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Barragens em Minas Gerais deixaram mercado da mineração apreensivo durante a semana

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Barragens em Minas Gerais deixaram mercado da mineração apreensivo durante a semana Bruno Costalonga
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No último sábado (8) a barragem da empresa francesa Vallourec, Cachoeirinha da Mina Pau Branco, em Nova Lima/Brumadinho (MG), transbordou após o deslizamento de uma de suas estruturas. O transbordamento causou a interdição da BR-040 e a remoção de moradores do local visto um possível risco de rompimento.

Com todas as atenções voltadas para o setor, as mineradoras Vale (VALE3), CSN (CNA3) e Usiminas (USIM5) paralisam as operações de produção de minério, transporte ferroviário e embarque nos portos na última segunda-feira (10).

A Vallourec teve atividades suspensas judicialmente. Multada em R$ 288 milhões pelo governo estadual, possui vinte dias para realizar o pagamento do valor ou apresentar defesa. O valor foi baseado na multa máxima de R$ 1 milhão por dia e foi justificado na reincidência da companhia em desastres com barragens. A empresa informou que irá recorrer da decisão.

Mercado:

A paralisação das operações nas mineradoras, principalmente da empresa Vale, que é detentora das minas deixou o mercado apreensivo com possíveis repercussões.

Segundo relatório do Morgan Stanley, o Sistema Sul e Sudeste da Vale representam 41% da produção de toda companhia. Mesmo com esse break, o banco mantém a previsão de produção em 330 milhões de toneladas de minério de ferro para o setor em 2022.

O Itaú BBA afirma que caso as operações fiquem paradas por duas semanas, o impacto seria de menos de 1% do guidance da empresa, um montante de 3 milhões de toneladas.

O primeiro semestre da mineração costuma ser mais fraco que o restante do ano devido às condições climáticas do Brasil Porém, as incertezas de abastecimento geradas por essas paralisações podem ser um gatilho para o aumento dos preços nas próximas semanas, principalmente pela retomada da construção civil chinesa, maior mercado importador.

Mesmo que esses eventos sazonais já fossem previstos, as suspensões podem gerar aumento nos preços e o fenômeno natural La Ninã deve fazer com que tais paradas sejam frequentes, segundo o Bank Of América.

No geral, ao longo da semana, as ações das companhias citadas tiveram uma leve oscilação na B3 e todas fecham com crescimento no total em janeiro até a data. A recuperação deste mercado tende a ser rápida e um grande impacto seria causado caso alguma barragem rompesse efetivamente.

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Risco de rompimento:

Tendo em vista a situação, o Governo Mineiro e o Ministério Publico solicitaram um relatório sobre a situação de 31 barragens em estado de risco. As empresas tiveram 24 horas para enviar o documento.

As minas notificadas foram a Vale, CSN e Arcelomittal. Segundo dados encaminhados, vinte e duas chegaram ao nível 1 de emergência (há anormalidade, mas sem necessidade e evacuação da população), seis alcançaram o nível 2 (quando há risco de rompimento e a retirada dos moradores é recomendada), e três atingiram o nível 3 (risco iminente de rompimento e evacuação obrigatória).

As barragens B3/B4 (Nova Lima), Forquilha III (Ouro Preto) e Barragem Sul Superior (Barão de Cocais) chegaram a registrar o risco crítico de rompimento. As três são da Vale.

Outra barragem que não foi citada na lista, mas também está em estado de alerta após denúncias do governo municipal e dos moradores, é a barragem do Carioca. Localizada entre Pará de Minas e Conceição do Pará, teve constatados: o transbordamento da represa, uma erosão na lateral e fratura no duto principal.

Histórico:

Desde dezembro fortes chuvas atingiram parte do Brasil, causando alagamentos e deslizamento. Já nos primeiros dias de janeiro, o estado de Minas Gerais decretou estado de emergência em centenas de cidades. Os temporais foram registrados do dia 05 ao dia 12.

A redução do volume das chuvas durante a semana acalmou um pouco a situação. Segundo dados da Defesa Civil Estadual Defesa Civil Estadual, 24 pessoas morreram, 3.992 ficaram desabrigadas, 24.610 desalojadas e 341 municípios estão em situação de emergência, maior número dos últimos oito anos.

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