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Com reservatórios em níveis baixos, custo energético segue alimentando a inflação no Brasil

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Com reservatórios em níveis baixos, custo energético segue alimentando a inflação no Brasil Eduardo Torre | Pexels
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Nas últimas semanas o noticiário voltou a repercutir sobre a possibilidade de uma crise energética no Brasil, os impactos econômicos para atender a demanda atual e evitar a falta de luz na casa dos brasileiros e na produção das indústrias.

De acordo com a última projeção do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), estatal que coordena a geração e transmissão de energia no país, a produção de eletricidade no Brasil "deverá ser insuficiente para atender a demanda já a partir de outubro".

"Continuamos dependentes do período de chuvas, que começa agora em novembro e vai até março. Estamos entrando neste período com o nível dos reservatórios muito baixo. Então, se tivermos um nível de chuvas muito abaixo da média histórica, vamos correr risco de ter racionamento. A parte de custos já estamos sentindo. O custo de produção da eletricidade já foi aumentado dramaticamente. Eu acho que vai continuar alto esse preço ao longo de todo o ano que vem, independente do cenário de chuvas", avalia Marcos Mollica, gestor do Opportunity.

Na busca por uma solução energética, o governo brasileiro tem importado energia da Argentina e do Uruguai. Além disso, acionou mais usinas termelétricas (movidas a combustíveis fósseis). Mas elas têm capacidade de produção limitada (atualmente geram 21% da energia no Brasil) e são bem mais caras do que outras fontes. Enquanto um megawatt-hora (MWh) de energia gerado em hidrelétrica, por exemplo, custa em média R$ 183, as termelétricas chegam a ser de três a cinco vezes mais caras.

Mesmo que o Brasil mantenha distante a possibilidade de blecautes nos próximos meses, entrará em 2022 com uma grande pressão de aumento de preços. O resultado é o aumento da inflação, já que o custo da energia está embutido no valor total de qualquer bem que consumimos no dia a dia.

"O problema da inflação vai ser acentuado porque a parte de combustíveis e de energia são componentes importantes em todos os índices de preços. No Brasil, estamos vendo isso. A gasolina aumentou 7%, na semana passada, mas ainda está com uma defasagem. Em produtos que têm pouca elasticidade da demanda, a inflação acaba sendo um 'imposto' regressivo em cima da renda do trabalhador. E acaba produzindo um crescimento mais baixo de toda a economia", explica Marcos Mollica.

Bandeira "Escassez Hídrica"

Segundo a secretária-executiva do Ministério de Minas e Energia, Marisete Dadald, o governo brasileiro e a reguladora Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) já estudam como solucionar o descasamento financeiro das distribuidoras, já que a bandeira tarifária “Escassez Hídrica” não está sendo suficiente para cobrir os custos pagos pelo país para garantir a segurança energética.

De acordo com Dadald, os gastos do Brasil para o abastecimento elétrico, em meio à maior seca nos reservatórios de hidrelétricas em 90 anos, foram mais altos do que o estimado por conta de um aumento dos preços dos combustíveis em todo o planeta.

Com isso, as distribuidoras estão enfrentando maiores custos no pagamento de térmicas e só receberiam um retorno no reajuste tarifário do ano que vem.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na quinta-feira (14), que vai determinar ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a reversão da bandeira "escassez hídrica", taxa adicional cobrada sobre a conta de luz dos brasileiros.

"Dói a gente autorizar o ministro Bento decretar bandeira vermelha, dói no coração, sabemos as dificuldades da energia elétrica. Vou pedir para ele… Pedir, não, determinar a ele que volte à bandeira normal a partir do mês que vem", disse o chefe do Executivo no evento Conferência Global 2021 - Millenium, organizado por evangélicos.

No mesmo dia, Marcos Madureira, presidente da Abradee (entidade que representa as distribuidoras de energia), em conversa com jornalistas, defendeu que a entrada de térmicas de maior custo operacional inviabilizou que a bandeira tarifária da escassez hídrica fosse suficiente para cobrir as operações das usinas movidas a combustíveis no lugar das hidrelétricas, afetadas com o baixo nível de seus reservatórios.

De acordo com Madureira, o valor da taxa extra nas contas de luz não dará conta de cobrir os custos operacionais embutidos nas térmicas com a elevação dos preços dos combustíveis. O executivo disse que, em encontros a portas fechadas com a Aneel, soluções estão sendo apresentadas, mas só a agência poderá analisar e executar medidas para desonerar as operações das empresas de distribuição de energia no país.

"A gente vem discutindo com a Aneel que tipo de solução tomar para que o consumidor não tenha mais impacto [com a conta de luz]", afirmou o presidente da Abradee.

Podcast +Q1Minuto

Em entrevista exclusiva ao nosso podcast nesta semana, Marcos Mollica, gestor do Opportunity, falou a respeito do cenário atual com o alto custo energético para o país, o impacto disso na inflação brasileira e pontuou as perspectivas econômicas para o próximo ano eleitoral no Brasil. Saiba mais ouvindo a íntegra do programa abaixo.

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