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Impacto das mudanças climáticas e falta de insumos aumentam preço da carne brasileira

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Impacto das mudanças climáticas e falta de insumos aumentam preço da carne brasileira Pexels
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Com a renda comprimida e o desemprego em alta, comprar carne vermelha para as refeições está pesando cada vez mais no bolso do consumidor brasileiro. A previsão do aumento nos valores ainda atinge outros tipos de fontes de proteína animal, como o frango, porco e até o ovo. Segundo os economistas, a inflação do segmento pode superar a marca de 10% no ano de 2021. Este aumento está muito acima da estimativa para a inflação oficial (IPCA), de 5,9%.

Em um levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), é estimado um aumento entre 10% e 15% no preço do frango. No entanto, o maior foco neste ano ainda continuará sendo no preço da carne de boi (17,6%), seguida da suína (15,15%), do frango (11,8%) e do ovo de galinha (7,6%).

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, os motivos do aumento da carne bovina se diferem das razões das outras proteínas. Enquanto os produtores de gado tiveram uma redução na produção e maior exportação, o aumento no preço do frango, do porco e dos ovos recai sobre os insumos para a criação dos animais.

"Se por um lado vemos os custos de grãos dobrarem no comparativo anual de diversas praças, por outro verificamos uma alta nos preços dos alimentos, que não conseguem acompanhar o aumento dos custos. Por isso, é inevitável que novas altas alcancem as gôndolas nos próximos meses”, explicou Ricardo Santin.

Em nota, a ABPA solicitou novas desonerações tributárias ao governo e a implementação de medidas que viabilizem importações de insumos com custos mais baixos. Conforme a associação, o milho e a soja, insumos básicos que representam 70% da produção, sofreram um aumento de mais de 100% e 60% em maio deste ano, respectivamente, em comparação ao período homólogo do ano passado. Essa situação acaba apertando as margens e trazendo problemas financeiros aos produtores.

"Temos pedido apoio ao Governo para reduzir os efeitos do quadro perverso de forte especulação que o país enfrenta, com oferta de insumos disponíveis, mas preços que impactam diretamente a inflação e a capacidade de compra do consumidor. Isto, justamente em meio à uma das mais fortes crises econômicas e sociais contemporâneas”, concluiu o presidente.

Impacto das mudanças climáticas na pecuária

De acordo com o assessor técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Nissen, uma das explicações para a alta do preço da carne bovina é a menor disponibilidade de gado para o abate, situação que vem acontecendo desde 2020, quando havia mais fêmeas sendo abatidas do que machos.

Além disso, ainda existe uma seca mais longa do que o normal que afeta diretamente o aumento no preço da carne, levando ao atraso na produção do boi de pasto. Sem a alimentação correta, o animal não consegue ter todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento da carne. Deste modo, o produtor acaba tendo que investir mais em suplementos para resolver o problema.

Segundo uma pesquisa da Universidade de São Paulo, o aumento da temperatura nos próximos anos pode afetar severamente o alimento do pasto. De acordo com o estudo, se as folhas também tiverem menos proteína e mais lignina (componente indigerível pelos animais) pode levar os bois a produzirem ainda mais metano no seu processo digestivo, assim contribuindo mais para as mudanças climáticas, tornando-se um ciclo vicioso.

Além disso, o aumento das temperaturas faz com que o gado precise de mais água para se refrescar, em um ambiente onde a oferta do líquido possa ser mais restrita. Diante desse cenário, os especialistas ressaltam que já é preciso mitigar as mudanças climáticas, melhorando o uso dos recursos hídricos para agropecuária e desenvolvendo dietas mais resistentes ao calor e à falta de água para os animais.

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