clique para ir para a página principal

Crise de energia na China atinge fábricas e demanda global; Tesla, Apple e Volkswagen são afetadas

Atualizado em -

Crise de energia na China atinge fábricas e demanda global; Tesla, Apple e Volkswagen são afetadas Washington Alves | Reuters
► Tesla lidera revolução no mercado automotivo e empresa já ultrapassa US$ 800 bilhões em valor► Brasil está entre os países mais sensíveis com desaceleração econômica chinesa, diz Wells Fargo

Economistas de todo mundo reduziram as previsões de crescimento da China para este ano, após a ampliação de uma crise de energia que tem afetado todo o país asiático - do funcionamento das fábricas às residências.

Ao mesmo tempo que a recuperação econômica chinesa aumentou a demanda, após o fim dos bloqueios por conta da pandemia da Covid-19, mineradoras e perfuradoras diminuíram a produção de carvão no país. A nova visão do presidente Xi Jinping de descarbonizar a economia, dando força a uma agenda ambiental, desestimulou a queima de carvão, que sempre foi uma fonte de energia barata e que subsidiou o crescimento econômico chinês ao longo de décadas.

A China se comprometeu a diminuir suas emissões de gases que aumentam o efeito estufa e atingir a categoria de país "neutro em carbono" até o ano de 2060.

Mais de 70% da geração de eletricidade do país é produzida através da queima do carvão, mas a nova política do governo chinês tem limitado o crescimento da mineração.

Além disso, com o atual aumento dos pedidos do exterior, a demanda por energia elétrica das fábricas chinesas disparou. Nos primeiros oito meses de 2021 a produção de carvão cresceu 6%, mas a produção de energia dos geradores a carvão aumentou 14% no mesmo período. O resultado foi uma queda acentuada dos estoques de carvão.

Em meio a este cenário, a China costuma aplicar um programa de racionamento, especialmente, para o setor fabril. Redes locais de energia por vezes programam cortes em centros de manufatura priorizando clientes urbanos durante períodos de pico de consumo energético.

Neste fim de setembro, por exemplo, a escassez ficou evidente quando algumas províncias do Nordeste da China fizeram um racionamento de serviços públicos e residenciais, mesmo após restrições ao consumo de energia pelas fábricas.

Tesla e Apple param produção por falta de energia

A produção em algumas fábricas chinesas foi suspensa por dias seguidos para o cumprimento da nova política energética do gigante asiático. Entre as unidades afetadas estão alguns fornecedores de produtos eletrônicos da Apple Inc (AAPL34) e Tesla Inc (TSLA34).

Duas pessoas familiarizadas com o racionamento disseram à Reuters que as instalações, em Kunshan, da fabricante contratada Foxconn, uma grande fornecedora da Apple, tiveram um impacto "muito pequeno" na produção.

Alguns comunicados recentes:

  • A fornecedora da Apple, Unimicron Technology Corp, informou na noite de domingo (26) que três de suas subsidiárias na China interromperam a produção do meio-dia de 26 de setembro até a meia-noite de 30 de setembro para "cumprir a política de limitação de eletricidade dos governos locais".

  • A Eson Precision Ind Co Ltd, uma afiliada da Taiwan Hon Hai Precision Industry Co Ltd (Foxconn), comunicou que suspendeu a produção de domingo até sexta-feira nas instalações na cidade chinesa de Kunshan.

  • A Concraft Holding Co Ltd, fornecedora de componentes de alto-falantes para o iPhone da Apple e que possui fábricas na cidade de Suzhou, que suspenderia a produção por cinco dias até o meio-dia de quinta-feira e usaria o estoque para atender à demanda.

  • Chipmakers United Microelectronics Corp (UMC) e Taiwan Semiconductor Manufacturing Co Ltd, informaram à Reuters que não houve impacto em suas fábricas na China.

Volkswagen paralisa fábrica em Taubaté

A partir desta segunda-feira (27) a Volkswagen começa mais um período de férias coletivas, pelo período de 10 dias, para 800 funcionários da fábrica de Taubaté (SP).

A montadora alega como motivo a falta de peças, principalmente semicondutores, que tem atrapalhado a produção dos veículos.

"A escassez de capacidades de semicondutores tem levado a vários gargalos de fornecimento em muitas indústrias globalmente. Isso também tem gerado problemas no abastecimento da indústria automotiva ao redor do mundo durante o ano de 2021. O resultado são adaptações em toda a indústria na produção de automóveis, o que também afeta as marcas do Grupo Volkswagen", informou a empresa em comunicado à imprensa.

Relacionados:

► Tesla lidera revolução no mercado automotivo e empresa já ultrapassa US$ 800 bilhões em valor► Brasil está entre os países mais sensíveis com desaceleração econômica chinesa, diz Wells Fargo

Leia mais: