clique para ir para a página principal

Investimento alternativo: entenda como os royalties musicais funcionam

Atualizado em -

Investimento alternativo: entenda como os royalties musicais funcionam Wirestock/Freepik
► Relatório do Ecad mostra efeito da pandemia no mercado de shows► Entretenimento; após impacto da pandemia, a liberação gradual dos eventos reanima o setor

Já imaginou lucrar toda vez que alguém desse o play em alguma música? Recém-chegado ao Brasil, os investimentos em direitos autorais permitem que os interessados lucrem com os royalties musicais toda vez que uma música é tocada, seja em shows ou em plataformas digitais como o Spotify (S1PO34), Deezer ou YouTube.

Presente desde 2020 em nosso país, esse modelo de operação tem atraído quem procura investimentos alternativos e, principalmente, para aqueles que enxergam a música como uma maneira de incrementar e diversificar suas aplicações.

Antes de tudo, é importante entender que a classe de investimentos alternativos onde os royalties estão inseridos são todos aqueles que, na maioria das vezes, não são oferecidos por bancos ou corretoras, ou seja, estão fora do radar do mercado financeiro. Alguns exemplos são:

investimentos alternativos.png

Os royalties ganharam espaço na carteira dos brasileiros há pouco tempo, após o surgimento das primeiras plataformas de crowdfunding de investimento (financiamento de uma iniciativa a partir da colaboração de um grupo) e da regulação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Como funcionam os investimentos em royalties

Uma forma pelo qual esse tipo de investimento pode ser realizado é através da Hurts Capital, a primeira empresa brasileira a estruturar operações com royalties musicais. A plataforma atua por meio da venda de Cédulas de Crédito Bancário (CCB) vinculadas aos investimentos alternativos

Para investir nesse setor, os interessados devem desembolsar pelo menos R$ 10 mil, que é o valor mínimo para o investimento na fintech, que tem uma lista com mais de 20 mil composições e gravações de músicos brasileiros que recebem o montante captado na venda dos CCBs, e em troca, cedem para a empresa o direito de receber os royalties musicais gerados a partir da execução e reprodução das músicas.

Então, sempre que uma música desse catálogo é reproduzida, seja em show, apresentações na TV, no rádio ou em plataformas de streaming, o ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) recebe os royalties que iriam para os artistas e envia à Hurst e aos investidores, que se tornam os verdadeiros proprietários intelectuais das obras durante um período determinado.

Até julho deste ano a empresa já havia captado cerca de R$ 10 milhões em 28 operações de música envolvendo artistas dos mais variados ritmos musicais, como Paulo Ricardo com a música “Vida Real”, clássico do RPM, que abre o programa “Big Brother Brasil” desde a primeira edição, “Downtown”, da cantora Anitta, que rendeu aos donos dos royalties dessa música mais de R$ 9 milhões, “Parado no Bailão” do MC Gury e MC L da Vinte e até canções interpretadas pela banda Calcinha Preta como “Manchete”, “Mágica” e “Cobertor”, que somam mais de 945 mil ouvintes por mês apenas no Spotify.

Esses números reforçam cada vez mais como as plataformas digitais mudaram a forma de fazer dinheiro através de música. Segundo a previsão da Goldman Sachs (GSGI34), a receita total de streaming pode chegar a mais de US$ 37 bilhões no ano de 2030, contando com mais de 1,10 bilhão de usuários.

Além de ser uma alternativa para quem busca diversificação, esse tipo de operação também é uma opção para a classe artística garantir sua renda, já que durante toda a pandemia causada pela Covid-19, todos os shows e apresentações foram canceladas.

Investimentos no setor de entretenimento

Durante este período de pandemia em que o setor de entretenimento foi afetado, os fundos de recebíveis de direitos creditórios (FIDC) foram uma das alternativas encontradas tanto para quem investe, como para os artistas.

O cantor Gusttavo Lima movimentou o mercado musical e financeiro após anunciar a antecipação de direitos de 192 shows que acontecerão em 2022. O valor do investimento foi de R$ 100 milhões e o artista já recebeu um adiantamento de sua parte. Cada show foi negociado por R$ 520 mil e devem ocorrer em até seis meses, a contar do próximo ano, mas o fundo tem prazo de duração de três anos.

A XP Investimentos, através da sua plataforma XP Asset, concluiu neste ano a rodada de captação de um FIDC sobre 1.400 shows de vários músicos brasileiros que ocorrerão no pós-pandemia como dos cantores Daniel, Alexandre Pires, Seu Jorge, Maurício Manieri, os grupos Raça Negra e Roupa Nova e a dupla Bruno e Marrone. O valor levantado pelas apresentações ficou em torno de R$ 260 milhões.

Riscos

Os retornos dos royalties são pagos aos investidores periodicamente de acordo com a performance das músicas, ou seja, quanto mais tocarem, maior será o retorno. De acordo com a Hurts, a operação tem um retorno esperado de 15% ao ano, mas em um cenário pessimista, pode ficar em 10,73% ao ano,

Em contrapartida existem riscos nesse tipo de investimento, as obras arrendadas podem parar de fazer sucesso e automaticamente não será mais executada nas plataformas, deixando de recolher os royalties. As mudanças que atrapalhem o retorno de eventos culturais também podem afetar e retardar o crescimento das músicas.

Os jingles, vinhetas e músicas de abertura também podem trazer riscos, caso sejam substituídos deixarão de ser tocados completamente. Outra forma prejuízo é pirataria, que também pode reduzir as receitas e trazer alterações nas taxas quando os royalties forem distribuídos.

Relacionados:

► Relatório do Ecad mostra efeito da pandemia no mercado de shows► Entretenimento; após impacto da pandemia, a liberação gradual dos eventos reanima o setor

Leia mais: