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Aprendendo com os próprios erros

Coluna de

Leonardo Milane

Atualizado em -

Aprendendo com os próprios erros Envato
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"Nosso Vice-Presidente, Charlie Munger, sempre enfatizou o estudo de erros em vez de sucessos, tanto nos negócios quanto em outros aspectos da vida. Ele faz isso no espírito do homem que disse: ‘Tudo que eu quero saber é onde vou morrer para nunca ir lá.’ Você verá imediatamente por que formamos uma boa equipe: Charlie gosta de estudar erros e eu gerei um amplo material para ele, especialmente em nossos negócios têxteis e de seguros”, Warren Buffett, no Relatório Anual da Berkshire Hathaway de 1985.

Acertar mais do que errar. E aprender com nossos próprios erros. Parece fácil, mas não é, principalmente quando se trata da gestão dos nossos investimentos.

Peguemos como exemplos o churrasco do final de semana, ou aquela conversa de bar com os amigos. O bate-papo vai de futebol à política, e cedo ou tarde aterrissa no campo das finanças pessoais. Pode reparar: as pessoas passam boa parte do tempo expondo seus acertos (“comprei tal ação e subiu muito!”; “comprei um fundo mágico: a cota só sobe!”; “minha carteira de criptomoedas está me deixando rico!”; etc…). É muito difícil ouvir alguém confessando um erro. Normal sob a ótica do comportamento humano. Preocupante sob a ótica do investidor.

“I once had a ski instructor who had taught Michael Jordan, the greatest basketball player of all time, how to ski. He explained that Jordan enjoyed his mistakes and got the most out of them. At the start of high school, Jordan was an unimpressive basketball player; he became a champion because he loved using his mistakes to improve. Yet despite Jordan’s example and of countless other successful people, it is far more common for people to allow ego to stand in the way of learning”, Ray Dalio.

O maior aprendizado vem da reflexão dos nossos próprios erros: porque erramos ao investir em determinado ativo, por quanto tempo permanecemos errados, e qual foi o tamanho do erro. A autoavaliação feita com base apenas nos acertos pode nos levar à miopia, ao excesso de confiança, e a construção de posições muito grandes em poucos ativos (por vezes, alavancando). Podemos citar 3 padrões autodestrutivos e amplamente debatidos pelos especialistas em Finanças Comportamentais.

  • 1) Porque erramos: alguma mudança do cenário macroeconômico (doméstico ou global), e/ou no cenário político, e/ou na mudança dos fundamentos específicos de determinado ativo. Aqui cabe a seguinte reflexão: não existe investidor, analista ou gestor que acerte 100% das alocações de seus investimentos. Cuidado com charlatanismo, promessas de retorno gigantescos em curto espaço de tempo e investimentos em ativos que sejam difíceis de explicar. Se você acertar 70-80% das vezes em que escolhe um investimento, parabéns: considere-se dentre de um seleto (e excelente) grupo de investidores. A médio e longo prazos, é normal errar 20-30% das vezes em que uma alocação é feita.

  • 2) Tempo de insistência no mesmo erro: existe uma linha tênue entre ter visão de longo prazo (e não se abalar com uma desvalorização circunstancial de determinado ativo), e não cortar o mal pela raiz rapidamente na ocorrência de uma mudança estrutural na tese de investimento de determinado ativo. Não se apegue a máxima do “eu não realizo prejuízo”. E também não realize um prejuízo assim que o ativo começar a se desvalorizar. Cada caso é um caso. O papel do especialista em investimentos é crucial para ajudar no processo de tomada de decisão do investidor menos experiente.

  • 3) Tamanho do erro: considerando o item 1 acima (errar um investimento com alguma frequência é normal), erre pequeno e acerte grande. Parece simples, mas carece de disciplina e conhecimento. Como sugestão, nunca monte uma posição muito grande em 1 único ativo de uma só vez. Compre aos poucos. E tenha a disciplina de acompanhar a dinâmica do ativo ao longo do tempo (ou tenha alguém que acompanhe para você, e possa te atualizar com alguma frequência).

“Eu aprendi que todo mundo comete erros e tem fraquezas e uma das coisas mais importantes que diferencia as pessoas é a maneira como elas lidam com isso”, Ray Dalio.

Na VLG Investimentos esse assunto é tratado a sério, e fazemos questão de expor isso internamente e para nossos clientes. Nossos processos de Governança Interna pré-estabelecem a realização de um Comitê de Alocação mensal onde debatemos, dentre vários assuntos, quais foram nossos erros no mês anterior. Nossos economistas e analistas de mercado realizam um autojulgamento, a fim de melhorarmos nossa assertividade em relação ao que está sendo sugerido para nossos clientes. Acreditamos que assertividade no mundo dos investimentos não diz respeito apenas a maximizar retornos, mas sim buscar uma relação retorno-risco-liquidez equilibrada, evitando riscos desnecessários e grandes perdas, e respeitando o perfil de risco de cada cliente. Tratar cada cliente de maneira individualizada, utilizando conceitos de educação financeira de maneira lúdica e ferramentas analíticas de planejamento financeiro, é a melhor forma de alinhar expectativas e minimizar frustações futuras.

Leonardo Milane é Sócio e Economista da VLG Investimentos.

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