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Para pagar Auxílio Brasil, Paulo Guedes admite que pode usar dinheiro fora do teto de gastos

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Para pagar Auxílio Brasil, Paulo Guedes admite que pode usar dinheiro fora do teto de gastos Paulo Negreiros | CNDL
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu nesta quarta-feira (20) que pode usar R$ 30 bilhões fora do teto de gastos para conseguir pagar os R$ 400 do Auxílio Brasil, programa social que vai substituir o Bolsa Família. Além do aumento no número de beneficiados, o governo decidiu aumentar de R$ 300 para R$ 400 o valor do pagamento.

Por causa das mudanças, o auxílio tem sido foco de debates nos últimos dias, já que há um risco de o governo furar o teto de gastos e cometer crime de responsabilidade fiscal. O Ibovespa, inclusive, tem sido impactado pelas incertezas geradas pelo tema nesta semana.

"É um enorme esforço fiscal, e o que nós temos discutido aqui é como é que nós podemos fazer isso dentro de toda a estrutura fiscal que nós temos hoje", disse.

Em evento promovido pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Guedes afirmou que o governo pode pedir um “waiver” (perdão temporário) do teto de gastos para tornar viável o novo programa social.

“Como nós queremos essa camada de proteção para os mais frágeis, nós pediríamos que isso viesse como um waiver, para atenuar o impacto socioeconômico da pandemia. Estamos ainda finalizando, vendo se conseguimos compatibilizar isso”, explicou o ministro.

Guedes rebateu as críticas de que o governo estaria implantando medidas populistas em um ano pré-eleitoral.

“Queremos ser um governo reformista e popular. Não populista. Os governos populistas estão desgraçando seus povos na América Latina. Continuaremos lutando por reformas. Quem dá o timing [o tempo] é a política”, ressaltou.

Apesar de admitir que pode tirar dinheiro fora do limite do teto, o ministro enfatizou que a equipe econômica e o governo têm compromisso fiscal e indicou que há a possibilidade de pedir ao Congresso a antecipação da revisão do teto de gastos, previsto para 2026.

“O compromisso fiscal continua. Estávamos estudando se faríamos uma sincronização de despesas, que são salários que seguem um índice, e o teto de gastos, que segue outro índice. Seria uma antecipação da revisão do teto de gastos, que está para 2026”, destacou.

Em outro evento, também realizado nesta quarta, Paulo Guedes culpou a demora na aprovação da reforma do Imposto de Renda pela dificuldade em bancar o Auxílio Brasil. Segundo ele, com o fim do auxílio emergencial, o governo precisa inserir um benefício para a população mais vulnerável e está tendo que encontrar uma forma de bancar o programa.

"Como não avançou no Senado o IR, é natural que o governo fique impaciente porque ele precisa cuidar dessas camadas mais vulneráveis. Vai se extinguir agora no fim deste mês o auxílio emergencial, e a gente não podia deixar desprotegidas as famílias mais vulneráveis. A fonte era a taxação sobre lucros e dividendos. Eu não achei inteligente fazer lobby contra a reforma do Imposto de Renda, mas é da democracia", afirmou Guedes durante a abertura do evento Melhores e Maiores 2021, da revista Exame.

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