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Educação financeira entre crianças e jovens ganha novo rumo; matéria agora faz parte da BNCC

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Educação financeira entre crianças e jovens ganha novo rumo; matéria agora faz parte da BNCC Shutterstock
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Ensinar as crianças e os jovens a lidar com o dinheiro, mesmo que de forma básica, é um passo importante para que eles sejam capazes de organizar suas próprias finanças quando maiores. Além de ajudar nas tomadas de decisões, essa relação com o dinheiro pode estimular o autoconhecimento.

Por outro lado, no Brasil não vemos essa cultura de educação financeira muito presente. De acordo com dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 2015 e 2018, o grau de educação financeira dos brasileiros ainda está abaixo do desejável.

Pensando na falta da educação financeira nas escolas, no mês de agosto, o Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) divulgou um projeto para capacitação de professores do 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª série do Ensino Médio de escolas públicas municipais, estaduais e militares de todo o país. Com cursos gratuitos, através de uma plataforma online, os profissionais terão conhecimento para fazer com que temas como planejamento financeiro, gestão das finanças pessoais e investimentos façam parte do dia a dia de crianças e adolescentes.

Esse programa de incentivo à Educação Financeira tem como objetivo capacitar 500 mil professores nos próximos três anos. A CVM afirma que ao ensinar os professores, os alunos serão beneficiados e consequentemente suas famílias também terão acesso ao conhecimento financeiro.

"Damos hoje um passo inédito e importante na história de nosso país. Educação financeira é algo sério e deve ser estimulada. Esperamos formar cidadãos com mais conhecimento e responsabilidade na gestão de suas finanças", destacou o Ministro da Educação, Milton Ribeiro, no comunicado de lançamento do projeto.

Para Camilla Clemente, Head de Marketing da ConsigaMais+, por Neon, fintech de crédito consignado privado, a decisão é de se comemorar.

“Nós, que sempre levantamos as bandeiras da organização financeira e da democratização do acesso ao crédito, estamos felizes de saber que, desde cedo, nossas crianças terão a possibilidade de aprender a lidar com dinheiro, saber a importância de poupar e investir, além de ter mais consciência sobre suas escolhas de compras”, afirma.

A educação financeira agora está na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ou seja, a partir de agora, o tema que deve ser abordado de forma transversal nas diferentes aulas e projetos, fará parte dos assuntos que devem ser agregados às propostas pedagógicas das instituições de ensino do país,

“Isso significa avanço para o Brasil. Com as finanças nas escolas, em alguns anos, nossa cultura será diferente da atual. É um grande passo. É um começo para diminuirmos as desigualdades sociais e termos um futuro melhor”, completa Camilla.

No início deste ano o Mercado1Minuto entrevistou o Carlos Eduardo Costa, consultor financeiro e autor dos livros "Sim, dinheiro é assunto para crianças" e "Meu dinheirinho", e para ele, a maior dificuldade de ensinar finanças para os mais jovens está em temas que estão ligados às questões dos pais.

"Por exemplo, os filhos hoje em dia estão muito acostumados a ganhar, eles recebem presentes frequentemente por questões nossas. E a justificativa é que temos uma dedicação grande na nossa carreira para dar tudo o que o filho precisa, todo o conforto material e esse, muitas vezes, é um erro grande. É óbvio que os filhos precisam desse conforto material, mas, mais ainda, precisam do nosso apoio, carinho, presença e atenção. Não é possível compensar os filhos com o material, o efeito colateral dessa atitude é a criança se prender pouco a essas coisas”, explica o consultor financeiro.

Carlos afirma ainda que trabalhar a educação financeira dos filhos, para que eles sejam mais conscientes na sua relação com o consumo e com o dinheiro, traz um impacto positivo no dia a dia e na vida financeira da família, além de tornar a caminhada dos jovens mais fácil.

O Banco Mundial apontou resultados positivos após realizar um projeto piloto sobre educação financeira em escolas públicas de Ensino Médio. Houve um aumento de 1% na poupança dos alunos que participaram; 21% a mais dos jovens começaram a anotar os gastos do mês; 4% a mais tentam negociar preços e formas de pagamento nas compras.

Consequentemente, com a mudança no comportamento financeiro dos jovens, o dia a dia de suas famílias também foi afetado positivamente. A alteração ocorreu porque, até então, assuntos como orçamento, custos e planejamento financeiro não eram conversados e, após a implantação do projeto, passaram a fazer parte das conversas entre todos em casa.

Saiba mais sobre os desafios da educação financeira para crianças e jovens ouvindo a entrevista exclusiva com o autor e consultor financeiro, Carlos Eduardo Costa, em nosso podcast:

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