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Pesquisa do Ipea mostra que desemprego recuou para 13,7% no Brasil

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Pesquisa do Ipea mostra que desemprego recuou para 13,7% no Brasil Jeso Carneiro/Flickr
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O desemprego recuou para 13,7% em junho, último mês do trimestre móvel iniciado em abril. Em março foi de 15,1%. Além do desemprego, o levantamento mostra que a taxa de desocupação dessazonalizada, que exclui os efeitos das variações sazonais do conjunto de dados temporais de junho (13,8%), é a menor apurada desde maio de 2020.

Esses são dados de um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta última segunda-feira (27). A pesquisa analisa o desempenho recente do mercado de trabalho, com base na desagregação dos trimestres móveis da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e em informações do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia.

O levantamento mostrou que o crescimento atual das contratações tem acontecido, principalmente, em setores que empregam mais mão de obra informal. Como o da construção, que registrou alta anual da população ocupada em 19,6%, a agricultura com 11,8% e 9% nos serviços domésticos.

A pesquisadora do Grupo de Conjuntura do Ipea, Maria Andréia Lameiras, disse em entrevista à Agência Brasil que o cenário melhorou e a ocupação está voltando com a redução do desemprego em um ambiente de aumento de PEA (População Economicamente Ativa).

”Todas aquelas pessoas que saíram do mercado de trabalho por conta da pandemia estão voltando a procurar emprego. Mesmo com essa população voltando, ainda assim a gente está conseguindo reduzir o desemprego porque a ocupação está subindo”, diz a pesquisadora.

A pesquisa mostra que no segundo trimestre deste ano, em comparação interanual, a expansão dos empregados no setor privado sem carteira atingiu 16% e a dos trabalhadores por conta própria, 14,7%. Baseado nos dados da PNAD Contínua, a alta do emprego no segundo trimestre se espalhou por todos os segmentos da população, se comparado ao mesmo período de 2020, mas teve destaque o crescimento da ocupação entre as mulheres (2,2%), trabalhadores com ensino médio completo (7%) e jovens (11,8%).

No entanto, alguns indicadores importantes mostram que outros aspectos do mercado de trabalho brasileiro permanecem em patamares desfavoráveis. De acordo com a pesquisadora do Ipea, a alta da ocupação tem ocorrido muito em cima da informalidade, o que não chega a surpreender porque foi o setor mais atingido pela pandemia.

O aumento do tempo de permanência no desemprego também é um dado preocuante. Os microdados de transição extraídos da PNAD Contínua para a realização do estudo do Ipea, mostraram que o percentual de trabalhadores desocupados, que estavam nesta situação por dois trimestres consecutivos, subiu de 47,3% no primeiro trimestre de 2020 para 73,2% no segundo trimestre de 2021. A situação se agrava com o recuo da parcela de desempregados que obteve uma colocação no trimestre subsequente de 26,1% para 17,8% no mesmo período.

Para Maria Andréia, a esperança é que o mercado de trabalho continue melhorando, mesmo com emprego informal, pois são esses serviços que vão puxar a economia nos próximos meses.

”Ainda que os dados do Caged, de fato, tenham mostrado um cenário melhor para o emprego formal, eles mostram, por exemplo, que a gente já superou o contingente de trabalhadores do mercado formal do início da pandemia, mas a PNAD ainda não. Pela PNAD, a gente ainda vai ver o mercado de trabalho puxado pela ocupação informal, com uma taxa de desemprego desacelerando lentamente”, finaliza Maria.

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