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Entretenimento; após impacto da pandemia, a liberação gradual dos eventos reanima o setor

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Entretenimento; após impacto da pandemia, a liberação gradual dos eventos reanima o setor Piatrouski/Shutterstock
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O mercado de eventos e entretenimento foi um dos mais afetados pela pandemia, e agora, após quase dois anos, começa a retomar as atividades com o avanço da vacinação e de autorizações do poder público, sendo um dos últimos setores a iniciar a recuperação.

De acordo com a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), mais de 300 mil eventos foram cancelados apenas em 2020, o que significa uma queda de R$ 90 bilhões no faturamento do setor. Atualmente, 97 a cada 100 empresas da categoria, não estão funcionando.

A Time 4 Fun (SHOW3), empresa brasileira de entretenimento listada na bolsa de valores brasileira, também sentiu o impacto da crise durante a pandemia. No segundo trimestre de 2021, a companhia registrou uma redução de 41% na receita líquida em comparação ao mesmo período de 2020.

Sem promover nenhum evento de entretenimento neste período, a T4F registrou um prejuízo líquido ajustado de R$ 12,0 milhões no 2T21, 46% menor do que o prejuízo de R$ 22,3 milhões registrado no 2T20. A companhia ainda mostrou que o endividamento total foi de R$ 133,3 milhões.

”Durante o período de quase um ano e meio sem eventos, seguramos com rédea firme a companhia, cortando gastos no momento de escassez de receitas, realizando movimentos estratégicos, como o encerramento de operações que apresentavam resultado aquém do esperado, e expansão em novos mercados, com a aquisição da INTI (empresa focada na negociação de ingressos para o setor de entretenimento e cultura), por exemplo”, explica o CEO da T4F, Fernando Alterio.

A pandemia também impactou o trabalho da Samantha Lisboa, assessora de um dos integrantes do grupo Now United e produtora de eventos, ela diz que após vários projetos cancelados, teve que repensar em outra maneira para poder continuar trabalhando.

”A gente teve que parar, respirar e descobrir a melhor forma de se adaptar, além de pensar mais ainda em cada projeto para seguir com todos os protocolos de segurança, visando o bem estar de todo mundo, pois é um trabalho que o contato com outro é inevitável”, explica Samantha.

O Ministério da Economia apontou o setor de entretenimento como o mais impactado pela pandemia. Diversos profissionais do setor se viram sem renda e assim como em outros segmentos, essa indústria de shows e eventos precisou se reinventar durante esse período.

Lives como alternativa

As lives foram uma das alternativas encontradas pelo mundo do entretenimento para manter os artistas na ativa, além de oferecer aos fãs a oportunidade de lazer dentro de casa, em segurança.

Esse novo meio de lazer virou um sucesso durante a pandemia, os shows virtuais se tornaram cada vez mais elaborados e trouxeram uma nova fonte de faturamento para o setor, além de permitir o acesso da população que vive em cidades com pouca ou nenhuma programação cultural.

Foi graças aos números impressionantes alcançados pelos shows em plataformas digitais que a era das lives se concretizou. Os artistas brasileiros têm 4 das 5 maiores audiências mundiais do YouTube. Em primeiro lugar está a cantora Marilia Mendonça com mais de 3,31 milhões de visualizações simultâneas em 3 horas de show e o único artista internacional do ranking é Andrea Bocelli, com sua live transmitida diretamente da vazia Catedral de Milão, na Itália, que alcançou um pico de 2,8 milhões de pessoas.

Apesar do sucesso, com a expectativa para o retorno de eventos presenciais, esses shows digitais podem perder força e consequentemente não serão a principal fonte de renda de diversos trabalhadores do setor.

Retorno pós-pandemia

Depois de quase dois anos, a liberação dos eventos é a melhor notícia para o setor. A Prefeitura de São Paulo já havia liberado eventos culturais desde meados de agosto, e shows com público provavelmente voltarão em novembro. Já no Rio de Janeiro, os eventos em espaços abertos com até 500 pessoas foram liberados no meio de setembro.

Para Doreni Caramori Júnior, presidente da Abrape, o plano é voltar a operar com 50% da oferta regular do mercado nos próximos três meses. E em 2022, o objetivo é que 100% da programação de eventos tenha voltado, representando em média, 440 mil eventos no ano.

Pensando na retomada dos eventos, Fernando Alterio, CEO da Time 4 Fun, afirma que a companhia mantém contato com governos locais e artistas, para que possam recompor o pipeline (mapa das etapas que compõem o processo de vendas) de eventos da companhia, para eventos teatrais e shows ao vivo.

”Estamos preparados e ansiosos para voltar em breve a levar ao nosso público os melhores conteúdos. O crescente ritmo de imunização da população no Brasil reforçam nossas expectativas quanto ao retorno das nossas atividades de música ao vivo no início de 2022”, finalizou o CEO da T4F.

Mesmo com diversos planos para a retomada ainda neste ano, o setor poderá encontrar alguns desafios pela frente, como encontrar o equilíbrio dos custos gerados pelos protocolos sanitários e o retorno financeiro abaixo do esperado, provocado pelo limite de ocupação.

”Com a pandemia abrimos nossa mente, começamos a ter uma visão nova sobre muitas coisas, como a utilização de máscara e álcool gel, que nunca havíamos usado antes. Acho que as coisas não voltarão 100% como eram, mas as mudanças são válidas e devem continuar para que todos se sintam protegidos ao frequentar eventos e shows", finaliza Samantha.

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