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Movimento Black Money: projeto visa a inclusão de negócios de pessoas negras no Brasil

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Movimento Black Money: projeto visa a inclusão de negócios de pessoas negras no Brasil Shutterstock
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Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 54% da população do país se autodeclara negra. Dados levantados pelo site Vagas.com, em 2020, mostram também que pessoas que se declaram negras ocupam 47% das posições operacionais e 11% das posições técnicas, em percentuais superiores aos relatados por brancos, indígenas e amarelos, porém apenas 0,7% tem cargo de diretoria.

Com o objetivo de ampliar o espaço dos negros no mercado financeiro, o Movimento Black Money (MBM) desenvolve projetos em diversas frentes para promover a educação, empreendedorismo e inclusão financeira, fazendo o capital circular de maneira mais justa entre toda a população.

Nina Silva, fundadora do MBM, destaca que essa porção da população consome cerca de R$ 1,8 trilhão ao ano, mas, apesar disso, também constitui a maior parcela entre o contingente dos 10% mais pobres e são 67% dos desempregados.

Nina Silva

O movimento, pioneiro no mundo, foi desenvolvido por Nina Silva, de 40 anos, que passou 17 anos na área de tecnologia da informação.

Com o objetivo de mudar a atual realidade, Nina uniu sua experiência a de outros profissionais para criar o MBM. Em parceria com o sócio Alan Soares, trader e educador financeiro, a especialista em tecnologia lançou o projeto para a contribuir com o mercado financeiro brasileiro e também com a representatividade da comunidade negra.

“Há 3 anos fundei o Movimento Black Money junto com meu sócio Alan Soares e desde então utilizo do nosso background para apoiar empreendedores negros e negras em seus negócios com objetivo de buscar autonomia da população negra no Brasil com pontes e influências junto a outros países”, explicou Nina, em entrevista para a Agência Brasil.

Em 2019, ela foi eleita pela revista Forbes uma das mulheres mais poderosas do Brasil e uma das 100 negras, com menos de 40 anos, mais influentes do mundo, no ranking da Most Influential People of Africa Descent, diretamente ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

“Nasci no Jardim Catarina, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, na época, a maior favela plana da América Latina. Desde muito nova, sempre me espelhei na minha irmã, seis anos mais velha e a primeira da família a cursar faculdade. Comecei a trabalhar muito cedo, para ajudar em casa, em uma empresa onde tive meu primeiro contato real com o universo da tecnologia: fui convidada para fazer parte da implementação de um sistema integrado de gestão empresarial, o ERP [Enterprise Resource Planning] da SAP [empresa alemã da área de tecnologia]”, contou.

Segundo a executiva, seu objetivo principal é gerar uma cadeia produtiva própria de fornecimento, até consumo consciente e intencional de produtos e serviços de negros.

Movimento

Em 2017, foi criado o MBM, que durante seu desenvolvimento se desdobrou em um banco digital e em ações educacionais para que negros, a maioria brasileiros, tenham melhores condições de vida a partir da autonomia financeira.

Para acolher a comunidade negra em um todo, o projeto possui diversas variações para manter contato entre consumidores e empresários. Por isso, o movimento conta com o StartBlack Up, série de encontros realizados entre empreendedores para ajudá-los a desenvolver, iniciar seus negócios e formar redes de relacionamento. Além disso, também existe o Afreektech, braço educacional do projeto, onde oferece cursos próprios e parcerias focadas em aprendizado tecnológico.

O MBM criou ainda o D’Black Bank, uma fintech cujo objetivo é conectar consumidores e empresários. A instituição financeira desenvolveu a própria maquininha, nomeada como “Pretinha”. A mesma já está sendo utilizada em seis cidades: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Caieras (SP) e Florianópolis

O projeto está baseado em três pilares: foco em comunicação, educação e geração de negócios, utilizando a tecnologia como um dos métodos para gerar sinergias, favorecendo o empoderamento negro e conectando empreendedores e consumidores.

Nina explica que o site é a plataforma responsável por unir os braços do movimento e fomentar o desenvolvimento do ecossistema do empreendedorismo negro em um marketplace de duas pontas que, segundo ela, são a do “afroempreendedorismo” e a do “afroconsumo”.

Na plataforma pode se encontrar diversos profissionais cadastrados como esteticistas, donos de restaurantes, personal trainer, endocrinologistas, dentistas, corretores de imóveis, advogados, fisioterapeutas e outros.

“Até aqui, se criou um marketplace com 300 lojistas negros, vendendo online sem mensalidade, sistemas de pagamento e um portal e redes que já atingem mais de 80 mil pessoas por mês com conteúdos de diversas áreas como marketing digital, finanças, inovação e vendas, além de cursos em tecnologia para centenas de bolsistas oriundos de contextos periféricos”, ressalta.

A executiva explica que todos os projetos são focados no empoderamento da comunidade negra e no letramento racial.

“Nossa comunicação é pautada na elucidação das desigualdades raciais como agravante social da sociedade brasileira, mas com diretrizes propositivas tanto de projetos como eventos no entorno de educação, comunicação, empregabilidade e empreendedorismo da comunidade negra”, finaliza Nina.

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