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Guedes: inflação ficará acima da previsão, mas crescimento também será maior

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Guedes: inflação ficará acima da previsão, mas crescimento também será maior Wilson Dias/Agência Brasil
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Na quarta-feira (17), ao participar de evento online promovido pelo Bradesco BBI, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a resiliência da inflação será o grande problema da economia brasileira em 2022.

Segundo Guedes, as previsões de baixo crescimento para o próximo ano podem não se confirmar, mas prevê que a inflação pode surpreender para cima com as expectativas de crescimento entre 0% e 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

“O problema não será crescimento baixo, o problema será inflação resiliente. A inflação provavelmente será um pouco acima do que vocês estão prevendo, mas o crescimento também será maior do que vocês estão prevendo, então vamos ver. Eu não faço previsões, eu faço piada de previsões, de previsões erradas”, declarou Guedes durante o evento.

Publicado na terça-feira (16), no boletim Focus, relatório do Banco Central (BC) que colhe as projeções do mercado, os analistas de mercado projetam crescimento de 0,9% para o PIB em 2022 e inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,8% para 2022.

O ministro disse ainda que a equipe econômica não pretende interferir nos preços por meio de regulações. Para ele, a única política em curso para segurar a inflação é o aperto monetário (alta dos juros) conduzido pelo Banco Central.

“É verdade que juros vão subir com a luta do Banco Central para controlar inflação, mas estamos realmente fazendo a transição para crescimento sustentável em todos os setores”, diz.

Para Guedes, em momentos que a inflação acelerar por conflitos externos, a transferência de renda por meio do Auxílio Brasil pode aliviar o impacto sobre as famílias mais pobres. Ele ressalta ainda que em sua avaliação os preços do petróleo e da energia deverá atrair investidores estrangeiros para o Brasil e que as conversas mantidas pelo governo em viagem aos Emirados Árabes renderam ao país compromisso de investimentos de 10 bilhões de dólares em dez anos e reforçando a previsão de investimentos de 700 bilhões de dólares para as próximas décadas.

“Se preços de petróleo e de energia sobem, é parte da solução porque atrai investimento. A melhor solução é deixar o mercado agir e, qualquer disfunção, resolve com transferência de renda”, explica o ministro.

Durante o evento, o ministro da Economia defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, e criticou a proposta apresentada por alguns senadores de tirar o pagamento de precatórios do teto de gastos. Guedes ressalta que só existirão motivos para se preocupar com a economia em 2022, caso o Senado altere o texto aprovado pela Câmara.

“Talvez seja essa a assimetria (das expectativas do mercado e do governo para o PIB), porque eu ainda estou esperançoso que nós vamos aprovar as propostas originais. Mas se não aprovarem, então estarei muito preocupado com o crescimento”, declara.

Guedes também voltou a defender a privatização da Petrobras (PETR4), Eletrobras (ELET3) e Correios, para fundo voltado à erradicação da pobreza. Em sua avaliação, essa estrutura representa a melhor maneira de enfrentar o alto custo dos combustíveis e dos alimentos.

“Se o petróleo está subindo ou a taxa de juros está subindo e aí alimentos estão subindo… o “first best” é claro que são políticas sustentáveis para a erradicação da pobreza”, conclui.

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