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A dificuldade de reinserção dos mais velhos no mercado de trabalho

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A dificuldade de reinserção dos mais velhos no mercado de trabalho Pexels
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Com a pandemia da Covid-19, o mercado de trabalho sofreu um impacto muito grande, obrigando as empresas a optarem pela demissão de parte de seus trabalhadores, e um dos públicos afetados foi a faixa etária sênior. Atualmente, a taxa de desemprego no país segue em 14,7% e atinge 14,8 milhões de pessoas no Brasil, segundo o levantamento feito, em junho deste ano, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com uma pesquisa feita pelo IDados com base na Pnad Contínua, a alta de desemprego foi proporcionalmente maior para o grupo de 50 anos ou mais. Em 2020, no período da pandemia, o índice de desocupação trabalhista para esta faixa etária superou 7% pela primeira vez. Em um ano, do fim de 2019 até o fim de 2020, mais de 400 mil brasileiros com essa idade ficaram sem trabalho.

No mesmo período, a taxa de desemprego de cidadãos com menos de 24 anos passou de 15,1% para 31,4% e, para aqueles que possuem 25 a 49 anos, aumentou de 5,6% para 12,2%. Comparado a outras faixas etárias, o índice entre os mais velhos é mais baixo, pois essas pessoas em grande maioria já estão empregados ou já recebem algum tipo de renda, como aposentadoria ou pensão.

Em entrevista ao Mercado1Minuto, Edna Cruz de 55 anos, ex-vendedora, nos explicou um pouco sobre sua luta na relocação no mercado de trabalho.

“Realmente acho muito difícil me reingressar no mercado de trabalho, principalmente eu que já passei uns anos da metade da vida. Tenho três filhas, uma que acabou de entrar no ensino médio e outra que já está na faculdade. Se não fosse pela mais velha, não saberia como estaria minha situação hoje. Atualmente, a mais velha que está sustentando a casa com o estágio que ela conseguiu, até eu conseguir outro emprego, mas a coisa está bem difícil para mim”, disse Edna Cruz.

De acordo com Sandra Lia Simon, subprocuradora-geral do Trabalho, em cargos que exigem menos qualificação, há uma preferência por candidatos mais jovens, com mais preparo físico e com mão de obra mais barata.

“Eu recebo poucas ligações de processos seletivos, talvez seja porque eu não tenha tanta experiência quanto os outros candidatos ou também por conta da minha idade. Hoje, o mercado está focando mais em jovens com experiência e que possam ser moldados. Além disso, as empresas também acham que pessoas com a minha idade podem dar trabalho em relação à saúde”, ressaltou Edna.

No Brasil, o Estatuto do Idoso define como tal os indivíduos que têm 60 anos ou mais. No entanto, em outras políticas, como o Benefício de Prestação Continuada, o título é aplicado em cidadãos que possuem mais de 65 anos.

Em um levantamento publicado em 2015 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi apontado que o combate à discriminação etária deve ser uma resposta de saúde pública ao envelhecimento da população. A agência defende projetos para aumentar o conhecimento sobre envelhecimento e a aprovação de regulamentações contra a discriminação baseada na idade.

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