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Investimento em criptoativos deve ser discutido pelo Banco Central nos próximos meses, diz Bruno Serra

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Investimento em criptoativos deve ser discutido pelo Banco Central nos próximos meses, diz Bruno Serra Carol Carquejeiro / Valor
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De acordo com o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra, o investimento em criptoativos pelos brasileiro tem chamado atenção nos últimos tempos. Com isso, o executivo ressalta que o banco deve discutir sobre o tema nos próximos meses.

Em evento promovido pelo BTG Pactual, o diretor destacou que esse fluxo acumulado em criptoativos atingiu aproximadamente US$ 12 bilhões, com crescimento no período recente para patamares em torno de US$ 600 a quase US$ 800 milhões, ao mês.

"É um fluxo muito relevante. É algo que a gente está olhando aqui, acho que vai ser uma discussão importante nos próximos meses", disse o diretor no evento.

Para Serra, a título de comparação, o investimento por brasileiros em ações norte-americanas é de cerca de US$ 16 bilhões, sendo considerada uma classe de ativos superconsolidada. O executivo lembrou que, no caso dos papéis, o valor considera a marcação a mercado dos ativos. Ele diz que se isso for feito para os criptoativos, o número de US$ 12 bilhões “salta algumas vezes”.

Bruno também informou que o investimento em criptoativos tem crescido substancialmente a despeito do encarecimento do dólar.

"Imaginei que depois da depreciação de 35% em 2020, de 2020 para cá, esse fluxo iria diminuir, e na verdade ele não diminuiu, ele aumentou em 2020 um pouquinho e tem se acelerado em 2021 até o mês de julho, reduzindo um pouco o fluxo em agosto e setembro, mas aumentou e tem se acelerado", apontou o executivo.

Em relação ao investimento em portfólio por estrangeiros no Brasil, o diretor da BC afirma que o fluxo está positivo no ano até agosto. Para ele, os fatores como o ajuste dos juros básicos e o ciclo de commodities, podem ter contribuído para um bom cenário.

"O fato é que, pela primeira vez em muitos anos, a gente voltou a ter gringo aqui", disse.

Inflação

No mesmo evento, Bruno Serra afirmou que a inércia para 2022 deve ser mais alta por conta do nível final de inflação em 2021, previsto em 8,5% pelo Banco Central no cenário básico. No entanto, o executivo ponderou que não crê que os riscos são de alta relação ao cenário básico.

O diretor destacou que a inflação atual está muito impactada por item voláteis, como combustíveis e alimentos, que possuem baixa inércia, enquanto os preços de serviços, com alta inércia, tendem a ser afetados por um hiato maior do que antes da pandemia no mercado de trabalho.

Em relação ao ciclo de juros, Serra afirmou que a curva longa brasileira é tendenciosa a ser mais volátil e mais inclinada do que em outros países. Segundo o diretor do BC, em períodos de baixa da taxa básica de juros da economia, existe mais demanda por títulos pré-fixados e o Tesouro Nacional.

“Quando o ciclo inverte, os fundos têm que apostar em outros ativos. O Tesouro, então, tem que recomprar dívida, o que não é tão comum em outros países. É um vai e vem do ciclo de juros brasileiro, é sempre assim”, finalizou Bruno Serra.

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