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Capacidade de se adaptar aos ciclos econômicos é fundamental para o investidor

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Capacidade de se adaptar aos ciclos econômicos é fundamental para o investidor Freepik
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O cenário econômico do país mexe com o bolso de todos os brasileiros. Para quem investe, surge uma preocupação a mais: será que devo mexer no meu dinheiro agora?

Em tempos de inflação crescente e alta de juros, é preciso manter a calma. O investidor deve ter em mente, em primeiro lugar, que os ciclos econômicos vão acontecer e mudar constantemente. A cada novo governo ou a cada acontecimento importante que impacta a economia mundial, um novo ciclo se inicia e, com ele, novos riscos e oportunidades.

Como "surfar" pelos ciclos econômicos sem a preocupação de colocar tudo a perder? A resposta está no planejamento, na diversificação e no estudo constante do cenário econômico.

"O investidor tem sempre que imaginar que existe alguma forma de ganhar dinheiro em determinados períodos. Para o investidor, subir ou cair juro não necessariamente significa mais ou menos retorno. ele precisa se adaptar àquele cenário e quando a gente fala de ciclos econômicos, isso sempre vai acontecer", explica Eliakim Lemos, Head da Mesa de Produtos da VLG Investimentos.

O investidor que pensa no longo prazo sabe que diversificar sua carteira é fundamental. Com aplicações diferentes, a chance de ser atingido de forma decisiva por um ciclo econômico complicado diminui, já que existem várias opções de rentabilidade disponíveis na carteira.

"A diversificação é a melhor saída para todos os ciclos econômicos. Se você quiser acertar todos os ciclos, é bem provável que você vai acabar não acertando a maioria, mas se você faz uma diversificação aumentando ou diminuindo a exposição conforme os ciclos, a probabilidade de você acertar e ganhar dinheiro no tempo é muito maior", enfatiza Eliakim.

Pandemia

A pandemia do coronavírus, decretada em março de 2020, deu início a um efeito cascata na economia do Brasil e do mundo por causa das medidas restritivas que fecharam empresas, comércios e, por consequência, geraram desemprego e perda de poder de compra da população.

Por aqui, a decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, durante o pico da crise para estimular a economia acabou resultando em uma inflação alta. Agora, com a pandemia mais controlada, o Banco Central aumenta a taxa Selic para tentar conter a inflação.

A última estimativa do Boletim Focus, divulgada no dia 18 de outubro, aponta que a Selic deve fechar o ano de 2021 em 8,25% ao ano.

Mesmo em um cenário de inflação alta e aumento de taxa de juros, o investidor pode tirar algo de positivo para as suas aplicações. Uma das opções é inserir na carteira títulos pós-fixados, que dão maior segurança nesse tipo de cenário, como Tesouro Selic, Fundos DI e CDBs pós-fixados.

Conheça a economia e a política do país

Estar por dentro dos acontecimentos no cenário econômico e político nacional também é muito importante para que o investidor saiba exatamente quando agir em relação aos seus recursos. Notícias que mexem com o mercado financeiro devem estar sempre no radar dos investidores.

Nos últimos dias, por exemplo, o mercado acompanha de perto as atitudes do governo brasileiro em relação ao cumprimento da lei de responsabilidade fiscal. Para pagar o Auxílio Brasil, benefício que vai substituir o Bolsa Família, a equipe econômica liderada por Paulo Guedes admite usar recursos além do teto de gastos.

A possibilidade assusta o mercado porque uma eventual quebra da legislação pode desestabilizar ainda mais a economia brasileira, com descontrole nos gastos públicos que já estão prejudicados pela pandemia. Além disso, descumprir a lei de responsabilidade fiscal é crime e pode colocar o atual governo em situação delicada no Congresso.

Diante do susto do mercado e das incertezas em relação à política econômica em ano pré-eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes fizeram pronunciamento juntos negando que o governo vá quebrar as regras fiscais. O movimento foi feito para acalmar os ânimos do mercado e dar segurança em relação aos próximos passos da equipe econômica.

A proximidade das eleições de 2022 também deixa a situação ainda mais delicada. Se haverá uma reeleição ou se começará um novo governo, a postura política de quem comanda o país também mexe diretamente com o mercado financeiro.

Como afirma Marcos Mollica, gestor do Opportunity, a demanda por gastos sociais aumenta enquanto os políticos pensam na disputa eleitoral do ano que vem.

"Eu acho que estamos tendo dificuldade em passar uma credibilidade fiscal mais assertiva. A gente abriu a caixa de pandora do fiscal durante a pandemia e está tendo dificuldade de fechá-la. Isso tem um pouco a ver com o cenário de aproximação do ano eleitoral, uma disputa eleitoral que deve ser bastante apertada. Os políticos já estão com o olho em 2022, no processo eleitoral. Acho que isso deixa o cenário mais complicado e a demanda por gastos sociais aumenta", explica.

Para ouvir a entrevista completa com Marcos Mollica no +Q1Minuto, clique no player abaixo.

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