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Home office gerou economia de quase R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos

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Home office gerou economia de quase R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos Pexels
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Em agosto deste ano, o Ministério da Economia realizou um levantamento de quanto o teletrabalho na Administração Pública Federal economizou aos cofres públicos durante a pandemia da Covid-19. De acordo com a pesquisa, o trabalho remoto na Administração Pública Federal proporcionou uma redução de gastos de R$ 1,419 bilhão aos cofres governamentais, entre março de 2020 e junho de 2021.

Segundo o secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia, Leonardo Sultani, os valores poupados podem ser utilizados pelos órgãos públicos para o desenvolvimento de outras atividades, de modo a atender demandas dos cidadãos brasileiros.

O levantamento concluiu que as maiores reduções de custos foram registradas na compra de passagens e despesas com locomoção dos trabalhadores (R$ 512,6 milhões), nas diárias (R$ 450,2 milhões) e nos serviços de energia elétrica (R$ 393,9 milhões).

Aproximadamente 190 mil servidores do órgão ainda estão trabalhando remotamente, representando cerca de 32% do total de profissionais ativos do Governo Federal. De acordo com a pesquisa, os investimentos previstos na tecnologia vão permitir que o home office continue em algumas áreas, mesmo com o fim das restrições impostas pela Covid-19.

“Nós desenvolvemos, no segundo semestre de 2020, um programa de gestão que vai permitir que servidores continuem atuando de forma remota, de forma que consigamos realizar uma avaliação desses serviços com base no resultado alcançado pelos servidores”, afirmou Leonardo Sultani.

Segundo o Ministério da Economia, esse programa de gestão aumenta a produtividade e a qualidade das entregas e reduz as despesas como água, esgoto e energia elétrica. A partir disso, o órgão acredita que a iniciativa representa uma mudança de cultura ao substituir o controle de frequência por produtividade, contribuindo para o aprimoramento da qualidade do serviço público.

O outro lado da moeda

Embora o trabalho remoto tenha proporcionado uma economia de bilhões aos cofres públicos do governo federal, por outro lado, ele trouxe mais gastos aos trabalhadores. De acordo com um estudo de dois economistas da Universidade de Harvard, Cristopher Stanton e Pratyush Tiwari, quem adotou o home office costuma gastar 7% a mais do que quem vai à empresa trabalhar.

No entanto, o percentual aumenta no Brasil. Em uma pesquisa chamada “cesta home office” realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi levantado que o aumento das despesas com água, luz, celular, internet e alimentação durante o trabalho remoto pode ser de até 25%. Além disso, os custos com o teletrabalho chegam a representar 35% do orçamento familiar.

“Com certeza, eu senti o impacto nas minhas finanças trabalhando de casa, porque a gente gasta bem mais do que estando na empresa, mais energia, mais água, comemos mais… Então todos esses fatores que citei, tiveram um grande impacto para mim, principalmente por eu ser uma pessoa que mora sozinha, então eu não tenho ninguém para dividir as contas. Por mais que eu seja só e acabe consumindo uma quantidade menor que uma lar que constitui uma família com mais pessoas, querendo ou não o home office acaba pesando no bolso da mesma forma”, explicou a gerente de mídias sociais, Ingredy Lohane, em entrevista ao Mercado1Minuto.

De acordo com outra pesquisa feita pelo Instituto Datasenado, foi apontado que os profissionais que adotaram o home office trabalham mais do que horário normal e não ganham as horas extras, além de receberem mensagens e ligações relacionadas ao trabalho durante o período de descanso.

“Entre as coisas que mais pesaram no meu bolso, foi a energia e a alimentação, sendo que a parte alimentícia ainda se sobressai da elétrica. Isso se dá, inclusive, porque às vezes acabamos ficando ansiosos e comemos um pouco mais. Então, sem dúvidas, com a alta nos preços dos alimentos, o que mais pesou no meu bolso foi a alimentação”, pontuou Lohane.

Além disso, a gerente de mídias sociais ressalta que quando trabalhava presencialmente, a empresa proporcionava o almoço e um lanche no local, sendo um gasto a menos em suas finanças.

Digitalização de serviços públicos

Uma pesquisa publicada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) nomeada como “Transformação digital dos governos brasileiros: Satisfação dos cidadãos com os serviços públicos digitais nos estados e no Distrito Federal” concluiu que entre 60% a 70% dos entrevistados têm conhecimento da disponibilidade de serviços digitais do governo, porém metade não está satisfeito com essas ferramentas.

Como o Mercado1Minuto apontou aqui, de acordo com os resultados da pesquisa, as unidades federativas apresentam níveis de conexão à internet por Wi-Fi: em casa entre 72% e 93% e, pelo celular, entre 90% e 98%; níveis de adaptação da população ao mundo digital com pouca dificuldade, entre 80% e 96%; o grau de dificuldade de utilização dos serviços digitais estaduais varia entre 24% e 60%; a confiança na proteção de dados pessoais pelos governos estaduais varia entre 31% e 60%; e a satisfação com os serviços públicos digitais estaduais varia entre de 45% e 69% entre os entrevistados que afirmam conhecê-los, entre outros.

Em outra pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (Cetic) aponta que a demanda por digitalização no país é crescente. Segundo o estudo, já existem mais de 100 milhões de brasileiros que utilizam a internet, sendo que a principal via de conexão é através do celular.

Atualmente, o portal gov.br (site oficial do Governo brasileiro) oferece 4.137 serviços de 193 órgãos federais, dos quais 2.670 (64,5%) são totalmente digitalizados. O portal disponibiliza ainda 640 serviços (15,5%) parcialmente digitalizados, com etapas executadas no portal, mas que ainda exigem algum procedimento presencial, como a entrega de documentos. Por fim, existem 827 serviços não digitais (20%), que somente podem ser iniciados no site, mas exigem a presença física nas demais fases.

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