactos gerais para os setores de crédito e financeiro da China - segunda maior economia do planeta.

Analistas do Goldman Sachs recomendaram que as autoridades chinesas enviem uma "mensagem mais clara" sobre como planejam impedir que a Evergrande cause "impactos significativos" na economia global. O Citigroup disse que as autoridades podem cometer um "erro de política de controle excessivo". Economistas do Société Générale atribuem probabilidade de 30% de um chamado "pouso forçado".

Autoridades da China não deram garantias públicas de que exista algum plano comandado pelo estado para uma resolução da crise. Até o momento, a única ação prática do governo tem sido feita através do Banco Popular da China - com injeções de 90 bilhões líquidos de yuans no sistema bancário, na sexta-feira (17) passada, e outros 100 bilhões de yuans, no sábado (18).

A incorporadora tem aproximadamente US$ 300 bilhões em passivos. Respondendo por cerca de 16% das notas em circulação, a empresa é uma gigante no mercado de títulos de alto rendimento em dólares da China.

Nesta quinta-feira (23), cerca de US$ 83,5 milhões em juros de um título em dólares de cinco anos vencerá. O não pagamento em 30 dias pode figurar um default (quando o devedor não honra suas obrigações). A Evergrande precisa ainda pagar um cupom de 232 milhões de yuans (US$ 36 milhões) de um outro título onshore na mesma data.

A agência de classificação de risco Fitch analisa que algum tipo de não pagamento é "provável". O risco real de um calote do gigante do setor da construção chinesa ocasiona uma série de ameaças aos mercados internacionais.

Em linhas gerais, os primeiros impactos poderiam ser:

  • Parceiros comerciais do país podem ter suas atividades paralisadas em todo o mundo devido a um prejuízo ao financiamento de empresas chinesas;

  • Grande parte dos empréstimos bilionários tomados pela Evergrande foi feito através de bancos e instituições financeiras chinesas. Um calote generalizado pode causar insolvência de todo o sistema chinês de financiamento;

  • Após as restrições causadas pela pandemia do coronavírus, a construção civil desponta como um dos motores de emprego e para a retomada da economia chinesa. A Evergrande é segunda maior empresa do mercado imobiliário chinês;

  • O mercado de construções imobiliárias é um dos principais consumidores de commodities, como minério de ferro, entre outros materiais. Uma alta desvalorização nas cotações internacionais pode afetar diretamente países exportadores dessas matérias-primas, como o Brasil.

Relacionados:

► Crescimento dos preços ao produtor na China acelera e amplia as pressões econômicas► Riscos globais aumentam com a desaceleração econômica chinesa

Leia mais: