clique para ir para a página principal

Brasil tem deficit em transações correntes de US$ 1,699 bilhão em setembro, aponta BC

Atualizado em -

Brasil tem deficit em transações correntes de US$ 1,699 bilhão em setembro, aponta BC Shutterstock
► Investimento em criptoativos deve ser discutido pelo Banco Central nos próximos meses, diz Bruno Serra► BC continuará subindo taxas enquanto a inflação continuar em alta, diz Fabio Kanczuk

Segundo um levantamento apresentado pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (22), o Brasil teve um déficit em transações correntes de US$ 1,699 bilhão em setembro, por conta da diminuição do superávit da balança comercial. Deste modo, o rombo em transações correntes em 12 meses aumentou a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB), de 1,22% em agosto.

O resultado foi pior que o déficit de US$ 1,553 bilhão esperado pelos analistas da economia. Em relação aos investimentos diretos no país (IDP), alcançaram US$ 4,495 bilhões, também abaixo da estimativa do mercado de US$ 5 bilhões.

Em setembro, o saldo da balança comercial ficou positivo em US$ 2,461 bilhões, queda de 43,6% sobre o período homólogo do ano passado, com o aumento na ponta das importações (+58,2%) superando o observado nas exportações (+33,9%).

O desempenho acabou "embaçando" a melhora que ocorreu no déficit da conta de serviços, que recuou a US$ 1,357 bilhão de US$ 1,747 bilhão em setembro de 2020, por conta das despesas líquidas de aluguel de equipamentos, diante da nacionalização de material no âmbito do Repetro (regime aduaneiro especial que permite a importação de equipamentos específicos para atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural).

Os gastos líquidos com viagens internacionais subiram a US$ 237 milhões, em comparação aos US$ 138 milhões do ano passado, mas ainda permaneceram em patamares baixos devido à pandemia da Covid-19.

Segundo o levantamento, a conta de renda primária também melhorou, embora com menor ímpeto. O déficit passou a US$ 3,073 bilhões, de US$ 3,169 bilhões em setembro do ano passado. No mês, a remessa de lucros e dividendos ficou praticamente estável em US$ 1,961 bilhão ante a US$ 1,915 bilhão no mesmo mês do ano passado.

Para outubro, o Banco Central estimou um déficit em transações correntes de US$ 4,2 bilhões e IDP de US$ 4 bilhões. Segundo a instituição, até o dia 19 deste mês, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 1,209 bilhão.

No último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em setembro, o BC baixou sua visão para o déficit em transações correntes no ano a US$ 21 bilhões, comparado ao superávit de US$ 3 bilhões projetado em junho, com influência de importações ligadas ao regime Repetro e pela compra criptoativos pelos brasileiros.

No acumulado de janeiro a setembro, o rombo é de US$ 8,082 bilhões, ante o déficit de US$ 13,303 bilhões no mesmo período de 2020.

Relacionados:

► Investimento em criptoativos deve ser discutido pelo Banco Central nos próximos meses, diz Bruno Serra► BC continuará subindo taxas enquanto a inflação continuar em alta, diz Fabio Kanczuk

Leia mais: